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03 fevereiro 2015

Lisboa - de Eça a Pessoa















Imagens relativas ao itinerário pessoano, Teatro Nacional de S. Carlos, Museu da Farmácia
Museu do Design, Martinho da Arcada e D. Maria II (N.S.)

RELATÓRIO

Ø A CAPA / O  CABEÇALHO (se o Relatório for relativamente pequeno, pode dispensar-se a capa e incluir estas informações no CABEÇALHO) :

o nome do relator; o destinatário; 
a natureza do relatório (exemplos: de visita de estudo; de aula(s); de leitura(s) ; de investigação; de trabalho de campo, etc.) ;  
o assunto (indicação concreta: visita onde?; aula(s) de quê?; leitura de quê?; que investigação? que trabalho de campo, etc.)

Ø O CORPO DO RELATÓRIO:
Ø    Apresentação introdutória em que se incluem as circunstâncias de realizaçãodata em que ocorreu ou período de tempo em que decorreu; responsável - entidade/pessoa que organiza/dirige a visita/o estudo/ a atividade(s) - ; pessoas envolvidas na vista/ estudo/atividade(s); finalidade(s) da visita/estudo/ atividade(s)

Ø   Desenvolvimento – inclui as informações centrais sobre o desenrolar do trabalho – o que se estudou, viu, aprendeu, etc.:
§   descrição dos vários momentos (da visita, do estudo, das atividades, etc.), ordenados cronologicamente
§   descrição/apresentação das informações mais relevantes, devidamente fundamentadas
§   referência aos processos de trabalho, se for caso disso (são relevantes, por ex, nos Relatórios de aulas, de investigação/pesquisa, de estágio de formação, etc.)

Ø  AS CONCLUSÕES :
Ø Avaliação pessoal sobre o interesse/a importância da visita/dos estudo/das aprendizagens feitas
Ø Questões e problemas suscitados – dúvidas; aspectos menos conseguidos; necessidades/dificuldades pessoais relativas ao assunto; críticas; sugestões.

NOTA: O RELATÓRIO pode incluir documentos (folhetos, mapas, fotografias, etc.) que serão apresentados no final, como anexos (numerados, para serem facilmente identificados, quando forem referidos no texto do Relatório; exemplo: Cf. anexo 2 ou seja, Confrontar com o anexo 2).

02 fevereiro 2015

Viagens

Deixo mais dois contributos dos colegas, a que vale a pena dar destaque.

Poema| “Contemplo o que não vejo"

Neste poema é descrita a separação da realidade do sujeito poético da sua imaginação e sonhos, separação esta representada pelo muro. O sujeito poético encontra-se separado dos seus desejos, que estão do outro lado do muro - “Tudo é do outro lado//No que há e no que penso.
O início do poema é marcado por um paradoxo: “Contemplo o que não vejo”. O sujeito poético ao “imaginar” algo irreal “observa”, mas como é algo sonhado não o pode ver na realidade. O poema termina também com um aparente paradoxo que se baseia na diferença de significados do verbo ser e do verbo estar: o sujeito poético afirma não ser triste mas que está triste; a utilização do verbo ser aponta uma característica do sujeito, e sendo que o poeta nega essa característica, é possível concluir que para o sujeito a tristeza que experiência é momentânea, expressada pelo verbo estar (que neste caso representa apenas algo temporário). Esta tristeza não é, no entanto, sentida- “não sinto”, mas sim resultante do raciocínio, ideia presente em vários poemas de Fernando Pessoa ortónimo.
Apesar da existência do “muro”, a contemplação confunde o sujeito, fazendo-o duvidar o que é real (interior do muro) do que é sonhado (exterior do muro). O poema aborda, portanto, os temas da realidade, do sonho, da sua confusão e da supremacia do irreal, demonstrada por “Tudo é do outro lado”.

