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04 junho 2012

Revisões

Para ajudar os alunos que queriam perceber melhor como identificar as marcas linguísticas associadas a cada ato ilocutório, cá vai um exercíco (agora com um quadro e tudo...).

Após a realização, confirmar na gramática ou, comigo, em aula.

Atos ilocutórios
Um ato ilocutório é um ato discursivo integrado num determinado contexto comunicacional.
Os objetivos, os intervenientes e os contextos comunicacionais são variáveis, o que justifica existência de diferentes atos ilocutórios. O locutor, o interlocutor, o espaço, o tempo e o universo de referência condicionam a natureza dos atos de fala.

Os atos ilocutórios podem ser diretos ou indiretos. No primeiro caso, o locutor demonstra a intenção de levar o interlocutor a agir. No segundo, o locutor procura formas menos evidentes de tentar fazer com que o seu interlocutor realize uma ação, ou seja, o objetivo a atingir não se prende com o significado literal e imediato da frase.
É o que sucede, por exemplo, no caso das perguntas realizadas com intuitos diretivos - «Não acha que está aqui muito frio?» (em vez de - «Feche a janela!»).

1.    Estabelece as correspondências corretas entre os atos ilocutórios, as suas marcas linguísticas e os exemplos.

Atos ilocutórios
Marcas linguísticas
Exemplos
1. Assertivos
O locutor encontra-se
implicado na verdade do
enunciado, podendo este
ser submetido ao teste do verdadeiro ou falso.
A. – Tempo verbal do futuro do indicativo ou de valor equivalente;
– Verbos compromissivos como com-prometer-se, garantir, jurar, prometer, etc.;
– Expressões que manifestem o comprometimento do locutor.
a.
Amaro abrira abruptamente a porta do escritório, fechou-a de repelão, e sem mesmo dar os bons-dias ao colega, exclamou:
– A rapariga está grávida!
Eça de Queirós, O Crime do Padre Amaro
2. Diretivos
O locutor pretende fazer
com que o interlocutor
pratique uma determinada ação.
B. – Verbos declarativos como concluir, declarar, dizer, afirmar, etc.;
– Verbos de atividade mental como achar, considerar, acreditar, admitir, entender;
– Expressões modalizadas como considerar necessário, possível, certo, ridículo, etc.
b.
– Olha que espiga! – ponderou o
cónego atordoado.
Eça de Queirós, O Crime do Padre Amaro
3. Expressivos
Expressam sentimentos
ou emoções do locutor
relativa mente ao estado
de coisas a que se refere o enunciado.
C. – Verbo declarativo declarar.
c.
Nunca te metas nestas coisas,
Manuel! Haja o que houver, nunca te
metas com eles.
Luís de Sttau Monteiro, Felizmente há luar!
4. Compromissivos
O locutor compromete-se a realizar uma ação futura.
D. – Frases imperativas ou seus substitutos quer no conjuntivo quer no indicativo;
– Verbos diretivos como exigir, implorar, mandar, ordenar, proibir…
– Frases interrogativas simples;
– Frases complexas cujo verbo superior é um verbo de inquirição do tipo perguntar, inquirir, interrogar, investigar;
– Frases interrogativas contendo uma negativa com valor positivo.
d.
Eu, cavaleiro de primeiro grau,
declaro por minha honra que tomei
parte com animus conspirandi em
reuniões de charuto e mascarilha com vista à transformação da ordem do reino.
José Cardoso Pires, A República dos Corvos
5. Declarativos
Expressam verbalmente a
realidade por eles próprios
criada, relacionando
o locutor com o valor de verdade do enunciado.
E. – Verbos expressivos como agradecer,
congratular-se, deplorar, lamentar,
repudiar, etc.;
– Verbos modalizados por advérbios como
achar bem ou achar mal, etc.;
– Expressões exclamativas.
e.
Prometo, pela minha palavra real,
que farei construir um convento de
franciscanos na vila de Mafra.
José Saramago, Memorial do Convento

 Exercício elaborado com base em MATEUS, Maria Helena Mira, et alii, 2003.

