"Que posso eu fazer? Sim, que posso eu fazer?”
Manuel, em Felizmente há Luar!
Como ponte entre o painel de discussão temática que tivemos e o que virá a seguir, ficam palavras do J. Saramago.
Uma sociedade que instituiu, como valores a perseguir, esses que nós
sabemos, o lucro, o êxito, o triunfo sobre o outro e todas estas coisas,
essa sociedade coloca as pessoas numa situação em que acabam por pensar
(se é que o dizem e não se limitam a agir) que todos os meios são bons
para se alcançar aquilo que se quer.
Falámos muito ao longo destes últimos anos (e felizmente continuamos a
falar) dos direitos humanos; simplesmente deixámos de falar de uma coisa
muito simples, que são os deveres humanos, que são sempre deveres em
relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro,
essa espécie de desprezo do outro, que eu me pergunto se tem algum
sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se
diz racional. Isso, de facto, não posso entender, é uma das minhas
grandes angústias.
José Saramago, in 'Diálogos com José Saramago'
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