Total visualizações

31 outubro 2011

Mais material polémico para apoiar o debate

1. Os portugueses

"Falando da actualidade do Zé-Povinho, de Rafael Bordalo Pinheiro, tem esta magnífica síntese: Ele "incarna os impulsos portugueses, por vezes difíceis de reconciliar (…). É como se qualquer observação do carácter português tivesse que ser caracterizada pelo seus oposto. São amistosos, mas também irascíveis, deferentes, mas indómitos, apáticos e humildes, duros e ousados, compassivos, mas irados, submissos e belicosos, sempre à espera que a sorte lhes sorria, boa companhia, conciliadores e diplomáticos, bem como efusivos e espontâneos, dados a perder as estribeiras, mas eminentemente sensatos, com a tristeza na alma, mas a jovialidade na sua natureza" (p.243). Ora digam lá se não é mesmo assim? "

 João Boavida
2. "Governo incentiva jovens desempregados a emigrar
O jovem desempregado em vez de ficar na "zona de conforto" deve emigrar, disse o secretário de Estado da Juventude e do Desporto.(...)
Económico com Lusa 31/10/11 11:12
Acho estas declarações interessantes por vários motivos, um deles a candura. Realmente para muitos jovens e não jovens, desempregados e mal-empregados, a emigração (de preferência para fora da Europa) é uma boa opção de carreira. É bom para quem vai, é bom para o país que os recebe, se é bom para Portugal é outra história: um país com uma população envelhecida, com uma das mais baixas taxas de fecundidade do mundo, exportar a sua força de trabalho, ainda por cima a mais qualificada de sempre?"
David Marçal

Ver comentário commpleto no blogue De Rerum Natura
Também podes escrever o teu comentário nesse blogue, desde que respeites as normas.

Teste intermédio de Português

carrega nos livros...

Para que não sintam o peso do teste intermédio quando já for demasidado tarde...deixo-vos as informações que acabam de ser publicadas pelo GAVE sobre os conteúdos, estrutura da prova e cotações. Clica na imagem!

Quanto aos conteúdos, a questão que mais nos preocupava - a da matéria literária/dos textos literarários deste ano - foi clarificada: NÃO é incluída no teste matéria literária do 12º ano. As escolas do país são livres de organizar/gerir o programa (desde que o cumpram) e pode haver situações diferenciadas.

No que se refere à gramática, funcionamenteo da língua, descrição e reflexão linguísticas, bem como à expressão escrita - vem tudo (ou quase) desde a primária. É como em Matemática.

Preparem as gramáticas: para a semana, recomeçaremos com as oficinas gramaticais - funções sintáticas básicas > funções internas ao grupo verbal e ao grupo nominal.

O ritmo será o das vossas necessidades de consolidação das matérias; quanto mais bem preparados e equipados com os materiais de apoio vierem, mais depressa avançaremos. A ordem de abordagem será:

Funções sintácticas ao nível da frase:

Sujeito

Sujeito simples
 Sujeito composto
 Sujeito nulo
Predicado
Modificador
Vocativo
Funções sintácticas internas ao grupo verbal:
Complemento
Complemento directo
Complemento indirecto
Complemento oblíquo
Complemento agente da passiva
Predicativo
Predicativo do sujeito
Predicativo do complemento directo
Modificador

Funções sintácticas internas ao grupo nominal:
Complemento do nome
Modificador

29 outubro 2011

Final do canto V de Os Lusíadas

A reflexão do poeta que nos coube analisar está inserida no final do canto V (estrofes 96 a 100). Nesta fase da obra, Camões já havia descrito a viagem até Melinde da tripulação de Gama, incluindo todas as peripécias e contratempos passados por este e pelos que estavam sob a sua alçada.

Neste excerto é-nos apresentada uma crítica à falta de interesse pelas artes por parto do povo lusitano. Inicialmente o poeta compara o povo luso aos povos da Antiguidade quanto aos feitos realizados, mas refere que existe uma diferença: enquanto os antigos prezavam o verso e a rima os portugueses nenhuma importância davam a essa área.

Garcia de Resende (séc. XV) já afirmava, na introdução ao seu Cancioneiro, que o grande mal dos portugueses é nunca escreverem coisa que façam, e Camões refere que o seu povo não escrevia por falta de qualidades naturais mas sim por desleixo e desinteresse pela lírica (“Por isso, e não por falta de natura” Canto V, estrofe 98).
Depois, o poeta argumenta que se não existirem artistas que relatem os feitos heroicos realizados, estes nunca perpetuarão na História (“Não há também Virgílios nem Homeros / Nem haverão, se este costume dura / Pios Eneias nem Aquiles feros” estrofe 98, canto V).