Gramática da Língua Portuguesa. Lisboa: Caminho (6.a edição)

31 maio 2012

Os Lusíadas

Relativamente às dúvidas suscitadas e pedidos feitos, volto a publicar as informações de síntese da matéria, incluídas nos nossos PPT usados no 1º período.

Mas atenção: mais do que andar a repetir publicações, é preciso é estudar, rever, treinar!
A epopeia tem, por natureza, um carácter eufórico e de exaltação das façanhas do herói (individual e colectivo, no caso d’Os Lusíadas).
No entanto, Camões – com lucidez e espírito crítico – revela o seu desencanto frente a uma pátria “mergulhada numa austera, apagada e vil tristeza”, intervindo criticamente e/ou didacticamente, sobretudo no final dos cantos.   
  
CAMÕES FAZ REFLEXÕES CRÍTICAS / ADVERTÊNCIAS dirigidas a:
Ø Canto I – Insegurança e fragilidade da vida: “(…)Onde terá segura a curta vida/Que não se arme e indigne o Céu sereno/Contra um bicho da terra tão pequeno?” (C.1, 106)
Ø Canto IV – Ambição e ousadia dos navegantes e suas previsíveis consequências nefastas, a exemplo de Adão, Prometeu, Ícaro; a evidência deste arrojo como próprio da “humana geração”, essa “estranha condição”. (IV, 104)

Ø Canto V – Falta de interesse pelas Artes e as Letras: “(…) não se ver prezado o verso e a rima/ Porque quem não sabe arte, não na estima.” (V, 87); o mesmo motivo será repetido nos Cs. VII e X.
o  Adverte para que os heróis devem às Musas a sua fama, ou seja: o verso/a rima são necessários à imortalização dos heróis: “ Às Musas agradeça o nosso Gama/O muito amor da pátria, que as obriga/A dar aos seus, na lira, nome e fama”
Ø Canto VI – Censura da inacção, do luxo; crítica aos que dormem à sombra dos antepassados, aos que se acomodam;
·     Advertência de que a honra só se alcança com virtude e acção. Necessidade de “árduo sofrimento”, de “trabalhos graves e temores”, do buscar com “seu forçoso braço” a “fama” e as “honra imortais e graus maiores”; (VI, 95-97)
Ø Canto VII – Ingratidão da pátria perante o seu mérito; Camões – “Numa mão sempre a espada e noutra a pena” – lastima a falta de “prémio” (reconhecimento) por parte “daqueles que (…) cantando andava”;
Ø Canto VIII – Poder corruptor do dinheiro; este “faz traidores e falsos os amigos”, “A mais nobres faz fazer vilezas”, “Os juízos cegando e as consciências”, “faz e desfaz leis”; o dinheiro “corrompe” e “ilude”; (VIII, 96-99)

Ø Canto IX – Censura das “honras vãs” -  cobiça, avareza e tirania infame – que “verdadeiro valor não dão à gente” por oposição às “riquezas merecidas” [leis justas; feitos de armas]; (IX, 92-94)
·Advertência de que o ócio transforma o livre em escravo: “Se quiserdes no mundo ser tamanhos, / Despertai já do sono do ócio ignavo [indolente], / Que o ânimo, de livre, faz escravo.”
Ø     Canto X – Cansaço de cantar “a gente surda e endurecida”; Crítica à cobiça, avareza e tristeza moral da pátria: “metida no gosto da cobiça (…) apagada e vil tristeza”

MENSAGEM

Ø   É publicada num momento que o poeta considera triste, de falta de arrojo criador, de crise de identidade nacional

Ø   Conjuga características da épica e da lírica:

§    Épica: matéria histórica/glorificação dos heróis
§    Lírica: expressão da subjectividade do “eu”; “sonho de um sonho”; leitura interpretativa e pessoal 
Ø    Tem um carácter:

o   Profético

Ø A profecia do V Império, com dimensão espiritual;

Ø A presença de um sebastianismo renovador;

Ø D. Sebastião como figura tutelar e inspiradora


o  Simbólico e mítico – valorização duma leitura mítica da História de Portugal, carregada de simbologia:


Ø Sinais, avisos, sagrações…
Ø Elementos da mitologia, da heráldica, das sociedades secretas

o  Esotérico

Ø  O poeta surge como: mediador, voz, profeta: estabelece a ligação entre Deus e os homens, na revelação dos mistérios divinos de Portugal.