Eduardo Sousa


Análise do poema “Às vezes em sonho triste

No primeiro verso, “Às vezes em sonho triste”, o adjetivo “triste” carateriza o sujeito poético no momento do sonho, estamos perante uma hipálage.
O advérbio “Longinquamente” e o adjetivo “longínquo” são dois vocábulos da mesma família que acentuam o afastamento do mundo sonhado pelo sujeito poético face ao seu mundo real. Assim, contribuem para demarcar a realidade da ambiência feliz e positiva que envolve o sonho descrito pelo poeta.
Nos anseios do sujeito estamos perante uma ideia de felicidade que corresponde à ingenuidade e à inocência decorrentes da ausência da racionalização, tal como acontece no momento do nascimento dos seres humanos (“Vive-se como se nasce/Sem o querer nem saber” vv.6-7), a qual eliminaria todas as produções inteletuais, como a organização mental do tempo (O tempo morre e renasce/Sem que o sintamos correr” vv.9-10) ou a inteletualização das emoções (“O sentir e o desejar/São banidos dessa terra” vv.11-12). Ou seja, constituiria um retorno à infância.
O verso “É uma infância sem fim”, através da referência simbólica à infância, resume o ambiente de felicidade e de inocência que o sujeito poético compôs no seu sonho.

Relação “jardim” - “impossível”
Enquanto símbolo do paraíso, o jardim corresponde ao local idílico desejado pelo eu poético para recriar um tempo de infância. Contudo, dadas as suas caraterísticas o sujeito lírico reconhece que esse jardim é impossível de atingir no plano da realidade.

João Dias e Sara Gomes 12ºC

Revolta dos chapéus de chuva...

 
Hong Kong, 1 de fevereiro 2015, jovens voltam a manifestar-se pela democracia


A pedido de várias famílias... fica um exemplo de plano e texto do Grupo III, retirado da editora ASA.

Proposta de correção da prova 639 – 1ª fase de 2013

GRUPO III



PLANIFICAÇÃO

INTRODUÇÃO – apresentação da tese

A juventude, a geração da mudança


1.° argumento

O inconformismo, o sonho, o gosto pela aventura do conhecimento
Exemplo(s) de empreendedores:
André Raposo, jovem investigador
Mark Zuckerberg, criador do Facebook

2.° argumento
o espírito cívico, o altruísmo

Exemplo(s)
ações de solidariedade (campanhas de solidariedade; alfabetização em África)

CONCLUSÃO
Retoma e reforço da tese (introdução):
o papel importante dos jovens na transformação da sociedade.

TEXTUALIZAÇÃO

Atualmente, a juventude é considerada a geração da mudança, devido ao seu espírito aventureiro e empreendedor, o que vem, de certo modo, contrariar uma mentalidade retrógrada, típica das gerações mais antigas, que viam a transformação social nas mãos dos mais velhos, fruto da sua experiência de vida.

Por um lado, podemos considerar o inconformismo e a capacidade de sonhar características muito presentes nos mais novos. Com efeito, pelo mundo fora, e em concreto em Portugal, vemos crescer um grupo de jovens investigadores que se lançam à aventura da descoberta, tanto na ciência como na tecnologia. A título exemplificativo, cita‐se um investigador nacional, André Raposo, estudante na Universidade da Califórnia, que descobriu proteínas determinantes no tratamento da SIDA, contribuindo, assim, para diminuir a taxa de mortalidade. Já na área tecnológica, veja‐se o fenómeno do “facebook”, rede social criada pelo também jovem

Mark Zuckerberg, tornando o mundo cada vez mais próximo.

Por outro lado, e agora numa vertente mais social, salienta‐se o espírito cívico, a sensibilidade, o altruísmo e a resiliência que fazem das novas gerações seres solidários, conscientes da necessidade de partilha e entreajuda para a construção de um mundo melhor. São estes jovens que se lançam, de forma voluntária e sem contrapartidas financeiras, em ações de solidariedade, apoiando os mais necessitados em prol de um mundo mais justo e equilibrado. Felizmente, no seio de muitas famílias e, até, em alguns estabelecimentos de ensino, já se fomenta este espírito, dinamizando‐se, por exemplo, ações de alfabetização de jovens e adultos em África.

Em suma, pelo exposto podemos concluir que, de facto, os jovens assumem um papel muito importante na transformação da sociedade, pois, imbuídos de um espírito inovador, certamente desenvolvido por uma educação para a cidadania, acalentam sonhos capazes de mudar o mundo. Assim, resta só criar‐lhes oportunidades para os concretizarem.

