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05 junho 2008

Temas para pensar e escrever



Trago para aqui a edição já anteriormente disponibilizada com alguns endereços electrónicos com informação actualizada e fiável sobre os temas escolhidos pelas turmas, para reflexão e escrita:
  • ambiente e temas associados - energias renováveis; energia nuclear...
  • direitos humanos e voluntariado
  • protecção de dados; segurança e privacidade dos cidadãos

Aproveitem bem os textos/as informações; encontrarão desde leis a artigos de opinião. Todos os sítios são portugueses, à excepção de um, em Português do Brasil (crítica ao filme Uma Verdade Inconveniente).


Ambiente

http://www.energiasrenovaveis.com/

Glossário sobre energias renováveis
http://www.energiasrenovaveis.com/Glossario.asp?ID_area=19&tipo_area=Null

Definição dos tipos de energias renováveis: "física e química para quem se lembrou hoje que o teste é amanhã!" (fabuloso título!)
http://web.educom.pt/fq/energia/renovaveis.htm

Relatório sobre ambiente - Portugal, 2006 : dados, gráficos, conclusões
http://www.iambiente.pt/portal/page

Várias artigos/opiniões, num blog do Prof.Dr. Carlos Fiolhais e colaboradores
http://dererummundi.blogspot.com/search/label/

Livros sobre Ciência
http://www.cienciaviva.pt/diga/

Livros sobre energias renováveis
http://www.energiasrenovaveis.com/html/canais/biblioteca.htm

"Blog" - opiniões sobre energias renováveis
http://opiniao.energiasrenovaveis.com/

Muitos artigos, entrevistas... sobre ambiente
http://www.youngreporters.org/article.php3?id_article=1466

Crítica ao filme Uma Verdade
http://www.cineplayers.com/critica.php?id=846

Direitos Humanos e Voluntariado



A mais completa lista de textos nacionais e internacionais sobre Direitos Humanos http://www.gddc.pt/direitos-humanos/textos-internacionais-dh/universais.html

Lista de ligações úteis sobre o tema (organizações, conceitos) http://www.fd.uc.pt/hrc/enciclopedia/links.htm

ONU - maior organização intrenacional ligada aos direitos humanos

http://www.un.org/english/

Voluntariado Jovem em Portugal http://www.voluntariadojovem.pt/Projectos/Projectos_pesquisa.asp

Portal europeu da Juventude - Voluntariado europeu http://europa.eu/youth/volunteering

Bolsa de Voluntariado http://www.bolsadovoluntariado.pt/home_voluntario.html

Instituto Português da Juventude

http://juventude.gov.pt/Portal/IPJ/OQueFazemos/Protocolos/Voluntariado/


Privacidade, Direitos do Cidadão, Protecção de Dados


Comissão Nacional de Protecção de Dados

http://www.cnpd.pt/bin/faq/faqcidadao.htm

Lei de protecção dados pessoais
http://www.apdt.org/guia/L/Ldados/lei6798.htm

Novo Cartão do Cidadão (inclui Vídeo de divulgação)
http://www.cartaodecidadao.pt/

Videovigilância nas escolas
http://www.netprof.pt/netprof/servlet/getDocumento?TemaID=NPL0134&id_versao=16156
http://www.escola.gov.pt/projectos_v_descricao.asp

http://dn.sapo.pt/2005/09/14/nacional/pedidos_videovigilancia_duplicam_por.html

O percurso é:

Consultar os sítios. Retirar informação pertinente. Elaborar uma rede semântica necessária ao tratamento do tema. Ponderar a posição a defender. Fazer um plano, por tópicos. Escrever, garantindo: Introdução, desenvolvimento e conclusão (sem pôr estas palavras, claro; deve perceber-se que é conclusão; estar lá escrito que o é, não muda nada).

Boas Leituras!

Excelentes escritas!

01 junho 2008

Opiniões sobre a peça "Felizmente há Luar"

Luís de Sttau Monteiro foi um homem inteligente. Esta peça retrata o que aconteceu em 1817, numa época em que não era nascido, e serve de crítica ao poder, daquela altura, mas não só!