Nas duas últimas estrofes o poeta refere-se claramente a si próprio e ao seu papel, contrariando a regra das epopeias clássicas, e tem em conta o seu grande valor, referindo a necessidade de Gama lhe agradecer (n’Os Lusíadas às Musas, o que no fundo irá dar ao mesmo visto que os versos - a Poesia - são uma invenção de Camões) pois é ele que vai imortalizar os feitos heroicos do povo lusitano, realizando uma complexa e grandiosa obra com “amor fraterno e puro gosto”. Mas isto não significa que o poeta despreze o valor dos lusitanos face à sua obra, muito pelo contrário, pois é também o próprio Camões que declara “Porém não deve enfim, de ter disposto / Ninguém a grandes obras sempre a peito / que, por esta ou por outra qualquer via / Não perderá seu preço e sua valia” estrofe 100, Canto V).

Bernardo Brasil
Francisco Reis
26 Outubro, 2011 17:38

Imagem 1 - Camões na prisão de Goa pintor desconhecido, séc. XVI

Imagem 2 - Camões em Goa, Júlio Pomar, séc. XX



23 outubro 2011

Debate de ideias

Para complementar a pesquisa de informação sobre o próximo tema de debate e composição longa - texto expositivo-argumentativo, deixo algumas ligações úteis.

Revista Visão  - podem procurar crónicas e artigos anteriores. Esta semana há uma aplicação muito interessante, com 50 dicas de poupança. Quem está a preparar trabalhos, poderia aplicar este modelo ou semelhante ao tratamento do tema.

Diário de Notícias - um jornal que conta com 146 anos de existência e  acaba de ganhar o  galardão FWA Mobile of The Day Award, apelidado de Óscar da Internet, pela qualidade do seu Site, mobile e das aplicações para iPhone/iPod e iPad, a mostrar que não pareou no tempo.

Público - jornal diário; está organizado por temas.
 RTP - notícias, artigos de opinião e videos

SIC notícias - notícias, artigos de opinião e videos


Lembra-te que também os cartoons/desenhos humorísticos e críticos podem fornecer motivos de reflexão:


Exemplos de textos de imprensa actuais - porque escritos agora ou porque,
sendo de outro tempo, abordam questões ainda pertinentes:

Portugal pode deixar de existir?

por FERREIRA FERNANDES11 Outubro 20112

 O bom com a crise é espevitar-nos. A quem bastava estender o braço para colher uma banana nunca precisou de se pôr erecto para, nos desertos do Corno de África, se safar. Os chimpanzés são filhos da abundância e o homem, da penúria. António Barreto disse ontem que Portugal pode deixar de existir. É, pode (isto sou eu a traduzir) ficar como um produto branco no Pingo Doce. Mas os tempos estão felizmente a nosso favor: não são eles maus, péssimos, críticos? Nada melhor. (ler crónica)

"Nós Estamos num Estado Comparável à Grécia
Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte. " Eça de Queirós, in 'Farpas (1872)'

Não deixes de ler as notícias e artigos:
Ensino - Universidades portuguesas na lista das melhores do mundo

"Coisas que nunca deverão mudar em Portugal" por Alexander Ellis, embaixador britânico em Portugal (in Expresso)

Artigo "Portugal vale a pena" de Nicolau Santos

E agora, um vídeo que, apesar de conter erros informativos e históricos fáceis de detetar, correu mundo e tem graça como reacção.






20 outubro 2011

A literatura: espelho de uma sociedade

A literatura é uma forma de expressão em que podemos refletir a nossa criatividade, cultura e ideias, ou seja, a literatura funciona como um espelho de uma sociedade ou época, ajudando as pessoas a refletir sobre si e o que as rodeia, fazendo com que estas se oponham à sua própria rotina e tenham vontade de evoluir e de mudar.

Deste modo, no caso da literatura portuguesa existem grandes autores que utilizam a literatura para criticarem a nossa sociedade e louvarem as nossas capacidades de nos libertarmos e de sermos nós próprios os autores do nosso destino. Camões na sua obra Os Lusíadas e Fernando Pessoa, na Mensagem pretendem realçar a capacidade de evolução de modo a aprofundar o conhecimento como meio de combater a fatalidade da rotina e a apatia, usando atitudes grandiosas e gratificantes do passado para que as pessoas do presente possam ganhar coragem.

Assim, podemos também perceber que a literatura aumenta a nossa capacidade de nos compreendermos a nós próprios e aos outros, isto é, a literatura faz com que nós tenhamos capacidade de nos transformar de forma a atingir a felicidade individual e colectiva. Por exemplo, a nossa experiência de leitura da obra As Cidades e as Serras, de Eça de Queirós permitiu-nos perceber que por vezes vale a pena mudar e lutar contra a rotina. Como esta obra descreve, Jacinto faz a travessia da cidade para a serra, ou seja, troca o mundo civilizado coberto de tecnologia, conforto e rotinas pelo mundo «selvagem» e natural; só assim ele foi capaz de encontrar a sua felicidade e autosatisfação.

