
Hoje olho para trás e vejo que é verdade que só damos valor às pessoas
quando as perdemos, que quando as queremos valorizar, já é tarde, a vida
ensinou-me isso cedo, na altura ideal acredito; no entanto, isso não
anula a dor e o sofrimento que senti, e que vi ser sentido, um dos
momentos mais marcantes desses dias foi ver o meu pai a chorar, pela
primeira vez, aos seis anos de idade; lembro-me de estar em casa,
sozinho, deitado na cama, à espera, preparando-me para o inevitável. Eu
sabia o que se estava a passar, foi tudo tão claro, assim que ouvi o
carro a chegar, levanto-me, eu e a minha esperança de que tudo estivesse
bem; assim que a porta se abre, esperança era a última emoção que me
apareceria no pensamento, lembro-me das exatas palavras que abandonaram a
boca da minha mãe, de voz destroçada, porque o meu pai não tinha forças
para falar: "Diogo, o avô já não está mais connosco", e foi naquela
idade, neste dia, neste instante, que eu aprendi que não era tudo
alegrias.
Apesar de ao virar de cada esquina se esconder uma
desgraça, a infância é isso mesmo, aprender a superar a dor com os meios
que temos. E no final do dia, posso olhar novamente para trás e dizer
que fui feliz, e sou feliz ao relembrar-me destes obstáculos que
ultrapassei no meu percurso, que me tornam no que sou hoje e no "que só/
hoje sei que fui"
Diogo Fernandes, 12º A
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