
1984
- A melhor forma de manter a Paz é com a Guerra.
- A liberdade prende-os.
- A ignorância faz a força.
É por isso que este livro é uma obra prestigiada da literatura mundial.
Um sítio para ler, escrever, pensar sobre livros, escritores, temas de atualidade, dirigido sobretudo aos alunos de Português do ensino secundário.

É por isso que este livro é uma obra prestigiada da literatura mundial.



O livro d' "A Selva". Já em crianças crescemos com "O Livro da Selva" de Rudyard Kipling, aquela bem conhecida história do menino criado por lobos que vive na selva e tem como amigos um urso e uma pantera; uma selva onde tudo floresce, tudo é verde e tudo é belo..."Alberto",
de Ferreira de Castro, também vive n'"A Selva", mas esta em nada se iguala à de Mogli. Esta selva aprisiona, "desumaniza" e tal como Ferreira de Castro o diz: "Daquela bárbara grandiosidade e da sua estranha beleza, uma só forte impressão ficava: a inicial, que nunca mais se esquecia e nunca mais também se voltava a sentir plenamente. Solo de constantes parturejamentos, obstinado na ânsia de criar, a sua cabeleira, contemplada por fora, sugeria vida liberta num mundo virgem, ainda não tocado pelos conceitos humanos; vista por dentro, oprimia e fazia anelar a morte."
Nunca estive numa selva, mas tal é a profundidade na descrição de Ferreira de Castro da floresta amazónica que qualquer pessoa consegue formar a imagem das suas palavras. É notável o esforço de Ferreira de Castro em conseguir "mostrar" a Selva de forma "quase- imparcial", uma vez que não a adjectiva segundo os seus gostos (bonita, feia, são adjectivos que F. Castro nunca utiliza, pois não a caracterizam verdadeiramente), mas tenta caracterizá-la de acordo com as impressões do protagonista (Alberto). Isto faz com que nós, leitores, não nos sintamos excluídos e possamos, "construir" as nossas próprias impressões.

O mundo dela resumia-se a um pouco de água entre quatro paredes de vidro. Isso, alguma areia. Algas, pedras de diversos tamanhos, a miniatura em madeira de uma caravela naufragada. Ah! E trinta e sete outros peixinhos, quase todos irmãos de A., ou primos, tios, parentes próximos. Havia ainda uma velha tartaruga, chamada Alice, que já vivia no aquário quando os avós de A. nasceram. Fernando Pessoa
Há portas que precisamos abrir na nossa vida, mesmo que - olhando do limiar - nos pareça duvidoso ou difícil passar para o outro lado.
Para entrar na poesia de um dos maiores poetas do século XX - Fernando Pessoa, escolhi a INFÂNCIA como porta, larga e acessível a todos nós, porque, numa mistura de realidade, memória, ideia mitificada ou imagens que os outros sobre nós criaram, todos temos uma.

