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15 outubro 2015

Voos

A pedido de várias famílias, ficam os exercícios (p/ A4 - sem redução).





PORTUGUÊS, 12º A           GRAMÁTICA|FUNÇÕES SINTÁTICAS              2015-2016


Registe o número do item e a letra correspondente à opção correta.

1.   *   O verbo “espetar” presente em “Uma rabanada de vento agitou as árvores, espetando dedos gelados no seu corpo” (l. 5) seleciona
a.    um complemento direto e um complemento oblíquo.
b.    um complemento direto e um modificador do grupo verbal.
c.    um complemento direto e um complemento indireto.
d.    um complemento direto e um predicativo do complemento direto.

 2.  *  No enunciado “O caminho pela floresta estava cheio de neve (l. 6) o elemento sublinhado é um
a.    complemento  direto.
b.    predicativo do sujeito.
c.    complemento oblíquo.
d.    modificador do grupo verbal.

3. *  Que função sintática desempenha a expressão “uma mancha negra” (l. 11)?
a.    Complemento oblíquo.
b.    Complemento do nome.
c.    Predicativo do sujeito.
d.    Sujeito.

4. *  No enunciado “Lembrava-se de sentir junto à sua pele a maciez e a suavidade do tecido fino.” (l. 32) temos um modificador do grupo verbal. Identifica-o.
a.    “a maciez e a suavidade”.
b.    “do tecido fino”.
c.    “Lembrava-se de sentir”.
d.    “junto à sua pele”.
 
5. Indique a função sintática dos elementos sublinhados (um ou dois) em:

a.     “Gudrun, a mulher do cónego, tinha entrado em trabalho de parto”(l. 14)
Modificador do nome apositivo
b.     “Um violento turbilhão de neve cegou Hrotrud.” (l.17) SUJ.
c.     “[…]enquanto a neve rodopiava à sua volta, envolvendo-a numa paisagem branca.” (l. 20)CD
d.     As mãos e os pés já não lhe doíam;” (l. 22)SUJ COMPOSTO / C.I.
e.     “[…] era importante manter a calma. (ll. 23-24) SUJ.
f.       “A neve acumulava-se-lhe nas sobrancelhas” (ll 7-8). CO
g.     “[…) tinha de limpar constantemente a cara para conseguir ver.” (l.8)

a.     Modificador do grupo verbal
h.     “Ela sabia o que isso podia significar.” (l.23) CD


II
FRASE COMPLEXA – CLASSIFICAÇÃO SINTÁTICA DE ORAÇÕES

1. A oração “enquanto a neve rodopiava à sua volta” (l. 19) é subordinada adverbial
a.    condicional.
b.    temporal.
c.    concessiva.
d.    causal.

2. *A oração “que procuravam penetrar através dos buracos e dos remendos das suas finas vestes de lã.” é uma oração
a.    subordinada substantiva completiva.
b.    subordinada adjetiva relativa restritiva.
c.    subordinada adjetiva relativa explicativa.
d.    subordinada substantiva relativa sem antecedente.

3. Classifica as orações sublinhadas  nas frases seguintes.

a.     “[…)tinha de limpar constantemente a cara para conseguir ver.”

b.     “As mãos e os pés doíam-lhe de frio, apesar das camadas de trapos de linho em que os tinha embrulhado.





            * Créditos dos exercícios assinalados com *  - Textos integrais e algo mais

14 outubro 2015

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Para quem só registou os exercícios, fica o texto que serviu como suporte à ficha sobre funções sintáticas, na aula de Gramática. Pode ser uma sugestão com interesse para outras leituras.


Era o dia 28 de Wintarmanoth do ano da graça de 814, o inverno mais rigoroso de que havia memória.

         Hrotrud, a parteira da aldeia de Ingelheim, avançava penosamente pela neve, a caminho da cabana do cónego. Uma rabanada de vento agitou as árvores, espetando dedos gelados no seu corpo que procuravam penetrar através dos buracos e dos remendos das suas finas vestes de lã. O caminho pela floresta estava cheio de neve; a cada passo que dava, enterrava-se quase até aos joelhos. A neve acumulava-se-lhe nas sobrancelhas e nas pestanas; tinha de limpar constantemente a cara para conseguir ver. As mãos e os pés doíam-lhe de frio, apesar das camadas de trapos de linho em que os tinha embrulhado.

         Apareceu uma mancha negra à sua frente, no caminho. Era um corvo morto. Neste inverno, até esses robustos necrófagos morriam de fome: os seus bicos não conseguiam rasgar a carne podre enregelada. Hrotrud estremeceu, apressando o passo. Gudrun, a mulher do cónego, tinha entrado em trabalho de parto um mês antes do previsto. Linda altura para uma criança nascer, pensou Hrotrud amargamente. Cinco crianças nascidas só no último mês e nem uma só sobreviveu mais do que uma semana.

          Um violento turbilhão de neve cegou Hrotrud. Por momentos, perdeu de vista o caminho mal assinalado. Sentiu uma onda de pânico. Já tinham morrido mais do que um aldeão naquele caminho, andando em círculos a pouca distância da sua própria casa. Esforçou-se por se manter direita, enquanto a neve rodopiava à sua volta, envolvendo-a numa paisagem branca. Quando o vento abrandou, mal conseguia vislumbrar o caminho. Continuou a marcha. As mãos e os pés já não lhe doíam; estavam completamente dormentes. Ela sabia o que isso podia significar, mas não podia ligar; era importante manter a calma.