A obra foi escrita em 1961, durante o regime de Salazar, o ditador. Nessa altura, o povo vivia oprimido, sem "liberdade de expressão", sem direitos, sem nada! O poder "dominava" a seu bel-prazer, fazia o que queria, havia a polícia política (PIDE) que prendia todas as pessoas que podessem ser incómodas ao poder, e os seus ideais para o povo era que se mantivesse no seu "cantinho", com muita disciplina à mistura. Não se sabia o significado da palavra democracia. Salazar "ditava", o povo obedecia...a bem ou a mal!
Até que o escritor Luis de Sttau Monteiro, recuou uns anos no passado e "encontrou" uma época em que o clima vivido era semelhante ao da sua altura, e escreveu a obra, falando do passado, mas tratando do presente.
É então feita uma comparação entre as duas épocas, o que foi escrito acerca do que se passou em 1817, adapta-se perfeitamenete ao que na altura se passava em 1961. A intenção do autor era que o povo tivesse consciência do "meio" em que vivia, e que por sua vez "metesse mãos à obra", fizesse alguma coisa. Era como se estivesse a pedir ao povo que se revoltasse. Mas também é claro que os membros do poder não eram estúpidos e perceberam a intenção do autor,e, por isso, prenderam-no e proibiram a representação da peça. O resto estava nas mãos do povo.

Mais tarde, em 1974, ocorreu a Revolução dos Cravos, com Sttau Monteiro a ter uma quota-parte de "responsabilidades". O mínimo que tenho a fazer é agradecer ao autor...Um profundo e sincero Obrigado!
Carlos Gonçalves, nº4,12ºH
15 de Maio, 2008



Representação da peça - os "três conscenciosos governadores do reino"

"Felizmente há luar" retrata a vida em Portugal na segunda década do século XIX e conta algumas situações a que o povo estava sujeito. Denuncia toda a repressão, toda a injustiça, todo o controlo, toda a insegurança existentes na altura da Conspiração de 1817.
Com imenso recurso à ironia (o que torna a peça muito engraçada e agradável de se ler/assistir), Sttau Monteiro caracteriza a sociedade da época: a injustiça dos orgãos do poder, o povo ao qual não era atribuida qualquer importância, a insegurança do povo, pois os denunciantes poderiam ser qualquer um dos que que se encontrasse por perto.

Esta peça baseada em factos históricos passados logo após as invasões francesas aqui em Portugal, acaba também (e agora sim, a verdadeira intenção do autor) por ser uma forte crítica ao regime que se vivia na época da publicação da peça: o regime salazarista. Sttau Monteiro pretende assim que as pessoas ao assistir à peça (o que só foi possível depois do 25 de Abril, porque a Censura proibiu-a) se identifiquem com as personagens, que reconheçam aquelas situações como actuais para assim terem real consciência da injustiça em que vivem e da repressão de que são vítimas, e para que no fim fique na memória a frase de Matilde. "Felizmente há luar", ou seja, felizmente a lua ilumina a noite para que todos possam ver a injustiça em que vivemos e quem sabe...ganhem coragem para se revoltarem.
Susana Filipe, nº14, 12ºJ

Palavras escritas sobre Felizmente...

Actriz representando a personagem de Matilde

Matilde é uma das personagens mais corajosas da peça, é sem dúvida o símbolo maior da mulher que ama e sofre por amar, da mulher corajosa, denunciadora das heresias da igreja e da política, da mulher que arrisca tudo para estar ao lado do "seu herói", uma mulher que só começa a ganhar consciência do país onde vive quando o seu herói é traído pelos seus próprios e é preso, como o cabecilha da rebelião que se conjurara contra a tirania. É então que, indo pedir auxílio para o seu homem, Matilde, profere uma das melhores "falas" da peça, fala essa carregada de ironia, pois tudo o que afirma é exactamente o contrário do que lhe passa no coração, são os valores contrários aos que defende, pois Matilde, a mulher destemida, acredita sim, na verdade; acredita sim, na honestidade, na bondade e na simplicidade acima de qualquer mentira ou qualquer bolsa cheia de moedas ou qualquer fato, por mais respeito que ele traga.
Daniela Félix, nº8, 12ªH

Principal Sousa, representante da igreja, símbolo da convivência da igreja e do poder político, conservador extremista, católico e beato a cem por cento, acha que o povo deve estar e continuar onde sempre esteve e onde sempre foi o seu lugar: a trabalhar, em paz, com a família e com Deus Nosso Senhor sempre presente em suas almas, pois não se quer cá ovelhas negras a espezinhar o quintalinho da Europa que é Portugal. Principal Sousa é então defensor de que os homens não precisam de saber ler nem escrever. Para quê? Para tratar da horta não será necessário de saber ler e muito menos escrever e há que tratar das almas impuras que por essas aldeias têm essa ideia, digna do Diabo.
Daniela Félix, nº 8, 12º H