Então, concluímos que a literatura é um vasto mundo que sendo aproveitado de maneira correcta e inteligente dá-nos a possibilidade de reflectir criticamente sobre nós mesmos e o que está à nossa volta, de forma a mudar a nossa vida para melhor longe das infernais rotinas.


Trabalho realizado por:
Cátia Magalhães
Emanuel Antunes
Tiago Franco, 12ºA
19 Outubro, 2011 17:37



Eliminar

O esquecimento da literatura?

Rotinas


A sociedade atual é afetada pela “tragédia da rotina”, situação que advém do normal funcionamento de um país. É comum ver que o dia a dia de um lisboeta, por exemplo, se resume à actividade profissional, esquecendo-se de bens culturais, espirituais e reflexivos, nomeadamente a importância da literatura. A maioria dos livros que esse lisboeta lê são livros da sua especialização, o que lhe permite adquirir um vasto conhecimento da sua área de trabalho. Resta questionar onde fica a restante literatura na vida desse indivíduo? A resposta é simples, não fica, porque segundo ele não tem tempo.


Ora, esta situação retrata o esquecimento da literatura. Contudo, é importante referir que a literatura constitui uma fonte de desenvolvimento humano e social, indispensável à formação de uma sociedade mais consciente.
A literatura é, frequentemente, entendida como um “refúgio” da realidade. Em certas situações, é verdade, porque permite criar um mundo novo, conhecer novos lugares e desfrutar de uma liberdade infinita, ou seja, permite dar asas à imaginação e à criatividade. Assumindo agora que o exemplo usado, o do lisboeta, atribui a importância devida à literatura era normal que este a encarasse como um escape à rotina inerente à sociedade , de modo a abstrair-se dos problemas à sua volta.


Todavia, não é só neste sentido que devemos entender a literatura. A literatura é muito mais que um refúgio; é o meio de nos situarmos no mundo e na sociedade; é com ela que conseguimos perceber/ interpretar os problemas morais, éticos, políticos e, até mesmo económicos, gerando em nós uma atitude de insatisfação e rebeldia, sem esquecer que adquirimos ou enfatizamos o nosso olhar crítico, promovendo a procura de soluções que permitam alterar o mundo real no sentido de o aproximar do mundo imaginário. Além disso, aprendemos a compreender a nossa mente e a dos que nos rodeiam, as atitudes, os comportamentos e as mais diversas situações, tornando-nos mais compreensivos e solidários com o outro.


Assim, a literatura é uma mina de ideias novas e de conhecimento, que alimenta e promove o crescimento do ser humano enquanto pessoa e como ser social.



Cláudia Crispim, Joana Coutinho, Raquel Laranjeira, Rita Mariano. 12ºB
14 Outubro, 2011 10:02


A literatura faz milagres

Manet, retrato de E. Zola (pormenor)

A literatura não é um mero passatempo. Esta deve ser encarada como uma actividade exigente, que estraga, tira do sério, destrói a uniformidade, revoluciona.
Como é do conhecimento público, é uma forma de instrução e pessoas mais instruídas são mais exigentes, insatisfeitas, com grande espírito crítico, tendo por isso uma visão diferente do mundo. 

Por exemplo, a publicidade tem como objectivo persuadir o consumidor. Contudo, quanto maior o desenvolvimento intelectual menor o efeito da publicidade sobre o consumidor, pois este tem maior capacidade de análise crítica, tomando uma posição mais distanciada da visão que lhes é imposta.

 A literatura é importante para a abertura da mente, pois tem o poder de nos tirar das “sombras”, aproximando-nos da realidade – faz-nos passar de uma visão natural para uma visão racional. Aqui pode ser aplicada a metáfora da saída dos homens das cavernas, pois em vez de se contentarem com as “sombras” (ideias limitadas do mundo) passaram a explorar um domínio explicativo da razão de ser das coisas.

 A literatura também pode ter um contributo positivo por  ter o poder de quebrar a monotonia do nosso dia-a-dia abstraindo-nos, apresenta-nos outras formar de pensar. Estimula a compreensão, e por isso promove uma melhor capacidade de relacionamento com os outros. Ao ler estamos a tomar conhecimento de diferentes experiências e perspectivas de vida e assim quando passamos por situações semelhantes sabemos como lidar com elas da melhor forma.

