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30 setembro 2015

Sentimento

Fica o mais importante poema de Cesário ....completo; ninguém se lembraria de cortar um bocado a um quadro famoso, para facilitar a vida a quem vê.



I
AVE-MARIASntimento

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba-me;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, Sampetersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga, os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos,
Embrenho-me a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinido de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera os focos de infecção!


II

NOITE FECHADA

Toca-se às grades, nas cadeias. Som
Que mortifica e deixa umas loucuras mansas!
O Aljube, em que hoje estão velhinhas e criancas,
Bem raramente encerra uma mulher de "dom"!

E eu desconfio, até, de um aneurisma
Tão mórbido me sinto, ao acender das luzes;
À vista das prisões, da velha Sé, das Cruzes,
Chora-me o coração que se enche e que se abisma.

A espaços, iluminam-se os andares,
E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos
Alastram em lençol os seus reflexos brancos;
E a Lua lembra o circo e os jogos malabares.

Duas igrejas, num saudoso largo,
Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero:
Nelas esfumo um ermo inquisidor severo,
Assim que pela História eu me aventuro e alargo.

Na parte que abateu no terremoto,
Muram-me as construções rectas, iguais, crescidas;
Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas,
E os sinos dum tanger monástico e devoto.

Mas, num recinto público e vulgar,
Com bancos de namoro e exíguas pimenteiras,
Brônzeo, monumental, de proporções guerreiras,
Um épico doutrora ascende, num pilar!

E eu sonho o Cólera, imagino a Febre,
Nesta acumulação de corpos enfezados;
Sombrios e espectrais recolhem os soldados;
Inflama-se um palácio em face de um casebre.

Partem patrulhas de cavalaria
Dos arcos dos quartéis que foram já conventos;
Idade Média! A pé, outras, a passos lentos,
Derramam-se por toda a capital, que esfria.

Triste cidade! Eu temo que me avives
Uma paixão defunta! Aos lampiões distantes,
Enlutam-me, alvejando, as tuas elegantes,
Curvadas a sorrir às montras dos ourives.

E mais: as costureiras, as floristas
Descem dos magasins, causam-me sobressaltos;
Custa-lhes a elevar os seus pescoços altos
E muitas delas são comparsas ou coristas.

E eu, de luneta de uma lente só,
Eu acho sempre assunto a quadros revoltados:
Entro na brasserie; às mesas de emigrados,
Ao riso e à crua luz joga-se o dominó.
          

 III

AO GÁS

E saio. A noite pesa, esmaga. Nos
Passeios de lajedo arrastam-se as impuras.
Ó moles hospitais! Sai das embocaduras
Um sopro que arrepia os ombros quase nus.

Cercam-me as lojas, tépidas. Eu penso
Ver círios laterais, ver filas de capelas,
Com santos e fiéis, andores, ramos, velas,
Em uma catedral de um comprimento imenso.

As burguesinhas do Catolicismo
Resvalam pelo chão minado pelos canos;
E lembram-me, ao chorar doente dos pianos,
As freiras que os jejuns matavam de histerismo.

Num cutileiro, de avental, ao torno,
Um forjador maneja um malho, rubramente;
E de uma padaria exala-se, inda quente,
Um cheiro salutar e honesto a pão no forno.

E eu que medito um livro que exacerbe,
Quisera que o real e a análise mo dessem;
Casas de confecções e modas resplandecem;
Pelas vitrines olha um ratoneiro imberbe.

Longas descidas! Não poder pintar
Com versos magistrais, salubres e sinceros,
A esguia difusão dos vossos reverberos,
E a vossa palidez romântica e lunar!

Que grande cobra, a lúbrica pessoa,
Que espartilhada escolhe uns xales com debuxo!
Sua excelência atrai, magnética, entre luxo,
Que ao longo dos balcões de mogno se amontoa.

E aquela velha, de bandós! Por vezes,
A sua traîne imita um leque antigo, aberto,
Nas barras verticais, a duas tintas. Perto,
Escarvam, à vitória, os seus mecklemburgueses.

Desdobram-se tecidos estrangeiros;
Plantas ornamentais secam nos mostradores;
Flocos de pós-de-arroz pairam sufocadores,
E em nuvens de cetins requebram-se os caixeiros.

Mas tudo cansa! Apagam-se nas frentes
Os candelabros, como estrelas, pouco a pouco;
Da solidão regouga um cauteleiro rouco;
Tornam-se mausoléus as armações fulgentes.

