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02 novembro 2023

Fernando Pessoa e eu - outrora agora

 

Agora que trouxeste essa recordação de infância, e inspirado por esse dinossauro ou essa zebra ou o coelho ou o elefante ou ainda pela tua play station3 ou pela fotografia ou pelo vídeo da viagem de triciclo... traz-nos o texto desse tempo de leveza e brincadeira.

 

 

"Com que ânsia tão raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei:
Fui-o outrora agora."

F. Pessoa

 

14 comentários:

Anónimo disse...

Tive muitos momentos felizes e menos felizes na minha infância, lembro me mais dos menos felizes mas também tenho alguns felizes. Nomeadamente os dias a brincar no jardim de infância e a lutar com o meu, na altura, melhor amigo. Os tempos em que irritávamo-nos um ao outro e que quando lutávamos era tudo na brincadeira. Mas ele não era o único com quem eu lutava, nos raros momentos em que o meu irmão não estava a fazer-me bullying estávamos a brincar ao wrestling, era a minha altura para ter vingança, nessa altura até o Trombudo, o meu elefante de peluche, era usado como arma e eu passava a vida a atirá-lo ao meu irmão, mesmo no meu dia-a-dia.
O Trombudo esteve sempre do meu lado durante grande parte da minha infância, por isso mesmo doeu muito mais quando alguém do jardim de infância decidiu atirá-lo para o telhado. Foi a chorar as auxiliares para pedir que o fossem resgatar mas elas não conseguiam, fiquei sem ele durante um ou dois anos, até que um dia foram limpar o telhado e devolveram-mo. Pelo menos um ano de chuva, vento e sol, mas depois de ir a máquina de lavar voltou ao seu estado original. Esse dia foi uma grande felicidade pois já estava certo que nunca mais o voltaria a ver e estava feliz de ter o meu amigo de volta.

S.C. 12°B

Anónimo disse...

Quando era miúda, por mais traquina, teimosa e “independente” que fosse, nunca deixava o meu melhor amigo Tobias de parte, um peluche de um cão gigante que veio a dar nome ao meu futuro cão também, que curiosamente também era grande.
Passei toda a minha infância com ele, lembro-me até de uma vez em que ia viajar para fora do país com os meus pais e o Tobias teve que ficar em casa, então pedi à minha mãe para imprimir uma foto dele para andar sempre comigo. Contudo, só família mais próxima é que sabia o quanto eu gostava daquele peluche, não fazia questão de contar a nenhum amigo meu que o tinha, até o escondia quando iam à minha casa com medo que o roubassem.
Até hoje tenho um carinho enorme ao Tobias, uma vez q foi o meu melhor amigo durante anos e acompanhou muitos momentos meus, bons e menos bons.
Inês Silvestre, 12B

Anónimo disse...

Outrora fui feliz com um cão ao meu lado, um cão que têm alma de enchimento e olhos de plástico. Aquele cão que me acompanhou durante o meu primeiro acampamento, ficou todo molhado e sujo, mas mesmo assim nunca o larguei e ainda chorei baba e ranho quando cheguei a casa e a minha mãe pôs o meu peluche na máquina de lavar. De todas as histórias que eu tenho com o meu peluche a que mais gosto é a que cada vez que ia brincar com os animais da quinta do meu avô eu obrigava todos os outros animais (ovelhas, cabras, porcos, galinhas entre outros) a brincar com a rosita (peluche) e assim eu passava o meu tempo na quinta, até que houve um dia que eu tava ao lado do meu avô a brincar e deixei a rosita cair no poço, achava que iria ficar sem ela mas passou meia hora e o meu avô apareceu com ela toda encharcada.
Outrora agora ainda penso que naquela altura mais nada impotava sem ser o meu peluche, ainda hoje ela se encontra no meu quarto a ver-me crescer e todos os dias olho e recordo-me que outrora fui feliz.
L. Neto 12°B

Anónimo disse...

Tobi, O Panda

Vivia na preocupação, despreocupada
tempo em que tinha tudo, sem ter nada.
Mas tempo que não volta
é tempo de (m)água passada.

Reinventei o já inventado
meu querido peluche, hoje voltaste a ser acordado.
Nunca te esqueci, e creio que nunca vou
dormes comigo só para fingir que ainda não acabou.

E como sol na noite escura
e nunca me perdendo em aventura.
Hoje lembro-me para te relembrar
como a vida contigo era mais fácil de suportar.

