Total visualizações

30 setembro 2015

Cesário Verde (revisões)

Preparação para exame

Para iniciar as revisões de Cesário Verde, ficam alguns vídeos com leituras de poemas deste autor, criados por colegas vossos de uma escola de Lisboa


 por Pedro C  do 12 º 1 ª, in GAVETA DE NUVENS (Blogue do professor e investigador Luís Prista)

por Rui do 12 º 1 ª , In Gaveta de Nuvens
por Marta do 12 º 1 ª, in Gaveta de Nuvens
por Miguel M  do 12 º 1 ª

29 setembro 2015

Carta de Camões a D. Sebastião - Dedicatória


Memória descritiva

Foi pedida, a partir da leitura e compreensão da Dedicatória, versos 6 a 18 do Canto I de Os Lusíadas, a elaboração de um carta, com o mesmo conteúdo, procedendo apenas às necessárias adaptações linguísticas/formais.
Objetivos: testar/reforçar a compreensão do texto fonte; realizar transformação de texto; respeitar a tipologia da carta;  exercitar as formas de tratamento e o uso das formas verbais adequadas.  

Fica a carta elaborada pela Jessica, a qual segue de perto o texto fonte, conforme foi pedido. É um bom exemplo.*





* atenção: há correções em algumas formas verbais, que não são visíveis na reprodução (ex. Vós «fostes»/Vós não «deixareis»).
Mas como vós sabeis onde/como corrigir, agradeço que o façais.

28 setembro 2015

"Os Lusíadas" - Dedicatória

A dedicatória não era um elemento estrutural obrigatório do género épico, mas Luís de Camões dedica o seu poema ao rei D. Sebastião, a quem louva pelo que representa para a independência de Portugal e para o aumento do mundo cristão; pela ilustre geração (ascendência) a que pertence e ainda pelo vasto Império de que é senhor.
Sobretudo as três primeiras estrofes têm um carácter laudatório.

Na breve exposição que faz ao rei do assunto d’Os Lusíadas, o poeta destaca que a obra não versará heróis e factos lendários ou fantasiosos, como as epopeias antigas, mas matéria histórica.
Termina o seu discurso incitando o Rei a estar à altura e a dar continuidade aos feitos  dos portugueses, nomeadamente, combatendo os mouros; depois renova o pedido para que que leia os seus versos em louvor da pátria.

Mais do que o tom laudatório, marca o destaque dado aos portugueses - objeto do poema em presença - esses sim, mais valiosos que todo o «mundo» - "E julgareis qual é mais excelente,/Se ser do mundo Rei, se de tal gente": mais do que o império, o poder, Camões canta o valor, a obra feita, a excelência dos heróis.


O discurso da Dedicatória organiza-se segundo a lógica:
  • louvor
  • apelo de carácter pessoal e argumentos justificativos
  • apelo de carácter nacional 
  • reforço do apelo pessoal.
Esta parte do poema apresenta uma estrutura própria do género oratório: 
  1. exórdio, que corresponde ao início do discurso (6 a 8); 
  2. exposição ou corpo do discurso (9 a 11); 
  3. confirmação, com a apresentação de exemplos e ou argumentos (12 a 14) 
  4. epílogo ou conclusão (15 a 17). 

LINGUAGEM:
  • vocativo «vós» - segunda pessoa do plural
  • modo imperativo (“Ouvi”) - associado aos apelos
  • a linguagem hiperbólica 
  • as apóstrofes (“ó bem nascida segurança”,ó novo temor da Maura lança), características da oratória, associadas à perífrase.
  • o léxico associado quer aos louvores, quer à detração dos feitos não reais, inventados -  vãs façanhas, fantásticas, fingidas, mentirosas, sonhadas, fabulosas



D. Sebastião é apresentado como um jovem rei -  tenro gesto, tenro e novo ramo - que ainda nada concretizou, mas de quem tudo se espera, rei que a providência faz surgir para retomar o vigor dos antepassados e salvar a pátria  da crise em que já se encontrava.