Muitos dirão que apesar de todos os contributos a nível social e intelectual, a literatura não faz milagres, já que uma pessoa com graves problemas na sua vida, não é a ler que vai conseguir resolvê-los. Contudo, a literatura por vezes pode fazer milagres, servindo como um impulsionador para combatermos os nossos problemas e encorajar-nos a enfrentar as dificuldades da vida.
Trabalho realizado por:
Inês Vieira, nº 10
João José, nº 16
José Freitas, nº 17
Rodolfo Pereira, nº 25
14 Outubro, 2011 09:57


Sem a literatura seríamos quem somos?

Cena de leitura numa clareira, 1871
Noël Saunier ( França, 1847-1890)
Óleo sobre tela

Será a literatura um passatempo? Uma forma de ver o mundo? De olhar as diferenças? Sim, a literatura é realmente todas esta coisas, mas é também uma história, quer seja essa real ou imaginária, onde saímos de nós próprios e nos tornamos a própria personagem com a sua personalidade mesmo que essa seja totalmente diferente da nossa: nós podemos ser fortes e seguros e a personagem ser frágil e insegura, ou até mesmo cruel e assim torna-se possivel perceberque todas as personagens são diferentes e têm formas diferentes de atuar perante as mesmas situações, tornando-as assim especias, tal como as pessoas. Por existir este peralelismo é que a literatura é realmente importante contra a rotina que afeta as relações. Vemos assim que as ideias nem sempre são as mesmas mas que irá ser isso que nos desenvolverá a mente, a inteligência e a relação com as pessoas devido à possibilidade de troca e discussão de opiniões.
Pelo contrário, muitos jovens levam este tema levianamente, pois apenas leem por obrigação. No entanto, sendo todos eles a geração futura, é necessário que tenham espirito crítico e não se conformem, pois a evolução depende deles. Apenas pessoas cultas e seguras de si conseguem essa evolução, este abrir de horizontes e de libertação.
Deste modo, se não não fosse a insatisfação e a rebeldia da literarura provavelmente ainda hoje estaríamos na era primitiva, salientando-se a sua extrema importância na renovação da mentalidade das gerações. Sobretudo é promotora da imaginação e do desenvolvimento intelectual, afetivo e crítico. Dá-nos a possibilidade de ser mais livres, pois a nossa imaginação não tem limites.

Inês Pereira nº11
Jéssica Gomes nº12
João Silva nº15
Mariana Freitas nº19
12ºB
14 outubro 2011


Atenção: apenas foram corrigidas faltas ou enganos de escrita. O essencial da argumentação não foi alterado, para permitir que façam os vossos comentários.


12 outubro 2011

Pistas para a redacção de texto argumentativo


ARGUMENTAÇÃO – TEXTO ARGUMENTATIVO

     A introdução deve ser breve

     A introdução deve evitar frases vazias ou irrelevantes, a “palha” (ex: Há muitas opiniões diferentes sobre os efeitos da televisão”) ou ambíguas (“Por um lado concordo que a televisão é negativa para as crianças, mas por outro lado discordo”)

     Na introdução seja direto: “A televisão é um meio poderoso de aprendizagem e entretenimento” ou “A televisão tem muito mais vantagens do que desvantagens”

     Concentre-se no seu melhor argumento ou nos dois melhores argumentos (um argumento bem desenvolvido e exemplificado é melhor do que três argumentos em esboço/mal sustentados)

     Como regra: trate um ponto por parágrafo; mude de parágrafo só quando concluiu o/um raciocínio fundamentado; ligue os parágrafos entre si, através de articuladores frásicos ou de expressões de ligação: Assim; Contrariamente; Com efeito; Apesar do que foi dito; No que se refere a; Por todas estas razões;

     Se tem tendência a perder-se, use marcadores discursivos estruturadores da informação: …por duas razões… em primeiro lugar/em segundo lugar; por um lado/por outro lado

     Garanta a coesão: temporal (tempos/ modos verbais), interfrásica (pois, assim sendo, deste modo, logo, porém…) e lexical (substituições lexicais – por sinónimos ou hiperónimos, por ex.,para evitar repetições

(Para mais informação sobre
texto argumentativo e coesão textual + corência + progressão 
consultar o PPT de apoio, no moodle)



Texto argumentativo (revisões)

Características essenciais do texto argumentativo:
Ø  O texto é concebido de forma a convencer ou a persuadir.

Ø  A tese defendida deve ser claramente identificada pelo destinatário.

Ø  O texto deve usar um registo adequado à situação, ao destinatário e ao tema.