Ø O poeta, tal como a pátria, tem uma missão sagrada.

Ø             O            O herói (arquétipo do português)  é:

·      Consagrado a uma missão

·     Agente de uma vontade transcendente e divina
·     Capaz de estar à altura, de ler os sinais e agir em conformidade:


Ø  Sente-se impelido/ é chamado


Ø  Planeia/ sonha


Ø  Age


·     As figuras históricas que desfilam na Mensagem valem pelo ideal que representam: valentia, arrojo, previsão, fé, «loucura», sentido de missão…


Ø Visão sacrificial e empreendedora da heroicidade: “Quem quer passar além do Bojador/Tem de passar além da dor”; “Valeu a pena? /Tudo vale a pena/Se a alma não é pequena.”, “O esforço é grande, o homem é pequeno”

28 maio 2012

Memorial - adaptação teatral



Para quem não foi à visita a Mafra - oportunidade para ver um pouco da peça.

Para quem foi - para recordar.

Tem:
2 filmes
música original
síntese do espetáculo e comentários

07 maio 2012

A História e a identidade portuguesa



Aqui fica um texto que vos servirá simultaneamente para compreender melhor a identidade literária de José Saramago e a sua projeção internacional, bem como exemplo de um texto expositivo devidamente estruturado.



Imagem do cenário da opera Blimunda

O Mundo Literário de José Saramago Kim Yong-Jae Departamento de Português da Universidade de Pusan, Coreia do Sul
Esforço em fazer  reviver a História e identidade portuguesa  através de uma nova linguagem 

O Mundo Literário de José Saramago é constituído por quatro elementos fundamentais: Primeiro, a dúvida do homem moderno numa dupla lógica de assumir uma posição crítica sobre o passado e, ao mesmo tempo, aprender com o passado. Segundo, a introdução dos elementos sobrenaturais, ou seja, fantásticos, não se distanciando, no entanto, do mundo real. Terceiro, a tentativa de uma nova linguagem que altera a sua expressão gráfica e pontual, respeitando a sintaxe da narrativa comum. Por último, a viagem não só no mundo real, mas também no interior do Homem através da imaginação. Com estes elementos de 'tempo', 'sobrenatural', 'torrencialidade da narrativa' e 'a viagem' que se interpenetram as suas obras procuraram a utopia através de alusões alegóricas, críticas e éticas.

Assim, Saramago tem vindo a tentar, nas obras publicadas desde "Levantado do Chão", a harmonia entre a realidade e a imaginação através de trabalhos que pretendem unir numa só empreitada os planos expressivos da fala, do pensamento e da escrita. (...)


Na realidade, utiliza só vírgula e ponto final, não distinguindo discursos directos e indirectos, de modo que os seus romances têm de ser lidos diferentemente dos outros romances. Isto significa que o texto exige uma atenção especial aos leitores, dando-lhes a impressão de estarem envolvidos directamente no mundo real e, ao mesmo tempo, fictício, ambos construídos nas suas obras.

Para além do elaborado trabalho de linguagem, Saramago aborda profundamente os problemas de Portugal contemporâneo e da identidade do povo lusitano. Além de apresentar o rumo que Portugal deverá seguir e a sua visão do mundo, Saramago procura a identidade do homem perdida na sociedade moderna. Talvez através do seu estilo torrencial, que às vezes o toma difícil de ler, esteja a procurar a identidade de Portugal após a sua adesão à União Europeia.


Concluindo, a grandeza das obras de Saramago reside no esforço de evocar a História e a identidade da 'pátria perdida', juntamente com a procura de uma nova linguagem literária em que se afirma o seu espírito experimental.
Publicado na Camões, Revista de Letra e Culturas Lusófonas, Número 3· Outubro-Dezembro de 1998, disponível no sítio do Instituto Camões, URL: http://www.instituto-camoes.pt/revista/mundliterjs.htm, acedido em 7 d emaio de 2012.