Não me lembro como me foste dado
mas lembro-me bem do tempo contigo passado.
Tempo que não volto a ter igual
até a infância parece ter de ser mortal.

Panda, o encanto em mim guardado
ficará na memória e no coração.
Apesar de tudo por vezes parecer atribulado
paro e em ti vejo a salvação!

Micael Reis, 12.ºB

Noémia Santos disse...

Muito obrigada pelos vossos textos e pela forma empenhada como se envolveram no desafio.
Aguardo os restantes e irei publicando com as fotos (logo que despache os testes😉).

Anónimo disse...

Como quase todos nós, tive a oportunidade de ter uma infância marcada pelos sentimentos de alegria e rebeldia. Todos os dias eram uma nova aventura ou uma nova brincadeira, mas como tudo na vida, também houveram dias mais chatos e aborrecidos.
Desde pequeno, como a minha avó me conta, eu adorava dançar, cantar e brincar, bem como era fanático por fazer construções de Legos e Playmobil e de abrir o meu próprio restaurante. Era um rapaz que ainda não conhecia o mundo dos jogos virtuais, até que no natal de 2013, recebi a minha primeira playstation, a playstation 3. O meu primeiro jogo para a ps3 foi o Fifa 13, um jogo ligado ao mundo do futebol que ainda hoje é jogado obviamente na sua versão deste ano. Este jogo permite-te jogar online construindo uma equipa e levando-a a ganhar tudo e todos, ou localmente, onde podes jogar contra os teus amigos em casa, levar a tua equipa favorita à glória ou até mesmo criares o teu próprio jogador e levá-lo a ser a próxima estrela mundial. Foi um jogo que juntamente com o ingresso a uma equipa de futsal local, me levou também a adorar o mundo do futebol e o mundo do desporto em si.
Posso dizer então que este objeto abriu me as portas a diversos mundos totalmente desconhecidos por mim e que me ajudou e fez passar horas e horas a fio de diversão e principalmente de muita concentração e desfrutação.

R.S, 12ºB

Anónimo disse...

Rafa. É o nome do peluche, uma girafa, que acompanhou toda a minha infância até à fase da adolescência. Esteve comigo em praticamente todos os momentos, desde as lembranças felizes e divertidas que tive, até mesmo às piores que me faziam triste e até mesmo chorar. Voltando agora atrás nas memórias que temos da nossa infância é incrível quando percebemos a paz, o conforto e a felicidade que “apenas” um peluche conseguia nos trazer. Faz-me lembrar de quando acordava a meio da noite, no escuro do quarto com medo, e a primeira coisa que fazia era apertar com toda a força que tinha, o peluche junto ao peito, como se estivesse a dar um abraço grande e apertado, e sentia de imediato aquela segurança, como se soubesse que não precisava de estar com medo porque não estava sozinha. Também me lembra dos momentos em que sorria, não me lembro de nenhum momento exato que me tenha marcado mesmo, mas lembro-me de ela estar sempre ao meu lado, algo que é possível ver nas fotos que me foram tiradas quando era pequena. Sei que me foi oferecida quando nasci e que a partir daí ficou sempre ao meu lado. Lembro-me de a levar para a escola sempre que pediam para levar um brinquedo, de a tapar na cama para não ter frio enquanto dormia comigo e dê-lhe vestir vestidos e saias das outras bonecas para que ela também se pudesse sentir linda como eu me sentia. Como disse anteriormente, não tenho nenhuma memória “exata” de um “só” momento marcante, mas tenho vários vislumbres do meu tempo a brincar com ela. E especialmente, lembro-me das emoções de conforto, alegria e de diversões que ela me trouxe para a vida.

C.D. 12°B

Anónimo disse...

A minha infância foi um tempo muito marcante e que lembro com saudade, memórias que ficam “outrora agora” de uma época de muitas brincadeiras, inocência, felicidade...
Há certos brinquedos, lugares, músicas ou até mesmo livros, que nos remetem para a nossa infância e fazem-nos reviver esse tempo tão especial. Tenho vários objetos importantes que me fizeram aprender muito nessa fase de inocência, destaco a minha bicicleta cor-de-rosa que foi-me oferecida pelos meus pais quando tinha 6 anos. A partir daí, a paixão pelo ciclismo começou. Como é obvio, caí muitas vezes e fiquei a chorar “baba e ranho” com os joelhos todos esfolados mas, mesmo assim, não desistia e, no outro dia, lá ia eu outra vez andar na minha “bicicletazinha”...
Os meus pais podem nem se ter apercebido, mas aquele simples presente ensinou-me vários valores que se tornaram essenciais na minha vida, tais como: a resiliência, a liberdade, o amor pela natureza e que devemos lutar sempre pelos nossos sonhos.