A imagem foi obtida no átrio da Fundação, tendo por fundo o painel da autoria de Almada Negreiros, pintor, desenhador e poeta, entre outros ofícios.
Com este bom testemunho termino os trabalhos do ano lectivo. Amanhã começam as minhas férias. Não esqueçam que a partir do início de Setembro poderão começar a escrever para aqui ou para o e-mail: dúvidas, pedidos, sugestões.
ATENÇÃO: O Diário de Notícias está a oferecer (isso, zero euros) bons livros da literatura universal - muito variados, desde policiais à Divina Comédia - com a compra do jornal, às segundas, quartas e sextas. Aproveitem!
Boas férias.
A oficina de escrita realizada na Biblioteca com a escritora Luísa Costa Gomes teve como resultado vários contos ou esboços de contos para depois desenvolver. Aqui fica um deles. Quem quiser ver publicados os seus, envie para comentários.
O relógio da Estação marcava oito horas e quarenta e seis. Estava uma manhã que prometia um dia de Sol, mas ainda assim uma brisa gelada…parecia que adivinhava o que se passava com aquelas duas pessoas. Muitos silêncios que diziam tudo nesta conversa…‘Tens a certeza?’ –perguntou ela. Era sempre assim, meio insegura…tentando por tudo que ele voltasse atrás também. Ele olha-lhe com todo o carinho e diz - ‘Desta vez não tenho certeza de nada...mas que posso fazer?’.
Ela baixa a cabeça. Não queria acreditar na dor que aí se aproximava. Oito e cinquenta. ‘Faltam dez minutos…tenho que entrar até lá. O comboio não espera por mim…’ diz o rapaz, fixado no cabelo da rapariga. Amara sempre o cabelo dela. Lembrava-lhe o dia ventoso que tinham passado uma vez na praia…em que ela só reclamava do vento e lhe dizia que ficava mais feia…ele sorria. Sorria sempre e dizia ‘ Meu amor, ficas linda de qualquer maneira…’ e calava-a com um beijo… e ela acreditava . E era a mais feliz com ele. Por que tinha tudo de ser diferente agora? Ela não entendia nada…a razão para o homem da sua vida se ir embora…dar por terminada a relação mais plena que ela alguma vez tinha sentido…e sabia que para ele também assim o era. Naquela estação, ela sabia-o, ela sentia-o de igual maneira. O seu olhar para ela continuava o mesmo. Até demonstrava já saudade… não entendia. Não queria entender. Ela amava-o. Ele também, apesar de lhe dizer que já não… cinco para as nove. O relógio desafiava o tempo que escasseava… a rapariga ainda tentava convencer o amado. ‘Esquece. Esquece-me. É melhor…vou para longe, tu sabes. Quero outra vida…desculpa alguma coisa…e obrigada.’, diz o rapaz a tentar por tudo disfarçar a pior dor que já tinha sentido. E estava a sentir. Um desculpa e um obrigada…palavras que significam muito…tudo isto… na sua voz… ‘ O que mudou afinal?’ pergunta ela já a chorar. ‘Tudo. Eu mudei, tu mudaste…quero outra coisa para a minha vida. Mas foste tudo na minha vida…’ ‘Que interessa se fui, se já não sou mais? ‘, o rapaz abraça-a. Com todo o respeito, com todo o mais verdadeiro amor. ‘ Meu amor, és tudo para mim. E por seres a minha vida tenho que partir. A minha vida vai acabar daqui a um mês como me disseram no hospital . Não quero que sofras. Aí é que eu morria. Deixa que me tenhas em mim com os momentos inesquecíveis que passámos…deixa eu partir e ser mais fácil…Não ver a tua dor…ficares com raiva de mim…talvez seja mais fácil para ti esqueceres-me’, pensou isto no último abraço… ‘Tenho que ir’ disse ele na sua voz meio arrastada e forte. Nove horas. O comboio preparava-se para partir. ‘Promete que dás notícias’- diz a rapariga intrigada, com raiva de amor, a chorar realmente… ‘Sempre que estiveres bem eu estou bem.’ diz o rapaz… olham-se num último olhar..ele sobe as escadas…ela segue-o.
Num último degrau…ele agarra-a e segreda-lhe ao ouvido… ‘Amo.-te para sempre’. A rapariga não teve tempo de retribuir a frase mais verdadeira. Chora, vê o comboio partir…era tarde. Nove e dois minutos. Continuava a ser tarde demais.
04 Junho, 2007
Daniela 11ºE Nº11
11ºE e H
11º B
11º E e H
11º B
11º E e H
A civilização a céu aberto (Carlos)
"Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos"
"Mas se vivemos os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas"
(continua)

Vendedeiras de peixe
Nas descargas, na zona portuária do Tejo
A sineta repicou... E com um belo fumo claro o comboio desapareceu por trás das fragas altas." (capítulo VIII)
Em baixo, numa esplanada, branquejava uma casa nobre, de opulento repouso, com a capelinha muito caiada entre um laranjal maduro. .jpg)
A grandeza igualava a graça. Para os vales, poderosamente cavados, desciam bandos de arvoredos, tão copados e redondos, de um verde tão moço, que eram como um musgo macio onde apetecia cair e rolar. (...) Em todo o torrão, de cada fenda, brotavam flores silvestres. Brancas rochas pelas encostas, alastravam a sólida nudez do seu ventre polido pelo vento e pelo sol.(...) O ar fino e puro entrava na alma, e na alma espalhava alegria e força. 

Daniela Félix,11º H. Técnica mista sobre tela.