De realçar que a obra de J. Saramago está traduzida em 42 línguas, nos seguintes países:

Albânia, Alemanha, Argentina, Áustria, Bangladesh, Bósnia-Herzegovina, Brasil, Bulgária, Canadá, China (em Mandarim e em Cantonês), Colômbia, Coreia do Sul, Croácia, Cuba, Dinamarca, Emiratos Árabes Unidos, Eslováquia, Eslovénia, Espanha (em Castelhano, Catalão, Valenciano e Euskara), Estados Unidos da América, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Guatemala, Hungria, Índia (em Índi, Malayam e Bengali), Irão (em Farsi), Iraque, Islândia, Israel, Itália (em Italiano e Sardo), Japão, Letónia, Lituânia, Macedónia, México, Montenegro, Noruega, Países Baixos, Perú, Polónia, Reino Unido, República Checa (em Checo e Eslovaco), República Dominicana, Roménia, Rússia, Sérvia, Síria, Suécia, Suíça, Tailândia, Taiwan, Turquia, Uruguai. 

Imagens (3): Noémia Santos - Exposição "José Saramago: a consistência dos sonhos", sobre Vida e Obra de José Saramago, no Palácio da Ajuda.


03 maio 2012

Pragmática - Coesão textual

A pedido de vários alunos, relembra-se alguns elementos essenciais relativos à pragmática textual, isto é, à forma de garantir - em termos práticos - que um texto é articulado e coeso.
Não dispensa o regresso à gramática e aos exercícios.


Coesão textual

Dizemos que um texto é coeso se as suas diferentes partes constitutivas estão articuladas e interligadas, garantindo a sua unidade semântica.

A coesão textual pode ser assegurada através dos vários mecanismos linguísticos:
— cadeias de referência;
— repetições;
— substituições lexicais;
— conectores interfrásicos;
— compatibilidade entre informações de tempo e de aspeto.

Cadeias de referência
Estamos perante uma cadeia de referência quando, num texto, há um ou vários elementos textuais sem referência autónoma. A sua interpretação está, obrigatoriamente, dependente de outra expressão presente no texto.
1) Amava, amava as mulheres com sensualidade, estima e ternura. Sinceramente me julgava, perante elas, um sensual, um sentimental e um idealista. Decerto me não tinham inspirado grande ternura ou respeito as que até então fisicamente amara. Mas até essas, não pudera amar (amar da maneira que qualifiquei) sem uma ponta de afectividade (...). (J. Régio, O Vestido Cor de Fogo)*
A expressão nominal as mulheres e os pronomes elas, as e essas formam uma cadeia de referência, uma vez que o referente dos pronomes é o mesmo do da expressão nominal. Todas as expressões reenviam para a mesma entidade extralinguística.**
Podem integrar as cadeias de referência:
  • as anáforas
  • as catáforas
  • as elipses
  • a co-referência não anafórica.
Anáfora: expressão cuja interpretação depende de uma outra expressão presente no contexto verbal anterior.
(2) Ao longe, no alto mar, há ainda o exercício da pesca. Há lá homens. Não os vejo. (V. Ferreira, Até ao Fim)



O pronome pessoal oblíquo os remete para uma expressão referida anteriormente no discurso (homens), sendo, por isso, uma anáfora.
Catáfora: expressão cuja interpretação depende de outra presente no contexto verbal que vem imediatamente depois.
3) Com o meu irmão tudo foi diferente, sabe, as mulheres preferem-nos, aos filhos. (A. P. Inácio, Os Invisíveis)



O pronome pessoal os (nos) remete para uma expressão que aparece posteriormente no discurso (os filhos), sendo, por isso, uma catáfora.
Elipse: omissão de uma expressão recuperável pelo contexto, evitando assim a sua repetição.



Co-referência não anafórica: existe co-referência não anafórica quando duas ou mais expressões linguísticas remetem para o mesmo referente, não havendo dependência referencial de uma em relação a outra(s).
Coesão lexical
A coesão lexical pode ser realizada através de:
Repetição
Substituição lexical: para evitar repetições desnecessárias, pode substituir-se uma unidade lexical por outras que com ela mantenham relações semânticas de sinonímia, antonímia, hiponímia e hipernonímia.