Ø  Os argumentos utilizados devem ser diversificados quanto ao tipo: Universais / Proverbiais / Experiência pessoal/ Históricos / Exemplares / Científicos (consulta texto de apoio, no manual)


Estrutura do texto argumentativo (escrito; a oralidade supõe outros aspectos)

Ø O texto argumentativo deve começar por uma introdução, normalmente contida num só parágrafo; segue-se o desenvolvimento, em parágrafos, com os respetivos argumentos e contra-argumentos, seguidos de exemplos; finalmente, uma conclusão, de parágrafo único, que retoma a afirmação inicial provada ou contrariada.

Ø Os vários parágrafos devem estar encadeados uns nos outros pelos articuladores do discurso ou conectores lógicos (Ex: tempo passado-presente, causa-efeito-consequência, hipótese-solução, etc.).

Ø Tem de se escolher previamente, no plano, qual a lógica interna a seguir: é essa escolha que determina os conectores a usar; quem escreve tem de ter domínio sobre o texto e o seu encadeamento/ desenvolvimento.



Estrutura: TESE – PREMISSA – ARGUMENTOS - CONCLUSÃO

- Indicação do tema ou objecto de argumentação.

- Formulação da tese defendida.

- Demonstração, por meios de argumentos, de que é verdadeira.

- Conclusão (tenta-se convencer ou persuadir)

Ou

- Formulação da tese que se quer refutar.

- Consideração do ponto de vista contrário.

- Refutação por meio de contra-argumentos.

- Conclusão por ridicularização/diminuição da tese refutada (por ex. através da ironia) ou por meio de reafirmação da razão da tese defendida



11 outubro 2011

29 setembro 2011

A Importância da Literatura

por Mario Vargas Llosa
Em feiras de livros ou mesmo livrarias, freqüentemente alguém se aproxima pedindo-me autógrafo. "É para minha mulher, filha ou mãe", explica. "Ela adora ler!" De pronto pergunto: "E o senhor? Não gosta de ler?" E a resposta é quase sempre a mesma: "Gosto, mas sou muito ocupado."

Já ouvi essa explicação dezenas de vezes. Esse homem - e milhares outros como ele - tem tantos afazeres importantes, tantas obrigações e responsabilidades, que não pode perder seu precioso tempo mergulhado num romance.

Segundo esse raciocínio, a literatura seria uma atividade dispensável, uma diversão que somente pessoas com muito tempo livre poderiam se permitir.

Gostaria de apresentar alguns argumentos contra a idéia da literatura como passatempo e em prol de considerá-la, além de uma das ocupações mais estimulantes e enriquecedoras do espírito humano, uma atividade insubstituível para a formação de cidadãos na sociedade moderna e democrática. Por essa razão, ela deveria ser semeada nas famílias desde a infância e fazer parte de todos os programas educacionais.

Vivemos numa era de especialização em virtude do extraordinário desenvolvimento da ciência e da tecnologia, e da conseqüente fragmentação do conhecimento em incontáveis avenidas e compartimentos.

A especialização traz benefícios. Possibilita pesquisa e experimentos, e é a força motriz do progresso. Mas também destrói os denominadores comuns culturais que permitem a coexistência, a comunicação e a solidariedade. E leva à separação dos seres humanos em guetos culturais de especialistas, confinados - pela linguagem, por códigos de conduta e pelo conhecimento particularizado - a uma especificidade contra a qual um antigo provérbio já nos advertia: não se concentre tanto na folha, a ponto de esquecer que ela é parte da árvore e esta, da floresta.

Em grande medida, a noção da existência dessa floresta depende do senso de conjunto que une a sociedade e não a deixa se desintegrar numa centena de especificidades. A ciência e a tecnologia, portanto, já não podem desempenhar esse papel unificador da cultura.

A literatura, por sua vez, foi e, enquanto existir, continuará sendo um denominador comum da experiência humana. Aqueles de nós que leram Cervantes, Shakespeare, Dante ou Tolstoi entendem uns aos outros e se sentem indivíduos da mesma espécie porque, nas obras desses escritores, aprenderam o que partilhamos com seres humanos, independentemente de posição social, geografia, situação financeira e período histórico.

Nada nos protege melhor da estupidez do preconceito, do racismo, da xenofobia, do sectarismo religioso ou político e do nacionalismo excludente do que esta verdade que sempre surge na grande literatura: todos são essencialmente iguais. Nada nos ensina melhor do que os bons romances a ver nas diferenças étnicas e culturais a riqueza do legado humano e a estimá-las como manifestação da multifacetada criatividade humana.

Ler boa literatura é ainda aprender o que e como somos - em toda a nossa humanidade, com nossas ações, nossos sonhos e nossos fantasmas -, tanto no espaço público como na privacidade de nossa consciência. Esse conhecimento se encontra apenas na literatura. Nem mesmo os outros ramos das ciências humanas - a filosofia, a história ou as artes - conseguiram preservar essa visão integradora e um discurso acessível ao leigo, pois também eles sucumbiram ao domínio da especialização.