26 setembro 2015

Leituras à solta

 A pedido de alguns de vós, ficam mais informações sobre os livros propostos para o Contrato de Leitura.
  • George Orwell, 1984
(Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o Ensino Secundário como sugestão de leitura).


"Era um dia frio e luminoso de abril, e os relógios davam 13 horas." Assim começa um dos romances mais citados do século 20. A frase não refere  o ano da ação, mas não é necessário, pois ele dá nome à obra: 1984.  Winston, herói de 1984, vive aprisionado numa sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada um vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão. (...) Winston é funcionário do Departamento de Documentação do Ministério da Verdade, um dos quatro ministérios que governam Oceânia, e a sua função é falsificar registros históricos, a fim de moldar o passado à luz dos interesses do presente.

Eis uma passagem: 
 
O Ministério da Verdade - Miniver, em Novafala - era extraordinariamente diferente de todos os outros objetos à vista. (...) Do lugar onde Winston estava mal dava para ler, escarvados na parede branca em letras elegantes, os três slogans do Partido:
GUERRA É PAZ
LIBERDADE É ESCRAVIDÃO
IGNORÂNCIA É FORÇA

Comentava-se que o Ministério da Verdade continha três mil salas acima do nível do solo e ramificações equivalentes abaixo. Em Londres havia somente três outros edifícios de aparência e dimensões equivalentes. (...) Eram as sedes dos quatro ministérios entre os quais se dividia a totalidade do aparato governamental. O Ministério da Verdade, responsável por notícias, entretenimento, educação e belas-artes. O Ministério da Paz, responsável pela guerra. O Ministério do Amor, ao qual cabia manter a lei e a ordem. E o Ministério da Pujança, responsável pelas questões económicas. Seus nomes, em Novafala: Miniver, Minipaz, Minamor e Minipuja.(...)
Winston virou-se abruptamente. Compusera a própria fisionomia de modo a ostentar a expressão de tranquilo otimismo que convinha ter no rosto sempre que se encarasse a teletela.


  •  Dulce Maria Cardoso, O Retorno



( Livro recomendado Plano Nacional de Leitura para alunos do Ensino Secundário, como sugestão de leitura.)


Críticas de imprensa
«É muito, muito difícil um livro assustar-nos e comover-nos desta forma. Comover-nos com a fragilidade daquela mãe, com a sua necessidade de acreditar que o pai vai voltar. Comover-nos com as lágrimas de uma miúda que é apalpada por ser retornada. Com a amizade entre o puto e o porteiro do hotel que lhe oferece uma bicicleta velha. Com aquela irmã que tenta fingir que é de “cá”. (...) É um país pequeno, desconfio que pouco sereno, neurótico porque rejeita a sua agressividade, mas é também um país que tem meia dúzia de pessoas que se recusam a enterrar a cabeça na areia, que retiram camadas à mentira que cobre os nossos dias. É gente de coragem, é gente de brio. É gente como Dulce Maria Cardoso que, a partir deste O Retorno, deve ser incluída no panteão dos escritores maiores, aqueles que escrevem com vísceras.»
João Bonifácio, Público, 5 estrelas

«Dulce Maria Cardoso encontra o registo certo em todas as cenas, emocionado e seco, triste e orgulhoso, cheio de culpa e incerteza, de palavras africanas que eram o português angolano, de recordações epocais, como fotonovelas ou marcas de uísque. É essa história visivelmente vivida, sem demagogia nem rasuras, que faz de O Retorno um romance há muito aguardado.»
Pedro Mexia, Expresso, 4 estrelas