"Dó da miséria!... Compaixão de mim!..."
E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso,
Pede-me sempre esmola um homenzinho idoso,
Meu velho professor nas aulas de Latim!

IV

HORAS MORTAS

O tecto fundo de oxigénio, de ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-me a quimera azul de transmigrar.

Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.

E eu sigo, como as linhas de uma pauta
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastoris de uma longínqua flauta.

Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!

Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas,
Numas habitações translúcidas e frágeis.

Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!

Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!...
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir, estrangulados.

E nestes nebulosos corredores
Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas;
Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas,
Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores.

Eu não receio, todavia, os roubos;
Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes;
E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,
Amareladamente, os cães parecem lobos.

E os guardas que revistam as escadas,
Caminham de lanterna e servem de chaveiros;
Por cima, as imorais, nos seus roupões ligeiros,
Tossem, fumando sobre a pedra das sacadas.

E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar!

Cesário Verde
1ª publicação: Porto, Portugal a Camões, publicação extraordinária do “Jornal de Viagens”, 10 de Junho de 1880.

(texto digitalizado)

Cesário Verde (revisões)

Preparação para exame

Para iniciar as revisões de Cesário Verde, ficam alguns vídeos com leituras de poemas deste autor, criados por colegas vossos de uma escola de Lisboa


 por Pedro C  do 12 º 1 ª, in GAVETA DE NUVENS (Blogue do professor e investigador Luís Prista)

por Rui do 12 º 1 ª , In Gaveta de Nuvens
por Marta do 12 º 1 ª, in Gaveta de Nuvens
por Miguel M  do 12 º 1 ª

29 setembro 2015

Carta de Camões a D. Sebastião - Dedicatória


Memória descritiva

Foi pedida, a partir da leitura e compreensão da Dedicatória, versos 6 a 18 do Canto I de Os Lusíadas, a elaboração de um carta, com o mesmo conteúdo, procedendo apenas às necessárias adaptações linguísticas/formais.
Objetivos: testar/reforçar a compreensão do texto fonte; realizar transformação de texto; respeitar a tipologia da carta;  exercitar as formas de tratamento e o uso das formas verbais adequadas.  

Fica a carta elaborada pela Jessica, a qual segue de perto o texto fonte, conforme foi pedido. É um bom exemplo.*





* atenção: há correções em algumas formas verbais, que não são visíveis na reprodução (ex. Vós «fostes»/Vós não «deixareis»).
Mas como vós sabeis onde/como corrigir, agradeço que o façais.

28 setembro 2015

"Os Lusíadas" - Dedicatória

A dedicatória não era um elemento estrutural obrigatório do género épico, mas Luís de Camões dedica o seu poema ao rei D. Sebastião, a quem louva pelo que representa para a independência de Portugal e para o aumento do mundo cristão; pela ilustre geração (ascendência) a que pertence e ainda pelo vasto Império de que é senhor.
Sobretudo as três primeiras estrofes têm um carácter laudatório.

Na breve exposição que faz ao rei do assunto d’Os Lusíadas, o poeta destaca que a obra não versará heróis e factos lendários ou fantasiosos, como as epopeias antigas, mas matéria histórica.
Termina o seu discurso incitando o Rei a estar à altura e a dar continuidade aos feitos  dos portugueses, nomeadamente, combatendo os mouros; depois renova o pedido para que que leia os seus versos em louvor da pátria.

Mais do que o tom laudatório, marca o destaque dado aos portugueses - objeto do poema em presença - esses sim, mais valiosos que todo o «mundo» - "E julgareis qual é mais excelente,/Se ser do mundo Rei, se de tal gente": mais do que o império, o poder, Camões canta o valor, a obra feita, a excelência dos heróis.


O discurso da Dedicatória organiza-se segundo a lógica:
  • louvor
  • apelo de carácter pessoal e argumentos justificativos
  • apelo de carácter nacional 
  • reforço do apelo pessoal.
Esta parte do poema apresenta uma estrutura própria do género oratório: 
  1. exórdio, que corresponde ao início do discurso (6 a 8); 
  2. exposição ou corpo do discurso (9 a 11); 
  3. confirmação, com a apresentação de exemplos e ou argumentos (12 a 14) 
  4. epílogo ou conclusão (15 a 17). 