D. Miguel Forjaz, símbolo do poder político, rege-se pelas principais "ordens", como Deus, Pátria, Família, Hierarquia, Autoridade e Paz Social; defensor extremista destes valores, deseja acabar com todos os arruaceiros, que ousam defrontar o seu poder e a ordem. Não lhe interessa quem leva à fogueira, não lhe interessa quem será o homem que perderá a vida, só lhe interessa que esse homem sirva de exemplo para todos os outros, quer que o cheiro a carne queimada fique para sempre na memória do povo, para que mais ninguém se atreva sequer a pensar, em liberdade, em revoltas, em nada que perturbe a paz e a ordem de Portugal. "Há que provocar esse ardor", há que deixar de exemplo Gomes Freire de Andrade, como o lutador ou guerreiro da liberdade, que acabou queimado na fogueira.
Daniela Félix, nº8, 12ºH

Os tambores, nesta peça, representam uma espécie de ameaça, assim que estes se ouviam o povo recolhia-se e de imediato se calava, mostrando o clima de terror que se vivia então. Neste excerto ("D. Miguel - E agora, meus senhores, ao trabalho. (...) Há que fazer tocar os tambores pelas ruas para se criar um ambiente de receio"), em especial, os sons são muito importantes, na percepção da cena em si, pois sem estas experiências sonoras será bem mais difícil apercebermo-nos do clima de tensão vivido; e são muitos os exemplos: "bramar contra os inimigos de Deus", "dizer aos soldados"; "fazer tocar os tambores"; "os sinos das aldeias a tocar a rebate, a fanfarra"; "os frades aos gritos nos púlpitos"; afinal, "há que incendiar as almas de terror e de medo".
Daniela Félix, nº8, 12ºH

General Gomes Freire de Andrade

07 maio 2008

Trabalho sobre a peça

As bases para a aula de hoje são:

- a peça "Felizmente há Luar";
- o post anterior do blog, com o título "Felizmente há Luar", e as ligações indicadas.

O objectivo é preparar o exercício da próxima semana, através de:
- análise da peça
- redacção de um texto de síntese
- redacção de um texto de opinião.

A Organização:
Organizem-se em grupos de 3-4 pessoas, cada uma com um computador.

O trabalho:

1. Ler o texto do Teatro A Barraca sobre a peça FHL e:
1.1.Registar em "comentário" a síntese do 1º e do 2º actos, com base nesse texto.

2. Ver as várias fotos no "site" da Barraca sobre a encenação de FHL e trocar opiniões sobre as mesmas.

2.1.Escrever um texto de opinião fundamentada sobre as opções de guarda-roupa, apontando outras soluções possíveis.

3. Abrir o "Questionário FHL, para treino". Ler questões 1 a 10.

3.1. Responder, em "COMENTÁRIO", às questões 1 a 10.


NOTA: Deverei receber tantos trabalhos quantos os grupos. Registem os nomes.

Bom trabalho.
T.P.C.
Responder individualmente, no "blog" ou no caderno diário, às cinco perguntas sobre o contexto da peça, colocadas no post anterior ("Responde agora").


Noémia Santos
06 Maio, 2008 19:59

29 abril 2008

Uma boa surpresa


Na semana passada, tivemos a alegria da visita do nosso Diogo Gomes. Como se vê pelas nossas caras, ficámos muito contentes com a surpresa. Foi um corrupio para a sala 38 - alunos e professores, actuais e antigos, não quiseram perder a oportunidade.
À tua, Diogo!
Vai dando notícias. No caso de dúvidas da matéria, manda-as para aqui, que eu respondo-te para o e-mail.

16 março 2008

Livros e leituras

Os candidatos (do secundário) da nossa escola ao Concurso Nacional de Leitura - Provas Distritais - são todos do 12º B: a Ângela, o João T. e o Luís .
Aqui está a turma toda a partilhar as leituras e a ajudar os colegas.





12 de Março de 2008
Eis os livros:
A voz dos deuses, de João Aguiar
O meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos
Desconhecido nesta morada, de K. Taylor
Por falar em livros, aqui ficam duas críticas feitas por colegas do 12º E.
O retrato de Dorian Gray é um romance (o único de Oscar Wilde) que conta a história de um jovem “Adónis” que se deixa pintar por Basil Hallward, um pintor que secretamente nutre um fascínio por si (Dorian) e que se deixa influenciar por um astuto Lorde (Lord Henry Wotton). Devido a esta influência, Dorian toma conhecimento da sua beleza e da efemeridade da sua juventude, e passa a invejar o seu retrato, desejando que este suporte o peso das suas acções e que Dorian por sua vez permaneça fisicamente imutável. Este desejo torna-se realidade e é em torno do mesmo que a acção se desenrola.