 In WOOK, http://www.wook.pt/ficha/o-retorno/a/id/12835915


O Retorno” é um romance que aborda o tema delicado e polémico que foi para Portugal a descolonização, o fim do Império Ultramarino e o conturbado regresso dos Portugueses que habitavam as colónias, após a Revolução de Abril de 1974.
A trama do romance é desenvolvida pela voz de Rui, narrador auto-diegético, cuja missão é a de relatar o regresso da família de Angola, no período “quente” em que ameaça explodir a Guerra Civil mediante a cisão política que grassa em Angola, após o fim imediato da Guerra do Ultramar. No discurso de Rui está patente sobretudo uma perigosa dose de inconformismo, que ameaça transformá-lo um ser inadaptado, ao chegar à capital portuguesa, mas que acaba por se sublimar num implacável instinto de sobrevivência. Este inconformismo provém-lhe sobretudo do facto de milhares de portugueses residentes em Angola serem condenados ao exílio, para não morrerem às mãos dos locais, destacando o sentimento de impotência do narrador face à fragilidade física e psíquica da mãe, agravada ainda mais pela sensação de desenraizamento e perda de todos os bens. 
(...)
 
 Cláudia de Sousa Dias, in http://hasempreumlivro.blogspot.pt/2013/07/o-retorno-de-dulce-maria-cardoso-tinta.html

23 setembro 2015

Grandes Livros - : "Os Lusíadas", Luís Vaz de Camões (Parte 5/6)

O regresso do Poeta; 
os elementos críticos; 
os sinais de crise; 
o «milagre» da edição da obra; 
o impacto da obra 
D. Sebastião; 
a morte de Camões; 
a perda da independência.

04 setembro 2015

Vida nova

Aos que estão prestes a marchar para outras paragens e a voar outros voos, desejo que fiquem felizes com as vossas escolhas e aproveitem bem a oportunidade de tornar a vossa vida maior e o vosso olhar mais largo. 

Aos que ficam, desejo uma vontade redobrada para findar esta etapa. 

A todos - não queiram menos que o impossível; depois, façam-no acontecer!


Oh, Lisboa, meu Lar! (12ºC)

Biblioteca-Comunidade de leitores (12º E...não tenho foto de todos)


20 julho 2015

Exame de Português 12º - 2ª fase (critérios de correção)




 AS ILHAS AFORTUNADAS

Que voz vem no som das ondas
Que não é a voz do mar?
É a voz de alguém que nos fala,
Mas que, se escutamos, cala,
Por ter havido escutar.


E só se, meio dormindo,
Sem saber de ouvir ouvimos,
Que ela nos diz a esperança
A que, como uma criança
Dormente, a dormir sorrimos.


São ilhas afortunadas,
São terras sem ter lugar,
Onde o Rei mora esperando.
Mas, se vamos despertando,
Cala a voz, e há só o mar.


Fernando Pessoa, Mensagem, Lisboa, Assírio & Alvim, 1997, p. 75




Caros alunos

Espero que tenham ficado à vontade com o grupo I - A e B - alvo de revisão em maio e/ou nas aulas de apoio (quem foi...ganhou!). Também a redação tinha um tema muito interessante e o pedido estava claro e bem estabelecido.

Sei que a prova não foi das mais fáceis no grupo II e isso pode ter-vos deixado com algum desânimo. Enquanto aguardam, fica a correção.


ATENÇÃO: Esta é uma versão  de trabalho, que em função das dúvidas colocadas pelos senhores corretores a nível nacional, terá daqui a alguns dias uma versão definitiva dos critérios, também publicada no IAVE - secção alunos e encarregados de educação.


13 julho 2015

Resultados dos exames|12º C e E

Caros alunos
Os meus parabéns a todos, pelo esforço, a quase todos, pelo sucesso.
Reforço, em particular, o meu apreço por aqueles de vós - e vários foram -  que prolongando a melhoria que vinham registando no 12º ainda conseguiram subir em exame. 
  
Para os que necessitarem/desejarem ir à 2ª fase, podem contar comigo:
5ª f., 16, das 10h00 às 12h00, sala A-2 - 02. 

Nota: a profª P. Viegas dará ajuda das 11h00 às 12h00, 4ªf., creio que na mesma sala. Podem aproveitar também. 