LINGUAGEM:
  • vocativo «vós» - segunda pessoa do plural
  • modo imperativo (“Ouvi”) - associado aos apelos
  • a linguagem hiperbólica 
  • as apóstrofes (“ó bem nascida segurança”,ó novo temor da Maura lança), características da oratória, associadas à perífrase.
  • o léxico associado quer aos louvores, quer à detração dos feitos não reais, inventados -  vãs façanhas, fantásticas, fingidas, mentirosas, sonhadas, fabulosas



D. Sebastião é apresentado como um jovem rei -  tenro gesto, tenro e novo ramo - que ainda nada concretizou, mas de quem tudo se espera, rei que a providência faz surgir para retomar o vigor dos antepassados e salvar a pátria  da crise em que já se encontrava.

26 setembro 2015

Leituras à solta

 A pedido de alguns de vós, ficam mais informações sobre os livros propostos para o Contrato de Leitura.
  • George Orwell, 1984
(Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o Ensino Secundário como sugestão de leitura).


"Era um dia frio e luminoso de abril, e os relógios davam 13 horas." Assim começa um dos romances mais citados do século 20. A frase não refere  o ano da ação, mas não é necessário, pois ele dá nome à obra: 1984.  Winston, herói de 1984, vive aprisionado numa sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada um vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão. (...) Winston é funcionário do Departamento de Documentação do Ministério da Verdade, um dos quatro ministérios que governam Oceânia, e a sua função é falsificar registros históricos, a fim de moldar o passado à luz dos interesses do presente.

Eis uma passagem: 
 
O Ministério da Verdade - Miniver, em Novafala - era extraordinariamente diferente de todos os outros objetos à vista. (...) Do lugar onde Winston estava mal dava para ler, escarvados na parede branca em letras elegantes, os três slogans do Partido:
GUERRA É PAZ
LIBERDADE É ESCRAVIDÃO
IGNORÂNCIA É FORÇA

Comentava-se que o Ministério da Verdade continha três mil salas acima do nível do solo e ramificações equivalentes abaixo. Em Londres havia somente três outros edifícios de aparência e dimensões equivalentes. (...) Eram as sedes dos quatro ministérios entre os quais se dividia a totalidade do aparato governamental. O Ministério da Verdade, responsável por notícias, entretenimento, educação e belas-artes. O Ministério da Paz, responsável pela guerra. O Ministério do Amor, ao qual cabia manter a lei e a ordem. E o Ministério da Pujança, responsável pelas questões económicas. Seus nomes, em Novafala: Miniver, Minipaz, Minamor e Minipuja.(...)
Winston virou-se abruptamente. Compusera a própria fisionomia de modo a ostentar a expressão de tranquilo otimismo que convinha ter no rosto sempre que se encarasse a teletela.


  •  Dulce Maria Cardoso, O Retorno



( Livro recomendado Plano Nacional de Leitura para alunos do Ensino Secundário, como sugestão de leitura.)


Críticas de imprensa
«É muito, muito difícil um livro assustar-nos e comover-nos desta forma. Comover-nos com a fragilidade daquela mãe, com a sua necessidade de acreditar que o pai vai voltar. Comover-nos com as lágrimas de uma miúda que é apalpada por ser retornada. Com a amizade entre o puto e o porteiro do hotel que lhe oferece uma bicicleta velha. Com aquela irmã que tenta fingir que é de “cá”. (...) É um país pequeno, desconfio que pouco sereno, neurótico porque rejeita a sua agressividade, mas é também um país que tem meia dúzia de pessoas que se recusam a enterrar a cabeça na areia, que retiram camadas à mentira que cobre os nossos dias. É gente de coragem, é gente de brio. É gente como Dulce Maria Cardoso que, a partir deste O Retorno, deve ser incluída no panteão dos escritores maiores, aqueles que escrevem com vísceras.»
João Bonifácio, Público, 5 estrelas

«Dulce Maria Cardoso encontra o registo certo em todas as cenas, emocionado e seco, triste e orgulhoso, cheio de culpa e incerteza, de palavras africanas que eram o português angolano, de recordações epocais, como fotonovelas ou marcas de uísque. É essa história visivelmente vivida, sem demagogia nem rasuras, que faz de O Retorno um romance há muito aguardado.»
Pedro Mexia, Expresso, 4 estrelas

