Médico de profissão, monárquico, facto que o levou a viver emigrado alguns anos no Brasil, fora educado num colégio de jesuítas, logo, numa formação clássica, latinista e de princípios conservadores, elementos que são transportados para a sua conceção poética. Domina a forma dos poetas latinos e proclama a disciplina na construção poética.
«Caeiro tem uma disciplina: as coisas devem ser sentidas tais como são. Ricardo Reis tem outra disciplina diferente: as coisas devem ser sentidas, não só como são, mas também de modo a integrarem-se num certo ideal de medida e regras clássicas.»
Ao longe os montes têm neve ao sol,
Ricardo Reis
Enquanto poeta de educação clássica, Ricardo Reis faz muitas referências aos deuses da Antiguidade greco-latina, e privilegia as formas poéticas da antiguidade: a ode, o epigrama e a elegia.
Segue a lição poética de Horácio, o grande poeta latino da época do imperador Otávio Augusto, no auge do Império Romano, mas também tem afinidades com os gregos; segundo FP, é :“um latinista por educação alheia e um semi-helenista por educação própria”.
Horácio
Tradução de David Mourão-Ferreira in
- Procurar uma sabedoria assente numa vida sem arrebatamentos, na elevação, na procura de perfeição, na satisfação baseada nos prazeres muito simples (o que requer uma longa aprendizagem)
- Sublimar a angústia e a tristeza da condição trágica do homem, da sua mortalidade, da efemeridade da vida, do peso do tempo
- Encarar pacificamente - com elegância, elevação e ilusória liberdade - o Destino/a vontade dos deuses, aquilo que é inevitável