Deixo a estatística de resultados (clique em cada imagem, para ampliar)







Até 5ª feira , para os que o desejarem.

Para todos, até sempre! 



26 junho 2015

Exame de Português 12º - critérios definitivos

CRITÉRIOS ESPECÍFICOS DE CLASSIFICAÇÃO GRUPO I 
 

Níveis Descritores do nível de desempenho 
I. A.
Questão 1
4
Explicita, adequadamente, o contraste existente no modo como o cravo é transportado, primeiro, até ao portão da quinta e, depois, até à abegoaria. 12 pontos
3
Explicita, de modo não totalmente completo ou com pequenas imprecisões, o contraste existente no modo como o cravo é transportado, primeiro, até ao portão da quinta e, depois, até à abegoaria.
2
Explicita, de modo não totalmente completo e com pequenas imprecisões, o contraste existente no modo como o cravo é transportado, primeiro, até ao portão da quinta e, depois, até à abegoaria. OU Explicita, de modo incompleto ou com imprecisões, o contraste existente no modo como o cravo é transportado, primeiro, até ao portão da quinta e, depois, até à abegoaria.
1
Refere-se, de modo incompleto e com imprecisões, ao contraste existente no modo como o cravo é transportado, primeiro, até ao portão da quinta e, depois, até à abegoaria.

 Cenário de resposta 
Da Rua Nova dos Mercadores até ao portão da quinta, o cravo é carregado por dois homens experientes, que usam os processos  adequados para, com o seu saber e com os cuidados necessários, levarem a carga até São Sebastião da Pedreira. Já do portão até à abegoaria, o transporte é feito por Baltasar e por Blimunda, que, por lhes faltar experiência neste tipo de trabalho e por receio de danificar tão frágil instrumento, tiveram muita dificuldade em fazer chegar o cravo ao seu destino.

Nota – As respostas em que apenas se refere um dos momentos relativos ao transporte do cravo não cumprem o requerido no item (não evidenciam um contraste). Neste caso, as respostas são classificadas com zero pontos. 

Questão 2.
 
Explica, adequadamente, a forma como, ao longo do excerto, a música de Scarlatti se vai
articulando com os diferentes trabalhos de Baltasar e de Blimunda na abegoaria.       12
 
3
Explica, de modo não totalmente completo ou com pequenas imprecisões, a forma como,
ao longo do excerto, a música de Scarlatti se vai articulando com os diferentes trabalhos
de Baltasar e de Blimunda na abegoaria. 9
 
2
Explica, de modo não totalmente completo e com pequenas imprecisões, a forma como,
ao longo do excerto, a música de Scarlatti se vai articulando com os diferentes trabalhos
de Baltasar e de Blimunda na abegoaria.
OU
Explica, de modo incompleto ou com imprecisões, a forma como, ao longo do excerto,
a música de Scarlatti se vai articulando com os diferentes trabalhos de Baltasar e de
Blimunda na abegoaria.   6

1
Refere-se, de modo incompleto e com imprecisões, à forma como, ao longo do excerto,
a música de Scarlatti se vai articulando com os diferentes trabalhos de Baltasar e de
Blimunda na abegoaria. 3

Cenário sem alteração

Questão 3
 4 Justifica, adequadamente, o comentário do narrador, tendo em conta o sentido das
palavras de ambas as personagens. 12

3 Justifica, de modo não totalmente completo ou com pequenas imprecisões, o comentário
do narrador, tendo em conta o sentido das palavras de ambas as personagens. 9

2
Justifica, adequadamente, o comentário do narrador, tendo em conta o sentido das
palavras de uma das personagens.
OU
Justifica, de modo não totalmente completo e com pequenas imprecisões, o comentário
do narrador, tendo em conta o sentido das palavras de ambas as personagens. 6

1
Justifica, de modo não totalmente completo ou com pequenas imprecisões, o comentário
do narrador, tendo em conta o sentido das palavras de uma das personagens.
OU
Refere-se, de modo incompleto e com imprecisões, ao comentário do narrador, tendo em
conta o sentido das palavras de ambas as personagens.
OU
Refere-se, adequadamente, apenas ao comentário do narrador ou apenas ao sentido das
palavras de ambas as personagens. 3