Coesão interfrásica
A coesão de um texto depende da interdependência semântica entre as frases que o constituem, podendo ser assegurada através de diferentes tipos de conectores.
Desempenham a função de conectores palavras ou expressões que asseguram a ligação significativa entre frases/orações ou partes do texto, especificando o tipo de conexão existente (causa, tempo, contraste...). Assim, estes elementos são pistas linguísticas que guiam a interpretação do leitor ou ouvinte.
Podem funcionar como conectores:
— conjunções e locuções coordenativas e subordinativas (porque, no entanto...);
— advérbios conectivos (agora, assim, depois...);
— adjectivos (bom...);
— verbos (quer dizer...);
— grupos preposicionais/locuções adverbiais (pelo contrário, do mesmo modo...);
— orações (para concluir, pelo que referi anteriormente...).
* * Exemplos recolhidos no sítio «Apoio a Português», http://apoioptg.blogspot.pt/2007/04/coeso-textual.html, consultado em 3 de maio de 2012

28 abril 2012

Correções e sugestões de escrita

Grupo III do Teste Felizmente...

Conforme prometido, ficam aberturas de textos contidas nos textos de desenvolvimento de vários colegas. São bons arranques. Depois é só não perder o fio à meada, seguindo o esquema que treinámos ou outro que seja eficaz.



Grupo III do teste

Melhor título:

"Direito ao futuro" Mariana


Exemplos de 1º parágrafo:

"A geração precária de hoje tem muitas ideias e convicções. Mas estas apenas terão repercussões quando as outras gerações perceberem que as ideias e reivindicações desta geração são as mesmas que as suas, apenas com nomes e cores diferentes. Nós, enquanto cidadãos, temos todos a nossa quota de responsabilidade cívica." Ana Marta

"Após o 25 de abril de 1974, todos os portugueses ganharam iguais direitos e deveres cívicos, capacidade de escolha e oportunidade de se manifestarem contra o que os incomoda. Hoje parece que os portugueses o esqueceram. Vejamos: o voto não é apenas um direito, é também um dever cívico e moral; e Portugal tem uma vergonhosa taxa de abstenção. Afinal, como é possível reclamar, quando não damos opinião quando se trata de escolher alguém que pretendemos que nos represente. " Ana Catarina

"A construção do futuro é agora." Eda

"O homem não é caracterizado pela sua conformidade, mas pela sua liberdade de ação e de pensamento, pela sua capacidade avaliativa e crítica. " (é o 2º par., mas tem mais força) Inês Vieira

"A responsabilidade cívica é uma categoria essencial para a construção e desenvolvimento do ser humano, bem como para a socialização e construção do futuro." Inês Pereira

"A responsabilidade cívica e a importância da construção de um futuro é o assunto que mais desassossega o povo português, pois as referidas gerações precárias encontram-se no desemprego ou a trabalhar a recibos verdes, com mais direitos que deveres." Joana Vieira

"Todo e cada cada cidadão português tem o direito de, se assim o quiser, poder escolher o seu representante político: tem direito a votar. Este voto que agora se poder expressar foi o resultado de décadas de lutas por direitos cívicos para todos, homens e mulheres. Nas últimas eleições houve metade do país que prescindiu deste direito." Jéssica

" O ser humano  detém uma responsabilidade imensa na construção do futuro da sua sociedade. (...) Somos uma espécie com características cognitivas excepcionais e não nos podemos limitar a ser meros recipientes passivos dos padrões culturais que nos são transmitidos pelos nossos progenitores. Temos de alterá-los , interpretá-los, modificá-los. Estamos dessa forma a fazer uso da nossa liberdade e consciência. " José

"Em suma, só iremos construir o nosso futuro coletivo se tomarmos, urgentemente, parte ativa no nosso país." João D



E, agora, finais de textos. Claro que só fazem sentido conhecendo o resto. Todavia, creio que valem a pena.