Lisa, 11º H. Técnica mista sobre tela.
"bibliotecas abarrotadas, a estalar, com a papelada dos séculos (...) ruas, cortadas, por baixo e por cima, de fios de telégrafos, de fios de telefones, de canos de gases, de canos de fezes"
(A Cidade e as Serras, cap. I)

Catarina Cruz, 11º H. Desenho, carvão e lápis de cera sobre papel.
"fábricas fumegando com ânsia, inventando com ânsia; (...) fundas milhas de ruas (...) fios(...) uma vaga humanidade, fervilhando, a ofegar, na busca do pão" (A Cidade e as Serras, cap. I)
Inês Joaquim, 11º H. Pintura sobre tela.
"Tudo se fundiu numa nódoa parda que suja a Terra. (...) a sublime edificação dos Tempos não é mais que um silencioso monturo da espessura e da cor do pós final" (cap. VI)
Cláudia Franco, 11º H. Técnica mista sobre tela.
Sara Correia, 11º H. Desenho, lápis sobre papel.
"armazéns (...) mercados (...) fábricas (...) ruas (...) carroças, velocípedes, calhambeques, parelhas de luxo." "Que criação augusta a da Cidade!" (cap. I)
Que estas imagens sirvam de motivação para novas escritas, novos trabalhos visuais.
Aqui deixo um dos exemplos de quem já aceitou o desafio da escrita.
As diferentes visões de uma cidade
Eu, enquanto “campónia”, vejo as cidades um tanto longe, mas não é por isso que não as visito ou as desgosto, pelo contrário, sou grande apologista das cidades, sejam elas grandes ou pequenas, pois o movimento de transportes, o movimento das próprias pessoas fascina-me.
A visão que tenho de uma cidade, enquanto estou no seu interior, é de um mar de prédios imenso, através dos quais descem enormes avenidas com uma quantidade de histórias e vivências, centros de lazer onde não só se põe à prova a nossa capacidade materialista como também a nossa cultura: falo de centros comercias, museus teatros, locais nos quais podemos não só conviver, como gastar dinheiro e aprender um pouco da nossa e de outras culturas.
Tendencialmente não falo dos problemas das cidades, pois as acho perfeitas, mas perante aquilo que li no livro “A Cidade e as Serras”, achei que deveria ver bem como é uma cidade. [...]
Nestas férias propus aos meus pais que me levassem a um local onde pudesse observar a cidade de Lisboa do seu alto, ao que eles me sugeriram um dos pontos mais altos da cidade, o Castelo de são Jorge. Parti de imediato para lá e a realidade com que me deparei não foi a que esperava.
Vi foi um amontoado prédios degradados, completamente abandonados e deixados de boa vontade aos sem abrigo, a zona de pesca cheia de redes pesqueiras há muito abandonadas pelos seus donos, vários contentores abandonados, que ao saírem dos portos não tiveram alguém que os levasse ou então ficaram na reforma.
Concluo assim que vou dar mais valor à serra onde moro e deixar que o sonho de uma cidade perfeita continue na minha cabeça.
Cristiana Pancadares, 11º E
Boas leituras! Bons motivos artísticos!
Eça de Queirós, A Cidade e as Serras, cap. I (in http://figaro.fis.uc.pt/queiros/lista_obras.html)
Quem aceita continuar o desafio?
Cria outra imagem para este texto!
Cria outro texto para esta imagem!
Fotografa e descreve a cidade de hoje!


"Nem amores, nem aventuras, nem paixões nem caracteres violentos de nunhum género. Com uma acção que se passa entre pai, mãe e filha, um frade, um escudeiro velho, e um peregrino que apenas entra em duas ou três cenas - tudo gente honesta e temente a Deus - sem um mau para contraste, sem um tirano que se mate ou mate alguém, pelo menos no último acto, como eram as tragédias dantes - sem uma dança macabra de assassínios, de adultérios e de incestos (...) - eu quis ver se era possível excitar fortemente o terror e a piedade - ao cadáver das nossas plateias, gastas e caquéticas pelo uso contínuo de estimulantes violentos" Deixo dois exemplares de diários, neste caso, de Telmo Pais e Maria de Noronha, da autoria de Ana Catarina Cruz e Rute Vicente, respectivamente. Espero que sirvam de estímulo para aqueles que ainda ultimam os seus.