O elo fraternal que a literatura estabelece entre os seres humanos transcende todas as barreiras temporais. A sensação de ser parte da experiência coletiva através do tempo e do espaço é a maior conquista da cultura, e nada contribui mais para renová-la a cada geração do que a literatura.

O que a literatura deu à humanidade, então?

Um de seus primeiros efeitos benéficos ocorre no plano da linguagem. Uma sociedade sem literatura escrita se exprime com menos precisão, riqueza de nuances, clareza, correção e profundidade do que a que cultivou os textos literários.

Uma humanidade sem romances seria muito parecida com uma comunidade de gagos e afásicos. Isso também vale para o indivíduo. As pessoas que nunca lê, lê pouco ou lê apenas lixo pode falar muito, mas vai sem dizer pouco, porque dispõe de um repertório mínimo de palavras para se expressar.

Não se trata de uma limitação somente verbal, mas também intelectual, uma indigência de idéias e conhecimento, porque os conceitos pelos quais assimilamos a realidade não são dissociados das palavras que nossa consciência usa para reconhecê-los e defini-los.

Nenhuma disciplina substitui a literatura na formação da linguagem. O conhecimento transmitido por manuais técnicos e tratados científicos é fundamental, mas eles não nos ensinam a nos exprimir corretamente. Ao contrário, com freqüência são mal escritos porque os autores, às vezes expoentes indiscutíveis em sua profissão, não sabem transmitir seus tesouros conceituais.

Outro motivo para se conferir à literatura um lugar de destaque na vida das nações é que, sem ela, a mente crítica - verdadeiro motor das mudanças históricas e melhor escudo da liberdade - sofreria uma perda irreparável. Porque toda boa literatura é um questionamento radical do mundo em que vivemos. Qualquer texto literário de valor transpira uma atitude rebelde, insubmissa, provocadora e inconformista.

A literatura apazigua essa insatisfação existencial apenas por um momento, mas nesse instante milagroso, nessa suspensão temporária da vida, somos diferentes: mais ricos, mais felizes, mais intensos, mais complexos e mais lúcidos. A literatura nos permite viver num mundo onde as regras inflexíveis da vida real podem ser quebradas, onde nos libertamos do cárcere do tempo e do espaço, onde podemos cometer excessos sem castigo e desfrutar de uma soberania sem limites. Como não nos sentirmos enganados depois de ler "Guerra e Paz" ou "Em Busca do Tempo Perdido" e voltar a este mundo de detalhes insignificantes, obstáculos, limitações, barreiras e proibições que nos espreitam de todo canto e em cada esquina corrompem nossas ilusões?

Quer dizer, a vida imaginada dos romances é melhor: mais bonita e diversa, mais compreensível e perfeita. Talvez seja esta a maior contribuição da literatura ao progresso: lembrar que o mundo é malfeito, e que poderia ser melhor, mais parecido com o que a imaginação é capaz de criar.

A sociedade livre e democrática requer cidadãos responsáveis, críticos, independentes, difíceis de manipular, em constante efervescência espiritual e cientes da necessidade de examinar continuamente o mundo em que vivemos, para tentar aproximá-lo do mundo em que gostaríamos de viver.

Sem insatisfação e rebeldia, ainda viveríamos em estado primitivo, a história teria parado, o indivíduo não teria nascido, a ciência não teria alçado vôo, os direitos humanos não teriam sido reconhecidos e a liberdade não existiria. Tudo isso nasce dos atos de desafio a uma vida que se mostra insuficiente ou intolerável. Para esse espírito que despreza a vida como ela é - e, com a insensatez de Dom Quixote, tenta tornar o sonho realidade -, a literatura serve de magnífica espora. A verdade é que o desenvolvimento da mídia audiovisual - que ao mesmo tempo que revoluciona as comunicações monopoliza cada vez mais o tempo que dedicamos ao lazer, relegando a leitura a segundo plano - permite-nos imaginar para um futuro próximo uma sociedade moderníssima, repleta de computadores, telas e microfones, mas sem livros.

Temo que esse mundo cibernético seja profundamente incivilizado, sem espírito, apático - uma resignada humanidade de robôs.

Evidentemente , é muito improvável que essa terrível perspectiva venha algum dia a se concretizar. Não existe um destino que decida por nós o que vamos ser. Depende de nosso discernimento e de nossa vontade que essa utopia macabra se realize ou se apague.