"Por isso, temos de ser otimistas, olhar para trás e ver o que o nosso povo já sofreu e o que fez para ultrapassar esse sofrimento; temos de nos agarrar a essa vontade de mudar o nosso futuro (...) como as gerações passadas fizeram." Rafael

"É esta atitude de determinação e vontade que temos de assumir para construir  um futuro melhor, baseado na consciência crítica e na responsabilidade cívica. Como Miguel Carvalho enfatiza (...) a  construção do futuro passa pelo ensinamento das gerações futuras de que as lutas do presente são também as suas lutas." Raquel

"Concluo que é da responsabilidade de cada um de nós ajudar na construção de um futuro melhor (...) com base na resolução de problemas e não no seu adiamento, pois acabará por afectar todas as gerações e não apenas uma." Joana V. 





27 abril 2012

Coragem e determinação de lutar contra a adversidade



“Felizmente há luar” é uma peça de Sttau Monteiro que visa a reflexão sobre a época da escrita - 1961 -  através duma história sobre os conflitos entre grupos sociais em 1817; mas como se vivia em ditadura, a censura impediu a representação da mesma.


Na obra, são feitas diversas críticas a aspetos da sociedade da época, como o autoritarismo dos governantes, a opressão das classes dirigentes, o oportunismo, e imoralidade dos denunciantes que se vendem por um cargo político ou por dinheiro. Todavia o papel dos justos é reforçado por meio da coragem e da honradez reveladas, revigorando a luta pelas suas convicções independentemente das consequências que possam sofrer.

Porém os problemas denunciados na peça perduraram até à revolução de 25 de Abril que trouxe, a liberdade e a democracia. Desde então houve um disparo tecnológico e cientifico que trouxe melhor qualidade de vida para todos. Contudo, alguns problemas persistem como o da falta de determinação dos populares face à injustiça, já que facilmente se deixam enganar pela oratória dos políticos, que têm como objectivo a manipulação do povo em face das realidades do país.
Temos de agir para mudar e dizer não à demagogia política e ter coragem e determinação de lutar contra a adversidade, pois, bem vistas as coisas, a revolução dos cravos apenas nos trouxe liberdade, e não o fim das injustiças, porque elas ainda duram.

Mariana Freitas 12ºB




Mariana (mas como lição para todos)

Atenção à construção frásica: o texto tem de ser coerente e ter coesão sintática - a aspetos da sociedade da época, como o autoritarismo dos governantes, a opressão das classes dirigentes, o oportunismo e imoralidade dos denunciantes que se vendem
E
da sua coragem e da honradez
E
que trouxe, a liberdade e a democracia - não há /, / entre o predicado e os complementos

Só nestas frases perdias 10 pontos,  um valor!!!

Felizmente há Luar! e o tema da injustiça

A injustiça está presente em todas as sociedades existentes até aos dias de hoje, podendo apresentar-se sob formas mais ou menos notórias. A injustiça de carácter social é das mais preocupantes, pois não afecta um indivíduo, nem dois, mas na maioria das vezes, uma parte claramente significativa de uma sociedade. Sendo a parte afectada uma amostra tão representativa porque razão não age esta em prol da sua própria justiça? A resposta a esta questão reside no facto de em todas as sociedades, tal como existe um grande grupo de injustiçados, existir também um pequeno grupo constituído pelos restantes – os injustos. Os poderosos da sociedade fazem geralmente parte deste pequeno grupo, pois dificilmente teriam chegado a tal patamar se fossem “homens de bem” como Matilde nos diz em Felizmente há Luar!; os justos são os outros desgraçados que arcam com os dizeres e vontades destes.

Não haveria injustiças se os injustos não tivessem poder, pois sem poder nada poderiam fazer contra os mais fracos que são o seu aperitivo preferido. Mas não é isto que se verifica e assim se cria um ciclo vicioso, os poderosos cada vez mais poderosos (e normalmente ricos) e os fracos cada vez mais injustiçados (e normalmente pobres), tornando-se infindável a injustiça na sociedade. Era isto que acontecia com a escravatura: os de classes superiores utilizavam os nativos para trabalharem para eles sem qualquer remuneração ou oferta de condições mínimas. Os nativos ficaram cada vez mais sem direitos sobre si próprios, tornando-se escravos e miseráveis; enquanto os «senhores» enchiam os bolsos e ganhavam prestígio social.