Créditos do texto

Caminhada

Análise do poema “A criança que fui chora na estrada”

O tema do poema baseia-se na infância, a nostalgia do bem perdido que provoca angústia existencial no poeta. Nos versos 1 e 2 existe uma oposição temporal entre o pretérito perfeito e o presente: “A criança que fui (…)”/”(…)quando vim ser quem sou”. Nestes versos entende-se que a infância ainda não desapareceu por completo, apenas está submersa na pessoa que é agora, à espera de ser recuperada.
Nos versos 3 e 4 o poeta sente-se descontente por não ser mais do que é, deseja regressar ao tempo em que  foi feliz e voltar a ser criança que não pensa, só sente (tempo de inconsciência).
Na segunda quadra está presente uma interrogação retórica: “ Ah, como hei de encontrá-lo?” que reforça a ideia da vontade de encontrar a infância perdida, mas a resposta é dada logo a seguir, não é possível encontrá-la pois falhou o regresso. Está ainda presente um pleonasmo: ”errou a vinda=regressão errada” que reforça a ideia frustrada de voltar à infância perdida através da repetição do mesmo significado com diferentes significantes. Nesta quadra o poeta refere que se sente perdido, não sabe de onde veio nem onde está; está estagnado, já só existe dúvida, não podendo assim progredir nem sentir.
Nas duas últimas estrofes o poeta expressa o seu quer: caso seja possível, relembrar o que esqueceu, observando o passado, sem sair do presente. Assim verá ao longe quem foi, podendo encontrar na sua imagem presente uma parte da imagem do passado, onde poderá perceber quem é agora e reencontrar-se. Nestas estrofes existe uma metáfora - “longe” - que significa as memórias e as recordações e ainda uma repetição - ”pelo menos” - que intensifica a ideia de um mínimo que foi estabelecido como objetivo.
No poema, o sujeito poético sente que deixou de ser criança para se tornar adulto, e agora quer regressar ao passado para ir buscar a criança que abandonou, mas tal não é possível, pois ninguém o consegue fazer. Ao longo de todo o poema existe uma oposição temporal, sendo como um jogo/ uma interligação entre o pretérito perfeito, o presente e o futuro aproximando estes tempos, intensificando mais a ideia da indefiniçãoquanto ao tempo.

Catarina Francisco e Rafael Santos 12ºC

27 janeiro 2015

Martinho da Arcada

Confirmado jantar no Martinho da Arcada

Após a aplicação de várias estratégias argumentativas... conseguiu-se o jantar da nossa visita de estudo para o Martinho da Arcada às 19h00.


   
É o mais antigo café de Lisboa e um dos mais antigos da Europa.Localizado no Terreiro do Paço, por baixo da arcada nordeste da mais bela praça da capital, a história do bicentenário Café Martinho da Arcada inicia-se em 1778 numa modesta loja de bebidas, onde também, se pode adquirir gelo.

 Ao longo de mais de dois séculos, várias gerações de governantes, políticos, militares, artistas e escritores, elegem este café como ponto de encontro privilegiando com um singular espaço de convívio. Das inúmeras personalidades que por lá passaram destaca-se um cliente muito especial FERNANDO PESSOA, figura incontornável da literatura universal e um dos maiores poetas da língua portuguesa. (...) Actualmente o café preferido de Fernando Pessoa é talvez, o mais cosmopolita dos cafés lisboetas atraindo, assim, milhares de visitantes de todo o mundo. Em 1999, foi eleito pelo “Guia dos Cafés da Europa” como o melhor café do ano.




 Relembra-se o horário/itinerário do dia 29
Saída de Torres Vedras (escola) – 8h15

10h00 Teatro S. Carlos
12h00 Museu do Chiado


15h00 Museu da Farmácia
17h00 Museu do Design – EXPO s/ figurinos do Teatro
19h00 Jantar no Martinho  
20h30 Teatro D. Maria II
24h00 Regresso
00h30-40 - hora provável de chegada à porta da escola

Não dispensa a consulta do programa completo, já aqui publicado no início do mês.

Cyrano no D. Maria II






Um silêncio mudo


Cansa sentir quando se pensa.
No ar da noite a madrugar
Há uma solidão imensa
Que tem por corpo o frio do ar.