Se queremos evitar o desaparecimento dos romances - ou sua restrição ao sótão dos objetos inúteis - e com isso o desaparecimento da própria fonte que estimula a imaginação e a insatisfação, que refina nossa sensibilidade e nos ensina a falar com eloqüência e precisão, que nos torna livres e nos garante uma vida mais rica e intensa, então devemos agir. Precisamos ler bons livros e incitar à leitura os que vêm depois de nós.


(*) Este texto ao lado é da março de 2003 da revista Seleções Reader's Digest (http://www.selecoes.com.br). O título original é "Um mundo sem romances". Mario Vargas Llosa é um escritor peruano.


Lê. Discute. Integra as reflexões no texto argumentativo
que terás de fazer sobre o tema proposto em 26 Set.

A literatura como experiência de liberdade



Grandes Portugueses - Camões e Vasco da Gama


(vídeos da série da RTP Grandes Portugueses - excertos)

Camões, Os Lusíadas e a sua época


GRANDES LIVROS - OS LUSÍADAS

Os Lusíadas - diagnóstico lúcido e sombrio de uma época


Os Lusíadas - exaltação e consciência crítica

Nem só de exaltação e glorificação vivem Os Lusíadas. Camões é também a consciência crítica que faz o diagnóstico lúcido e sombrio de uma decadência que se aproxima. Não desconhece nem esconde os erros, os defeitos e os crimes de tantos portugueses. No final do canto VII denuncia com mágoa a hipocrisia, o espírito de adulação, o abuso do poder, a exploração dos humildes; e queixa-se com ironia amarga da ingratidão dos contemporâneos. Camões lembra que a Cristandade atravessa um momento crítico abalada no seu interior pelas divisões religiosas motivadas pela Reforma, e ameaçada do exterior pelo poder turco que alastra da índia até à Europa Central. É justamente esta situação de enfraquecimento que a gesta dos descobrimentos vem compensar. Mas entretanto, sentimos o poeta tremer perante o perigo e perguntar: Vencemos I Somos derrotados? Nesta obra que canta a ousadia e a coragem, o medo também se diz na fala do Velho do Restelo, onde se ouve a voz do passado inquieto perante o futuro. Os Portugueses vão abandonar a segurança da Terra, a estabilidade, e lançar-se na aventura marítima, no risco do desconhecido. É esse momento que simboliza toda a despedida, o cortar das amarras.

Mas pior do que a fala do Velho do Restelo é a conclusão da obra, terminando o canto que se reclama de «puras verdades» com uma recompensa imaginária. Enquanto toda a acção narrada se passa no plano real histórico, o prémio consiste num sonho. Um sonho maravilhoso... mas um sonho. ..

Afinal a apoteose encerra um fundo pessimista, confessa que o poeta não acredita na recompensa real dos heróis, não confia na justiça divina. Celebra um povo, mas ao mesmo tempo revela a incapacidade que esse povo tem em saber reconhecer os seus filhos mais dignos. É esta bipolaridade, esta distância entre o épico e o anti-épico, entre o ser e o parecer que atinge o cerne da obra ou o seu equilíbrio, pondo em causa a sua finalidade épica que lhe esteve na origem.

Tudo isto é a expressão de um mundo em crise. No renascimento português, os valores medievais, que se mantêm até muito tarde, encontram-se com os da Contra-Reforma, assumida de forma rigorosa e severa, construindo-se o poema neste universo oscilante, entre valores contraditórios.

Maria Vitalina leal de Matos, Tópicos para Uma Leitura de Os Lusíadas, Editorial Verbo, Lisboa, 2003



Reflexões presentes na obra:
. a insegurança e as falsidades da vida;

. o desânimo do poeta face ao desprezo dos portugueses pelas letras, e em especial pela poesia;

. o valor da honra e da glória;

. o elogio à tenacidade portuguesa;

. a sua infelicidade;

. a crítica aos seus opressores;

. o poder do "vil metal" - ouro;

. o significado e o valor da imortalidade.


23 agosto 2011

Novidades tecnológicas ao teu dispor!

Estás disponível para novas experiências?
Interessas-te por novidades tecnológicas?
Gostas de pensar pela tua própria cabeça?

Não percas este vídeo.





Agora, já sabes o que tens a fazer...

Se precisares de aconselhamento, é só pedires.

Temas para desenvolvimento

Olá, alunos, em boas e  merecidas férias
Alvor, 2011

De acordo com o prometido e porque já devem estar agora mais descansados, dou início à publicação de textos e materiais de leitura e estudo que podem ajudar a preparar o ano que se aproxima.

Começo, como acordámos, por bons textos e ligações úteis que fornecem temas e reflexões para desenvolvimento.