Luís de Sttau Monteiro retrata também este tema na sua peça Felizmente há Luar! , por vezes através das longas e interpretativas didascálicas - “Esta personagem está andrajosamente vestida” – ou pela própria voz das personagens como é o caso de Manuel, um popular – “E ficamos pior do que estávamos… se tínhamos fome e esperança, ficamos só com fome…”- ou Beresford um dos «conscienciosos governadores do reino» - “Senhores, afirmo-vos em nome dos meus 16 000 & 00 anuais, que farei tudo o que for necessário para os continuar a receber!”.

Hoje em dia não há escravatura nem uma sociedade tão fechado como a do século XIX, mas continua a existir divisão da sociedade em classes sociais e esta é uma das mais graves formas de injustiça.

Trabalho realizado por (12ºB):
José Freitas
Inês Vieira



Inês e José

Este texto não tem uma argumentação com a solidez do anterior. Incorrem numa causa possível das injustiças que é um raciocínio facilmente desmontável. Assim:

A frase "Não haveria injustiças se os injustos não tivessem poder" supõe que as pessoas são injustas [ou justas] à partida e em consequência disso nasce o resto.

Ora o que a peça - e a vida - nos dizem é que a justiça ou injustiça tem a ver com as ações e as circunstâncias: os governadores do reino são «injustos» porque exercem o poder de forma reprovável e de maneira a perpetuar as injustiças que os mantêm no poder.

Também o exemplo da escravatura parece demasiado distante. Podem optar por formas menos contrastivas e mais recentes de realçar situações de perpetuação das injustiças sociais.

Deem um jeito para melhorar.
Bons textos!
ns


A luta pela liberdade é o motor da evolução

«A liberdade é um direito e um dever de todos nós. Consiste em podermos opinar e realizar os nossos próprios juízos sobre nós mesmos e sobre o mundo que nos rodeia. Ser-se livre não é apenas fazermos aquilo que quisermos, mas querer-se aquilo que se pode e ambicionar o que não se pode. O mundo, a sociedade, a cultura nunca conseguirá evoluir se não passarmos de meros recipientes dos padrões culturais que nos foram transmitidos; é necessário analisá-los, interpretá-los e, em certos casos, rejeitá-los .

Felizmente, hoje Portugal é um país livre. Tal facto deve-se aos que lutaram contra a demagogia, tirania e opressão dos governantes da pátria. Muitos dos que defendiam estes ideais não conseguiram ser mais do que um mero estímulo para outros que partilhavam dos mesmos ideais, devido ao facto de terem sido condenados pelo poder. Contudo, foi este estímulo que impulsionou os corajosos que provocaram a “revolução dos cravos” no dia 25 de Abril de 1974 e é graças a eles que hoje vivemos num país democrático.

Luis de Sttau Monteiro retrata na sua obra uma época de totalitarismo político. O mesmo, que refere “A liberdade é sagrada”, demonstra o modo como aqueles que detêm o poder controlam, manipulam e condicionam a liberdade daqueles que pensam ser ameaçadores dos seus cargos políticos. São os determinados, os corajosos, os heróis que conseguem com o passar do tempo e com muito sofrimento derrotar aqueles que proíbem o direito à liberdade.

A liberdade é uma característica inerente à condição de Homem, sem ela não passaríamos de meros animais estáticos e dependentes das mudanças da natureza. A liberdade confere ao homem a capacidade de mudança, de adaptação do meio às suas necessidades e vontades. A luta pela liberdade é o motor da evolução: devemos sempre lutar pelos nossos princípios e defender as nossas ideias, independentemente das consequências que daí possam surgir. Deixar que se apoderem da nossa liberdade é retirarem-nos a nossa própria condição de Homem que nos foi naturalmente incutida, e é o segundo maior crime, pois o primeiro é nosso por deixarmos que o façam.»


Trabalho realizado por (12º B):
José Freitas
Inês Vieira