 Cenário sem alteração

Questão 4
 4
Refere, adequadamente, dois dos traços que contribuem para a humanização da música
nas cinco primeiras estrofes do poema, apresentando transcrições que comprovam a
resposta. 12
 

3
Refere, adequadamente, um dos traços e, com pequenas imprecisões, outro dos traços
que contribuem para a humanização da música nas cinco primeiras estrofes do poema,
apresentando transcrições que comprovam a resposta.
OU
Refere, com pequenas imprecisões, dois dos traços que contribuem para a humanização
da música nas cinco primeiras estrofes do poema, apresentando transcrições que
comprovam a resposta. 9


2
Refere, adequadamente, um dos traços que contribuem para a humanização da música
nas cinco primeiras estrofes do poema, apresentando transcrições que comprovam a
resposta.
OU
Refere, com imprecisões, dois dos traços que contribuem para a humanização da música
nas cinco primeiras estrofes do poema, apresentando transcrições que comprovam a
resposta. 6


1
Refere, com pequenas imprecisões, um dos traços que contribuem para a humanização
da música nas cinco primeiras estrofes do poema, apresentando transcrições que
comprovam a resposta.
OU
Refere, adequadamente, dois dos traços que contribuem para a humanização da música
nas cinco primeiras estrofes do poema, sem apresentar transcrições que comprovem a
resposta. 3

 

 Cenário sem alteração


Questão 5
 4 Explicita, adequadamente, a importância da música na construção da identidade do «eu»,
de acordo com o conteúdo das duas últimas estrofes.  12

3
Explicita, de modo não totalmente completo ou com pequenas imprecisões, a importância
da música na construção da identidade do «eu», de acordo com o conteúdo das duas
últimas estrofes.   9

2
Explicita, de modo não totalmente completo e com pequenas imprecisões, a importância
da música na construção da identidade do «eu», de acordo com o conteúdo das duas
últimas estrofes.
OU
Explicita, de modo incompleto ou com imprecisões, a importância da música na construção
da identidade do «eu», de acordo com o conteúdo das duas últimas estrofes.  6

Refere-se, de modo incompleto e com imprecisões, à importância da música na construção
da identidade do «eu», de acordo com o conteúdo das duas últimas estrofes. 3


 Cenário de resposta
A música é fundamental na construção da identidade do «eu», na medida em que:
– tem o poder de conferir unidade ao «eu» poético – «O canto me reúne» (v. 18); «E agora de mim / Não
me separa nada» (vv. 21-22);
– potencia o reencontro com um tempo primordial e puro – «De muito longe venho / Pelo canto chamada»
(vv. 19-20); «Num silêncio de areia / Que não foi pisada» (vv. 26-2
7).

Nota 1 – Não é obrigatório o recurso a citações, ainda que estas figurem, a título ilustrativo, no cenário de resposta.
Nota 2 – As respostas em que se faz referência a um «nós» podem situar-se, no máximo, no nível 2 de desempenho.



18 junho 2015

Feeling Good

III
"Quer no espaço público quer no espaço privado, somos permanentemente sujeitos a estímulos sensoriais
(visuais, auditivos, olfativos…), por exemplo, através de campanhas publicitárias. Se, por um lado, essa
experiência pode ser considerada enriquecedora, pode, por outro lado, ser perspetivada de forma negativa." 17/06/2015


 Um longo filme publicitário, pleno de estímulos visuais e auditivos, 
com muita influência da arte narrativa e da estética do cinema. 

A cada um, a sua opinião: enriquece? aliena? estimula? cria ilusões? promove valores?

17 junho 2015

Correção da prova de Português 12º (639)

Aqui vai a correção. 
Lembrem-se que são esperadas respostas completas , bem redigidas, etc. Aqui seguem apenas os tópicos a contemplar.