Neste momento insone e triste
Em que não sei quem hei-de ser,
Pesa-me o informe real que existe
Na noite antes de amanhecer.

Tudo isto me parece tudo.
E é uma noite a ter um fim
Um negro astral silêncio surdo
E não poder viver assim.

(Tudo isto me parece tudo.
Mas noite, frio, negro sem fim,
Mundo mudo, silêncio mudo —
Ah, nada é isto, nada é assim!)
                                                                      Fernando Pessoa 


Tópicos de análise do poema "Cansa sentir quando se pensa" de Fernando Pessoa

Recursos estilísticos presentes:
-Perífrase: "noite a madrugar"
-Adjetivação: "solidão imensa"
-Dupla Adjetivação: "momento insone e triste"

- Existe uma grande insistência no campo lexical da "noite", que pode ser considerada um espaço de guarnição de ideias e pensamentos. A noite é de onde vai surgir o dia novo, a reposição de energias, como está evidenciado pelo uso de: "Noite antes do amanhecer"

No 1º verso -"Cansa sentir quando se pensa" está presente a temática pessoana associada binómio sentir/pensar, a ideia de que o pensamento e o sentimento estão ligados. A dor de pensar é provocada pela intelectualização do sentir, quando pensamos muito no que estamos a sentir, deixamos de ter sensações e emoções puras, pois o pensar elimina o sentir, e cansa.

Neste poema, a dor de pensar resulta também da ausência de respostas, que leva o sujeito poético a sentir-se só, numa "solidão imensa", simbolizada pela "noite", pelo "negro astral", pelo "silêncio surdo", pelo "frio", pelo "negror sem fim" e pelo "silêncio mudo"; a incomunicabilidade de «silêncio» é acentuada pelos adjetivos «surdo» e «mudo»; o estado de espírito triste e solitário do poeta enquadra-se no ambiente noturno e silencioso que o poeta retrata.

O sujeito poético preocupa-se com o mistério da existência, para ele a vida é uma ilusão, como se verifica pelos versos: "(...) não sei quem hei-de ser / Pesa-me o informe real que existe". A ausência de respostas provoca a consciência da tragicidade da vida. Tal como se pode constatar pelo último verso do poema, o poeta não pode viver sem a verdade, sem a obtenção de respostas.

Trabalho realizado por: Margarida M. e Carolina B. 12ºC

A Guerra



O MENINO DA SUA MÃE

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas traspassado
— Duas, de lado a lado —,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lha a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
«Que volte cedo, e bem!»
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.
s. d.

Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995).
1ª publ. in Contemporânea, 3ª série, nº 1. Lisboa: 1926.


Neste poema é-nos transmitida uma imagem do soldado morto, quase como num quadro, que podemos ver na nossa mente. Primeiro que tudo é apresentado o fundo, uma planície abandonada e aquecida, o que se adequa à solidão do jovem moribundo. Estão presentes também duas balas, que representam a violência, a guerra, ideas bastante importantes neste poema e que vão ser contrastadas com a vida.

Na segunda estrofe vamos ter a descrição do estado do soldado. Esta estrofe vai tambem contribuir para a perceção do estado deplorável que é causado pela guerra, símbolo da violência máxima.
Em "Raia-lhe a farda o sangue" - percebemos pela mancha da farda com o seu sangue que está a esvair-se em sangue e já não tem força no corpo, tem os braços estendidos. Puro, branco,loiro, sem sangue, desfalecido, com um olhar morto fixado no céu.

O jovem soldado era conhecido como «o menino de da sua mãe», o que vai reforçar a ideia de que ele era de alguém, que tem alguém que o ama e que sofre com a sua morte prematura que é reforçada pelos versos " Tão jovem! que jovem era! / (Agora que idade tem?)" vai sofrer com tristeza e angústia por causa da sua morte.

Na quarta estrofe, a cigarreira remete para a mãe do soldado; o uso dos adjetivos "breve" "inteira" e "boa",vai transmitir que o soldado era novo, pois a cigarreira tendo sido breve e estando inteira e boa dá a ideia de que o soldado teria começado a fumar pouco tempo.Enquanto que o lenço remete para a criada velha que o criou e vai contribuir para o aumento do drama. O lenço tão leve que está ligado a alguém que o criou está ali a roçar o chão e já não serve para nada devido ao falecimento do soldado.