Mariana, 12.ºB

Anónimo disse...

A minha infância ou a criança que (hoje penso que) fui

No dia que fiz três anos, recebi de prenda dos meus pais o Marty, nome inspirado na minha personagem favorita do filme "Madagáscar".
O Marty é uma pequena zebra bebé, branca com riscas pretas. Psicologicamente associava o Marty à personagem do filme, uma zebra amigável, divertida, de espírito livre e pronta para novas aventuras. Este peluche acompanhou-me em diversos momentos da minha vida, inclusive quando fui operada com quatro anos.
Nesta operação tanto a minha mãe como Marty não puderam entrar para a sala de operações, mas quando eu sai eles estavam lá à minha espera e senti-me logo mais reconfortada.
A memória da minha operação é a mais marcante da minha infância, após isso lembro-me deste peluche em situações felizes, como ir de férias, ir à praia ou mesmo brincar.
Nos dias de hoje quando falamos em peluches pensamos automaticamente em felicidade, o mesmo acontece com a infância, apesar de ambas terem altos e baixos tal como qualquer outra relação ou fase da vida. Os brinquedos servem para isso mesmo, para abraçar quando temos medo e para brincar e dormir quando estamos bem.

Rita 12ºB

Anónimo disse...

Um dos meus brinquedos de infância, era um urso branco com orelhas, patas e olhos rosa, ele era um dos muitos brinquedos que a minha irmã tinha no quarto que partilhava-mos, lembro me de horas tardias, eu na cama de cima ela na cama de baixo, a fazer luta de brinquedos, que era o resultado de quando um de nós não se parava de mexer enquanto o outro estava a tentar dormir, e lembro-me deste brinquedo ser um dos meus preferidos pois, era pequeno, fácil de atirar e mesmo sem muita pontaria, eu acreditava que acertava sempre. Outro dos meus brinquedos era uma bola de pelo verde com olhos, este não é tão antigo quanto o primeiro, mas foi um que um amigo meu obrigou me a comprar em conjunto, e lembro-me do meu amigo insistir imenso que queria ficar com o roxo, ironicamente a pessoa que refiro já não sabe onde o seu brinquedo está, as memórias que associo ao brinquedo são a discussão no meio da loja e a infância que passei em conjunto com esta pessoa.

I.M 12 B

Anónimo disse...

Na minha infância, tive momentos de perda, mas o que ficou foi as minhas histórias com os meus irmãos mais novos, onde o diabo parecia que estava do nosso lado.
Como quando num jogo meu e marquei golo eles invadiram o campo ou quando estavamos a jogar à bola partimos uma tv e fomos os 3 para demaixo de sacos de plástico na fábrica!
Mas sem dúvida a mais marcante foi quando nos os 3 vimos uma pulseira de ouro linda que era pro nosso primo para o batizado, entao logo que podemos trocamos-la por uma batatinha, obviamente durante a festa a mae do meu pirmo abriu para lhe dar a pulseira mas quando todos viram o que tinha dentro parecia os apanhados pois todos se riram menos o meu pai!
Digamos que o meu final nao foi muito bom.
C.Durães 12B

Anónimo disse...

Durante os 2 primeiros anos da minha vida, os meus pais e avós contam que eu não deixava ninguém, naquela casa, dormir. Hoje em dia sou a pessoa que mais dorme.
Na infância eu divertia-me imenso com a minha prima que é exatamente 9 meses mais velha que eu. Foi com ela que passei praticamente todos os dias da minha infância e hoje em dia continuo a ter a mesma ligação com ela.
No verão como não tínhamos piscina, eu e ela tomávamos banhos em tinas da uva. A nossa avó enchia a tina de manhã com água e colocava-a ao sol e à tarde depois de fazermos a digestão íamos tomar banhos de "piscina".
Quando eu ia para a casa da minha prima nós nunca entravamos em consenso pois eu queria brincas às "famílias" e ela queria brincar com as barbies que ela tinha.
Já quando estávamos em minha casa brincávamos ao que eu queria sempre brincar. Nós tínhamos um saco enorme cheio de roupa mais antiga que já ninguém usava e tínhamos também sapatos de salto alto. Passávamos a tarde inteira a vestir e a despir roupa. A nossa avó, hoje em dia, diz que naquela altura nós éramos umas "trapeiras".
Eu, a minha prima e as nossas mães íamos sempre ao Festival do Panda que decorria anualmente, hoje em dia tenho DVD, CD e fotografias para relembrar esses tempos.
Como eu não tenho irmãos e a minha prima às vezes não conseguia estar comigo ou passava o dia inteiro a chatear a minha avó ou brincava sozinha com um conjunto enorme de utensílios de cozinha em miniatura.
em conclusão para mim não é um peluche ou um objeto que me remete á infância mas sim as pessoas que me rodeiam e as recordações com estas.