Devem proceder da seguinte forma:

- Ler e reler o texto em causa;
- Procurar mais informação sobre o tema, por ex. no sítio referido no "post";
- Tormar notas, registos sobre as ideias fortes que querem defender sobre o assunto
- Pensar na situação e modelo de texto que querem fazer
- Fazer o Plano, tendo em conta as regras "sagradas" (rever no moodle ou na síntese publicada no blogue)
- Escrever o texto e revê-lo
- Publicar on-line, aqui no blogue, para todos lermos e comentarmos.

Boas férias e excelentes textos!

13 agosto 2011

Temas para reflexão e escrita: Videovigilância

1. Analisa a imagem. Regista, por escrito, a tua leitura/interpretaçao sobre o tema e o significado.



2. A propósito do tema sobre o qual reflectimos no ano anterior, aqui fica, para além da imagem, um texto para pensar e escrever um texto expositivo ou expositivo-argumentativo:


«Os pedidos de autorização para instalação de câmaras de videovigilância têm vindo a multiplicar-se nos últimos dois a três anos. Escolas e restaurantes são algumas das novas entidades a aderirem ao sistema de vigilância permanente. Mas nem tudo pode ser filmado e a palavra da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) é a única protecção do cidadão comum contra os «olhos invasores».
«O critério utilizado nos pedidos da área educacional, nomeadamente pedidos de algumas escolas, privadas e estatais, é o de não permitir a instalação de câmaras nas salas de aulas e nos refeitórios. Entendemos que os alunos necessitam de ter alguma privacidade. Apenas nos lugares públicos e comuns é que podemos permitir essa vigilância», explicou ao PortugalDiário Luís Silveira, presidente da CNPD.
As câmaras nas escolas poderão ser encontradas nos pátios, recreios e entradas. Mais do que isso a comissão entendeu que seria um abuso à privacidade. Nos EUA e no Reino Unido as câmaras estão já instaladas nas salas de aula, assim como nas vias públicas. Por cá, a comissão pretende evitar essa evolução.
A CNPD registou no último ano 69 pedidos de pareceres de videovigilância na área da educação. Fonte da comissão esclarece que nem todos os pedidos correspondem a escolas, alguns podem ser referentes a institutos e organismos relacionados com a Educação. Também em creches e infantários as câmaras são já solicitadas. No ano passado chegaram quatro pedidos à CNPD.
A comissão é até hoje o maior garante que o cidadão tem para que as câmaras não tomem conta do país trazendo mais perigos para a sociedade. «Apenas autorizamos vigilâncias que não ponham em causa a privacidade. Em vários casos foram já dados pareceres negativos ou solicitadas alterações porque a privacidade dos cidadãos estava a ser posta em causa», explicou Luís Silveira.
Perigos e vantagens de uma base de dados genética
(...)
A CNDP tem garantido a privacidade dos cidadãos especialmente porque tem «recusado todos os pedidos de colocação de câmaras de videovigilância em lugares públicos».


Saber mais sobre os nossos direitos: Comissão Nacional de Protecção de Dados (aqui)




 

11 agosto 2011

Planificar um texto argumentativo/de opinião fundamentada


PLANIFICAÇÃO DE TEXTO EXPOSITIVO – ARGUMENTATIVO
- informação complementar[1] -
Qual o tema/área temática a abordar? Dentro dele(a) que assunto específico? Que vocabulário temático e/ou técnico precisarás de reunir?





Que ponto de vista pretendes defender?
Qual é a tua intenção: Reforçar a opinião
da maior parte das pessoas? Discordar da
opinião de outras pessoas? Convencer
alguém de alguma coisa?


A que argumentos vais recorrer para
reforçar o teu ponto de vista?
Que exemplos podes utilizar para ilustrar a
tua argumentação?


Que argumentos poderão ter as pessoas com uma opinião contrária? Os teus argumentos serão suficientemente fortes para os contrariar?






A que conclusão pretendes chegar?
132





Como vais começar o teu texto: Com uma
pergunta aos leitores? Com uma afirmação
polémica? Com a constatação de um facto?
Será necessário começar por apresentar
informações sobre o assunto que vais
abordar? Quais? Onde podes encontrá-las?


Como vais organizar os teus argumentos?
Vais ter em conta argumentos diferentes
dos teus? Qual é o teu argumento mais
forte? Vais utilizá-lo logo no início do texto
ou vais guardá-lo para o fim?


Como vais terminar o teu texto? Com uma
síntese das ideias apresentadas? Com um
apelo? Com uma pergunta que deixe os
leitores a pensar?





[1] Esta ficha serve apenas para te questionares, na fase prática de elaboração do plano. O essencial sobre a natureza e estrutura do texto expositivo argumentativo está no PPT disponibilizado na plataforma de aprendizagem da escola (“moodle”).