I. Cenários de resposta

1.
Da Rua Nova dos Mercadores até ao portão da quinta, o cravo é carregado por dois homens experientes, que usam os processos adequados para, com o seu saber e com os cuidados necessários, levarem a  carga até São Sebastião da Pedreira.
Já do portão até à abegoaria, o transporte é feito por Baltasar e por Blimunda, que, por lhes faltar experiência neste tipo de trabalho e por receio de danificar tão frágil instrumento, tiveram muita dificuldade em fazer chegar o cravo ao seu destino.

2.
No dia da chegada do cravo à abegoaria, Scarlatti procedeu à sua afinação, após o que começou a tocar, encadeando os sons de forma progressivamente mais complexa. Entretanto, Baltasar e Blimunda dedicavam-se a trabalhos pouco ruidosos (entrançar vimes e coser velas), tarefas que não interferiam com a música de Scarlatti.
Nas visitas posteriores à quinta, Scarlatti nem sempre pedia que cessassem os trabalhos ruidosos que decorriam na abegoaria; assim, o som do cravo fluía de forma harmoniosa, apesar do rugir da forja, do malho a bater na bigorna ou da água a ferver na tina.

3.
O comentário do narrador justifica-se pela surpresa que as palavras de Blimunda e de Baltasar lhe provocam, dado que, sendo eles iletrados, são capazes de verbalizar pensamentos tão complexos e elaborados.
Efetivamente, face à possibilidade de a passarola voar, Blimunda admite que a música se possa integrar no voo como expressão de harmonia e de celebração.
Já Baltasar, levado pelas recordações negativas da guerra, antevê desastres e sofrimento

B
4.
A humanização da música decorre de vários aspetos, nomeadamente do facto de esta:
– estar associada a vivências subjetivas do ser humano − «Povoa este deserto» (v. 2);
– ser indissociável da identidade do ser humano − «A música do ser / Interior ao silêncio / Cria seu próprio tempo / Que me dá morada» (vv. 8-11);
– possuir uma voz que é companheira do «eu» poético − «Palavras silabadas / Vêm uma a uma / Na voz da guitarra» (vv. 5-7); «Por companheira tenho / A voz da guitarra» (vv. 15-16).


5.
A música é fundamental na construção da identidade do «eu», na medida em que:
– tem o poder de conferir unidade ao «eu» poético – «O canto me reúne» (v. 18); «E agora de mim / Não me separa nada» (vv. 21-22);
– potencia o reencontro com um tempo primordial e puro – «De muito longe venho / Pelo canto chamada» (vv. 19-20); «Num silêncio de areia / Que não foi pisada» (vv. 26-27).

Nota
– Não é obrigatório o recurso a citações, ainda que estas figurem, a título ilustrativo, no cenário de resposta


Versão 1
Versão 2
1
B
D
2
C
D
3
A
C
4
C
B
5
B
C
6
D
B
7
B
A
8
a sabedoria dos odores
9
complemento direto
10
(oração) subordinada (adverbial) concessiva

NOTA: A ocorrência de erros ortográficos ou de transcrição não implica a desvalorização da resposta







In: http://uniarea.com/exames/portugues/
Nota: Trata-se ainda de versão de trabalho. Pode sempre sofrer ligeiros ajustamentos, por decisão dos responsáveis do IAVE.

Sensações

A prova era toda feita de ... SENSAÇÕES!

Só resta esperar. Até lá, e agora mais descontraídos, é tempo de apreciar - mesmo - o poema de S.M.B. e saber um pouco mais sobre este (aparentemente) enigmático título, afinal bem concreto.