          Tenho de deixar de pensar no frio.

           Lembrou-se da casa onde tinha nascido, uma bela casa com uma herdade próspera, de cerca de seis hectares. Era quente e aconchegada, com sólidas paredes de madeira, muito mais bonita do que as casas dos seus vizinhos, construídas com simples traves de madeira, cobertas de argamassa. Na sala principal, havia uma grande lareira, com o fumo a sair em espiral por uma abertura do telhado. O pai de Hrotrud usava um belo manto de pele de lontra por cima da sua camisa em linho fino e a mãe usava fitas de seda nos seus longos cabelos negros. Hrotrud tinha duas túnicas de mangas largas e um manto da mais pura lã. Lembrava-se de sentir junto à sua pele a maciez e a suavidade do tecido fino.

            A papisa Joana, Donna Woolfolk Cross, Editorial Presença

01 outubro 2015

O novo e o velho

Ó velho, que nada fazes para além de ficar sentado a olhar os navios e tens ainda a audácia de criticar o povo que é teu.

Dizes que teu povo é ambicioso por fama, por querer conquistar cada vez mais para expandir nosso território. Falais de desgraças, de mortes cruéis, de perigos em vão;  no entanto, aí sentado nessa praia nada sabes do que falas pois onde tu vês mortes em vão, eu vejo mortes honrosas, pois sem sacrifícios não há sucesso.

Criticas tais feitos e perguntas porquê. Dizeis que os levo para um caminho desonroso com um destino fatal, mas na verdade levo-os para a imortalidade.

Nunca procurei guerra, mas sim conhecimento do nunca antes visto.

Ó velho, que nada fazes, fico-me por esta frase: Onde tu apenas vês desgraça e perdição, eu vejo grandeza de um povo que pela sua coragem e feitos únicos jamais cairá no esquecimento.
12ºA Catarina Silvestre, Liliana Teles, Ricardo Carvalho - 16/10/2012

Os Lusíadas, Velho do Restelo

O episódio do Velho do Restelo 
-mais um contributo para a compreensão do significado-

O Capitão Vasco da Gama em resposta a um Velho na Praia do Restelo

Tendo em conta que os motivos da nossa viagem são os mais nobres, sinto-me no direito de vos responder,  respeitável Velho que ficais na praia do Restelo.


Quanto à procura de fama e glória de que nos acusais, procuramos fama e glória para a nossa nação, queremos que Portugal se eleve, pois merece tal. É verdade que este feito poderá não correr da melhor forma, mas são altas as hipóteses de alcançarmos o nosso propósito e Portugal conhecerá imenso e ficará reconhecido por esse feito.
A guerra poderá dar-nos a glória, mas creio que o prejuízo será maior que o que podemos ter nest empresa que ora criticais. Seguindo para a Índia por meios marítimos ganhamos mais do que ir para a guerra com os Mouros. É necessário que alarguemos os nossos horizontes para que a Terra Lusitana possa crescer. Somos possuidores de vários produtos que podemos exportar para outros Continentes, para além da Cristandade que temos de espalhar.
Não nos ficaremos por promessas vãs, queremos que o povo se refira a estes navegadores como gloriosos e cumpridores dos seus objectivos.

Carina Duarte, João Desiderio, João Rodrigues e Rita Vicente (16/10/2012)

Vasco da Gama responde ao Velho do Restelo

Venerando ancião

Primeiramente, quero informar-vos que esta nossa “ambiciosa” viagem, não será feita por cobiça, nem por fama, sequer. O nosso objetivo é apenas expandir este nosso reino, levá-lo a outras partes do mundo. Mas espero que compreendais que o nosso amor pelo descobrimento nunca será maior do que aquele que nutrimos pela nossa família. O que fazemos, é um sacrifício por um bem maior, é algo que fazemos por amor à Pátria.

Como Cristãos que somos, nunca seremos capazes de cometer os tamanhos que pecados a que vos referis. A glória e a fama, esperamos concretizar, sim, mas por serem apenas sinais que demonstram que atingimos o nosso objetivo maior. Até porque, se nunca tentarmos, se nunca nos esforçarmos, como atingiremos o que queremos? Quereis vós dizer que devemos viver conformados, sem avançar?

Tudo o que vós dizeis que eu prometo em vão aos meus marinheiros, é grave! Seria incapaz de mentir, de enganar, os homens em quem confio. Isto seria ter que duvidar de mim próprio. Vós nascestes numa época diferente da minha. As vossas maneiras, a vossa educação ou pertenço. Eu não penso agir mal quando peço aos meus marinheiros, homens, «esforço e valentia», pois só assim eles serão isso mesmo, homens esforçados e valentes. E não tenciono perder um, nem um só deles, pois são as suas vidas o que eu prezo mais que tudo nesta viagem. Temos um objetivo, queremos e vamos cumpri-lo e, durante a sua execução, nem um só dos meus homens há-de morrer.

Não é pelo facto de partirmos que Portugal ficará mais fraco, sem gente. Reino tão glorioso nunca se perderá na história por ficar sem quem cuide dele, nem nunca se enfraquecerá por tal razão.
Não tenciono, nem os meus homens, manchar a história nem a grandiosidade deste nosso reino. Somos Portugueses, e queremos apenas aumentar a glória e dignidade deste nosso pátrio canto, que tão superior é ao resto do mundo.



Linda Viduedo, Henrique Pinto, Márcia Santos, Mariana Mendes, 12º A
(16/10/2012)