Na última estrofe deste texto vai culminar todo o drama com a idea da esperança da mãe e da velha criada que ainda dizem "Que volte cedo, e bem!", desconhecendo a realidade da situação. Desde o verso da primeira estrofe "Jaz morto, e arrefece" para o deste final "Jaz morto, e apodrece" há uma descrição que apesar de semelhante apresenta uma diferença importante, que neste caso é uma gradação de um inicial estado em que o jovem "arrefece" para um em que "apodrece", uma intensificação trágica.

Este poema apresenta um contraste entre os objetos que representam a vida - como o lenço, relacionado com o amor da criada, a cigarreira, associada com o amor da sua mãe assim como o seu nome "menino de sua mãe" - com a violência extrema representada pelas balas, o sangue e o vocabulário como arrefece e apodrece.



Trabalho realizado por: Beatriz Sabino;Pedro Soares;Samuel Vicente e Valter Quintino 12ºC

26 janeiro 2015

Esclarecimento de dúvidas

Dúvidas colocadas

1-A causa da morte de Maria foi a vergonha ou foi a doença ?


Filha do casamento entre D. Manuel de Sousa Coutinho e D. Madalena de Vilhena, é uma criança sensível, curiosa, risonha, de espírito agudo, extremamente intuitiva, com grande idealismo e um alto sentimento patriótico.  

Até à catástrofe, que é desencadeada pelo regresso de D. João de Portugal, os seus pressentimentos contribuem para acumular indícios e adensar o clima trágico.  


No final, quando  irrompe pela cerimónia em que os pais tomam o hábito religioso, Maria diz que morre "de vergonha". É uma forma de adensar o drama, com a vergonha a recair na mais inocente das personagens. Todavia, desde o início da peça que Garrett nos prepara para a sua doença e os indícios de progressiva debilidade vão sendo adensados, sobretudo com a viagem a Lisboa e suas consequências. Assim, percebe-se que morre pelo agravamento do seu  estado, extingue-se na aflição da dor que lhe causa toda a situação.
É como se Maria trouxesse em si a morte anunciada, desde o início. Ela  é fruto daquele amor «impossível» e não sobrevive ao seu fim.



2- O clímax da obra situa-se em que parte concreta... ?


 A maioria dos estudos referem que em FLS - como nas tragédias mais perfeitas - o climax e o reconhecimeno coincidem, praticamente. Assim:
O Climax (do gr. Klímax; quer dizer escada, gradação): é o ponto máximo, o auge do sofrimento.
 A cena fulcral da peça está no final do segundo acto, corresponde ao momento do conhecimento de que D. João de Portugal está vivo, o que vem precipitar o desenlace fatal: D. Madalena foge, horrorizada, ao saber D. João vivo, pois tanto lhe basta para perceber a desgraça - o fim da família/do amor.

O Reconhecimento (Anagnórise):
Corresponde à cena XV - a identificação do Romeiro como D. João de Portugal. É Frei Jorge quem faz a identificação:
“Frei Jorge - Romeiro, romeiro, quem és tu? [note-se a repetição, indício da desconfiança quase certeza]
Romeiro (apontando com o bordão para o retrato de D. João de Portugal) -  Ninguém!”

Imagem: a atriz Maria Sampaio, como Madalena, na cena XIV, do 2º ato)

20 janeiro 2015

Cruzar Leituras


Para permitir à Helena e à Iovana prepararem a intervenção na COMUNIDADE DE LEITORES LINHAS CRUZADAS | LER+ JOVEM (as equipas de leitores da Henriques Nogueira  deste ano trabalham com o Centro de Dia da Santa Casa da Misericórdia), fica o documento que testemunha o encontro inaugural. O PPT tem uma música de fundo, mas não interfere com os vossos comentários.

Já agora, fica a informação de que, neste segundo encontro, teremos poesia de Sophia de Mello Breyner  (a escolha do leitores do Centro) e poemas de amor de Almeida Garrett, a par de leitura dramatizada (com fatos e tudo!) de cenas de FREI LUÍS DE SOUSA, do mesmo autor, a cargo de equipas de leitores do 11º A e E.