Bach Segóvia Guitarra

A música do ser 
Povoa este deserto 
Com sua guitarra 
Ou com harpas de areia 

Palavras silabadas 
Vêm uma a uma 
Na voz da guitarra 

A música do ser 
Interior ao silêncio 
Cria seu próprio tempo 
Que me dá morada 

Palavras silabadas 
Unidas uma a uma 
Às paredes da casa 

Por companheira tenho 
A voz da guitarra 

E no silêncio ouvinte 
O canto me reúne 
De muito longe venho 
Pelo canto chamada 

E agora de mim 
Não me separa nada 
Quando oiço cantar 
A música do ser 
Nostalgia ordenada 
Num silêncio de areia 
Que não foi pisada 
 
 Sophia de Mello Breyner Andresen
 
Bach -  Johann Sebastian Bach viveu de 1685 a 1750, na atual Alemanha, e é tido como 
o maior nome da música barroca e como um dos maiores compositores de todos os tempos. 
Foi compositor, maestro, cantor, cravista e organista. Desconhec-se o número exato das suas obras, 
mas escreveu para cima de 1000 composições. (ouvir sinfonia nº 1)
 
Segovia -  Andrés Segovia: célebre guitarrista espanhol, nasceu no final do século XIX 
e morreu em Madrid em 1987. O seu grande contributo foi ter adaptado um instrumento considerado 
«popular» - a guitarra - a um reportório clássico e às salas de concerto mais nobres, tocando músicas 
de compositores maiores como Bach.
 
 
****************************************
 Quanto ao grupo III, espero que tenham tido boas ideias e as tenham apresentado e defendido bem.
 Ficam algumas pistas, para os críticos e os otimistas.
 



Nike Force of Nature Recorrendo a uma passadeira com sensores de movimentos Kinect desenvolvidos, pela Prime Sense, para o Xbox 360 Xbox One.  A Nike procurou usar efeitos visuais como estímulo visual baseado no ritmo da corrida da pessoa, ampliando a sensação de fluidez da corrida. A criação fez parte do Nike Innovation Summit, recentemente realizado em Londres.

Poluição visual

Movimento contra a poluição visual nas cidades

15 junho 2015

Literatura





Agora um texto de autor.
Temas:
Leitura
Literatura
Cultura
 
 
Sobre a literatura, artigo de Mario Vargas Llosa
 
A literatura, enquanto existir, continuará sendo um denominador comum da experiência humana. Aqueles de nós que leram Cervantes, Shakespeare, Dante ou Tolstoi entendem-se uns aos outros e sentem-se indivíduos da mesma espécie porque, nas obras desses escritores, aprenderam o que partilhamos com seres humanos, independentemente de posição social, geografia, situação financeira e período histórico.

Nada nos protege melhor da estupidez do preconceito, do racismo, da xenofobia, do sectarismo religioso ou político e do nacionalismo excludente do que esta verdade que sempre surge na grande literatura: todos são essencialmente iguais.
 A literatura permite-nos viver num mundo onde as regras inflexíveis da vida real podem ser quebradas, onde nos libertamos do cárcere do tempo e do espaço, onde podemos cometer excessos sem castigo e desfrutar de uma soberania sem limites. Como não nos sentirmos enganados depois de ler “Guerra e Paz” ou “Em Busca do Tempo Perdido” e voltar a este mundo de detalhes insignificantes, obstáculos, limitações, barreiras e proibições que nos espreitam de todo canto e em cada esquina corrompem nossas ilusões?

Quer dizer, a vida imaginada dos romances é melhor: mais bonita e diversa, mais compreensível e perfeita. Talvez seja esta a maior contribuição da literatura ao progresso: lembrar que o mundo é malfeito, e que poderia ser melhor, mais parecido com o que a imaginação é capaz de criar.

A sociedade livre e democrática requer cidadãos responsáveis, críticos, independentes, difíceis de manipular, em constante efervescência espiritual e cientes da necessidade de examinar continuamente o mundo em que vivemos, para tentar aproximá-lo do mundo em que gostaríamos de viver.

Sem insatisfação e rebeldia, ainda viveríamos em estado primitivo, a história teria parado, o indivíduo não teria nascido, a ciência não teria alçado voo, os direitos humanos não teriam sido reconhecidos e a liberdade não existiria
(Excerto)

297 palavras