 In WOOK, http://www.wook.pt/ficha/o-retorno/a/id/12835915


O Retorno” é um romance que aborda o tema delicado e polémico que foi para Portugal a descolonização, o fim do Império Ultramarino e o conturbado regresso dos Portugueses que habitavam as colónias, após a Revolução de Abril de 1974.
A trama do romance é desenvolvida pela voz de Rui, narrador auto-diegético, cuja missão é a de relatar o regresso da família de Angola, no período “quente” em que ameaça explodir a Guerra Civil mediante a cisão política que grassa em Angola, após o fim imediato da Guerra do Ultramar. No discurso de Rui está patente sobretudo uma perigosa dose de inconformismo, que ameaça transformá-lo um ser inadaptado, ao chegar à capital portuguesa, mas que acaba por se sublimar num implacável instinto de sobrevivência. Este inconformismo provém-lhe sobretudo do facto de milhares de portugueses residentes em Angola serem condenados ao exílio, para não morrerem às mãos dos locais, destacando o sentimento de impotência do narrador face à fragilidade física e psíquica da mãe, agravada ainda mais pela sensação de desenraizamento e perda de todos os bens. 
(...)
 
 Cláudia de Sousa Dias, in http://hasempreumlivro.blogspot.pt/2013/07/o-retorno-de-dulce-maria-cardoso-tinta.html

23 setembro 2015

Grandes Livros - : "Os Lusíadas", Luís Vaz de Camões (Parte 5/6)

O regresso do Poeta; 
os elementos críticos; 
os sinais de crise; 
o «milagre» da edição da obra; 
o impacto da obra 
D. Sebastião; 
a morte de Camões; 
a perda da independência.

04 setembro 2015

Vida nova

Aos que estão prestes a marchar para outras paragens e a voar outros voos, desejo que fiquem felizes com as vossas escolhas e aproveitem bem a oportunidade de tornar a vossa vida maior e o vosso olhar mais largo. 

Aos que ficam, desejo uma vontade redobrada para findar esta etapa. 

A todos - não queiram menos que o impossível; depois, façam-no acontecer!


Oh, Lisboa, meu Lar! (12ºC)

Biblioteca-Comunidade de leitores (12º E...não tenho foto de todos)


20 julho 2015

Exame de Português 12º - 2ª fase (critérios de correção)




 AS ILHAS AFORTUNADAS

Que voz vem no som das ondas
Que não é a voz do mar?
É a voz de alguém que nos fala,
Mas que, se escutamos, cala,
Por ter havido escutar.


E só se, meio dormindo,
Sem saber de ouvir ouvimos,
Que ela nos diz a esperança
A que, como uma criança
Dormente, a dormir sorrimos.


São ilhas afortunadas,
São terras sem ter lugar,
Onde o Rei mora esperando.
Mas, se vamos despertando,
Cala a voz, e há só o mar.


Fernando Pessoa, Mensagem, Lisboa, Assírio & Alvim, 1997, p. 75




Caros alunos

Espero que tenham ficado à vontade com o grupo I - A e B - alvo de revisão em maio e/ou nas aulas de apoio (quem foi...ganhou!). Também a redação tinha um tema muito interessante e o pedido estava claro e bem estabelecido.

Sei que a prova não foi das mais fáceis no grupo II e isso pode ter-vos deixado com algum desânimo. Enquanto aguardam, fica a correção.


ATENÇÃO: Esta é uma versão  de trabalho, que em função das dúvidas colocadas pelos senhores corretores a nível nacional, terá daqui a alguns dias uma versão definitiva dos critérios, também publicada no IAVE - secção alunos e encarregados de educação.


13 julho 2015

Resultados dos exames|12º C e E

Caros alunos
Os meus parabéns a todos, pelo esforço, a quase todos, pelo sucesso.
Reforço, em particular, o meu apreço por aqueles de vós - e vários foram -  que prolongando a melhoria que vinham registando no 12º ainda conseguiram subir em exame. 
  
Para os que necessitarem/desejarem ir à 2ª fase, podem contar comigo:
5ª f., 16, das 10h00 às 12h00, sala A-2 - 02. 

Nota: a profª P. Viegas dará ajuda das 11h00 às 12h00, 4ªf., creio que na mesma sala. Podem aproveitar também. 

Deixo a estatística de resultados (clique em cada imagem, para ampliar)







Até 5ª feira , para os que o desejarem.

Para todos, até sempre!