Milene Cordeiro 12ºB


Anónimo disse...

A infância para a maior parte das pessoas representa um momento alegre e acolhedor, onde tudo era perfeito e as memórias ainda mais, mas para mim não foi esse o caso, a maior parte das minhas memórias eu preferia não recordar, mas acredito que também são elas que colocam-me mais forte.
O que escolhi para falar da minha infância não é um brinquedo ou peluche mas sim uma foto, onde estou com as duas pessoas mais importantes que conheci ao longo da minha vida, sendo elas a minha tia e o meu avô, infelizmente, ambos os dois já falecidos.
Essa foto foi tirada na antiga casa onde morava, era o aniversário da minha tia e tínhamos nos juntado todos á tarde para celebrar junto com ela, não ocorreu nada de especial nesse dia, é apenas uma família numa fase alegre a celebrar um aniversário, porém para mim é especial, estão reunidas as duas pessoas que arrancaram sorrisos e construíram boas memórias comigo, eles os dois já tiveram que aturar a pequena eu tantas vezes, gostava de ter só metade da paciência deles, da paciência e do amor.
É uma boa memória, é a minha feliz infância.
H. Eleutério 12B

Anónimo disse...

Ao contrário de Fernando Pessoa que idealiza a sua infância com nostalgia, visto que na realidade não foi muito feliz com essa idade, tal como está expresso no poema Quando as crianças brincam e eu as oiço brincar, “E toda aquela infância/Que não tive me vem”, a minha infância foi real e deixou-me boas memórias.
As pessoas mais importantes que passaram por mim enquanto cresci foram as minhas avós. A avó Sação, reconhecida pela vila inteira de Campo Maior devido ao carinho que tinha por todos. Agora lembro-me das fatias douradas que ela preparava todas as vezes que eu a visitava, das filhoses que ninguém fazia como ela, dos seus tricots e dos sacos enormes das compras que ela enchia com doces e guloseimas sempre que me vinha embora.
E a avó Gertrudes (ou Estrudes como eu sabia dizer), que preparava um tabuleiro recheado de comida só para mim, com medo de que passasse fome (o que não era de todo verdade), sempre que almoçava com ela. Era ela que aprimorava as minhas saias com bainhas perfeitas e onde eu lanchava umas torradas feitas com tanto carinho, mas que nunca tive coragem de lhe dizer quão me enjoavam de tanta manteiga que misturava com o amor que me tinha.
A melhor companhia de infância acompanha-me até hoje. Chama-se Kiara e ainda dorme na minha cama para me proteger e confortar. Nela estão todas as minhas memórias, boas ou más. Para mim, é mais do que um simples peluche, é a minha infância, tudo o que já fui, é nela que pego quando preciso de me lembrar de que tudo vai correr bem.
A melhor época era sem dúvida o Natal, quando toda a família se juntava em nossa casa e na tarde de 24 de dezembro eu assistia a minha mãe e as minhas avós a fazer a cozinhar, o meu pai a recolher lenha, e os meus avôs no sofá com a televisão ligada a fingir que ainda estavam acordados. Os avós que vinham de longe, chegavam de véspera e traziam o banco de trás do carro cheio de embrulhos de prendas. O melhor era esta confusão de pessoas que me faziam sentir tão acompanhada e amada.
Foi aos 11 anos que este tempo encantador da minha infância acabou. De um dia para outro, os meus pais separaram-se, vi-me divida entre os dois, e perdi as minhas duas avós. A partir daí, nunca mais desejei para que tudo estivesse bem, pois significava que algo de mau estava para vir.
Na realidade o melhor da minha infância foi não ter qualquer responsabilidade nem consciência do mal que podia acontecer. Não existiam mortes, nem discussões de família, tal como Fernando Pessoa, fui feliz porque era totalmente inconsciente e inocente.

Beatriz Tavares Trindade nº4/ 12ºA