Para mim esta obra concentra nas entrelinhas uma crítica e uma mensagem para a sociedade Inglesa hedonística do século XIX, não só pela primazia dada à estética em desfavor da ética como também pelo sentido crítico e vazio que se dava à arte e que se verifica em frases presentes na obra, como: “ Os Ingleses são os que possuem em menor grau o sentido de beleza da literatura”; “Não fomos postos neste mundo para divulgar os nossos preconceitos morais” e “Tudo fora como a arte deveria ser: inconsciente, ideal e remota”. O que me remete para a ideia que Fernando Pessoa tinha em relação ao seu papel de poeta quando escreveu a Mensagem, a missão do escritor de “acordar” a sociedade, alertando-a para os seus erros e ensinando-a a libertar-se dos mesmos.

Este romance é aliciante não só pela história e pela magia dos personagens principais como pela deliciosa escrita; e usando as palavras do autor, neste livro “as metáforas são assombrosas como orquídeas, e igualmente subtis no colorido".
Existe na acção um gradual desenvolvimento da negritude da alma de Dorian, que de jovem ingénuo e puro se vai tornando num narciso vil e deplorável, graças à influência de Lord Henry que se viu aliciado e atraído a corromper um espírito tão fantástico, moldando Dorian como se de plasticina se tratasse. O facto de ser o quadro a envelhecer e a suportar o peso das suas acções, encoraja-o também a transpor cada vez mais limites. Aborda ainda questões como a angústia do ser humano de preservar a beleza e a importância dada à mesma, que constituem na sociedade moderna questões bastante pertinentes; assim como a influência que pessoas e coisas têm na nossa vida, neste caso Lord Henry com a sua personalidade dominante e o livro que este dera ao protagonista.
Não posso deixar de referir Lord Henry, uma personagem realista, e cruelmente deliciosa que me conseguiu atrair e influenciar com as suas magníficas, mas nem sempre correctas, teorias da vida, o que me levou a uma aproximação e compreensão da personagem principal. Admiração esta que, com o desenrolar da acção, foi dando lugar a um sentimento de pena pela solidão e pretensão de tudo saber que Henry possuía.


Para terminar tenho de referir o final genial da obra, simples, mas perfeito, em que certamente o acrescento de palavras apenas levaria à perda de toda a sua beleza. E como não há ninguém melhor para ilustrar a beleza de um livro que o seu próprio autor deixo aqui a minha opinião, muito positiva da obra, na esperança que suscite nos leitores da minha crítica a curiosidade pelo livro.

Marisa Oliveira, 12º E

Diário de Rutka
“O Diário de Rutka”, é um livro muito recente, sendo publicado pela Sextante Editora (com respectiva tradução).
Torna-se um pouco complicado, para mim, definir quem, na realidade se tornou mais importante para a obra: se a própria Rutka, a pequena judia polaca que produziu este diário em pequenos excertos que retratam o seu dia-a-dia, remontando ao terror vivido da Segunda Guerra Mundial na vida dos judeus; se a sua irmã Zahava (Laskier) Scherz, quem tornou pública a obra, como homenagem a Rutka. Alguns definem Rutka como “a Anne Frank polaca”. Se ambas escreveram sobre o terror do nazismo – nunca deixando de registar os típicos dilemas psicológicos das adolescentes – e se ambas morreram em campos de concentração (Anne Frank em Bergen-Belsen, aos 15 anos; Rutka em Auschwitz, aos 14), as suas semelhanças são algumas.
Embora, em algumas passagens se torne um pouco confusa, devido à situação em que vive, afirmando muitas vezes, não ser capaz de exprimir - para o papel - o fervilhar das sensações e emoções que vão dentro de si, Rutka demonstra ser, para a sua idade, uma “menina excepcionalmente inteligente e muito dotada pela escrita”. O mais arrepiante neste "notável documento humano", é a forma como Rutka alterna entre o relato dos pesadelos do gueto e as coscuvilhices do seu círculo de amigos; ou o brusco desabrochar da puberdade. A 5 de Fevereiro (1943), Rutka expressa medo, descrevendo as torturas, que levavam à morte os judeus da sua época (e também à sua), seja qual fosse a idade e o sexo, demonstrando igualmente a sua falta de fé: “Se Deus existisse, Ele não teria seguramente permitido que seres humanos fossem atirados vivos para fornos, nem que cabeças de criancinhas fossem esmagadas por cabos de pistolas ou amontoadas em sacos e gaseadas até à morte… Soa como uma ficção. Aqueles que não viram nunca hão-de acreditar. Mas não é uma lenda, é a verdade.”
Também a 6 de Fevereiro (1943), escreve estas linhas terríveis: “Algo em mim se destruiu. Quando passo ao pé de um alemão, tudo em mim se contrai. Não sei se é por medo ou por ódio. Queria poder torturá-los, e às suas mulheres e aos seus filhos, (...) estrangulá-los vigorosamente, mais e mais ainda.” Rutka foi deportada, juntamente com o seu irmão Hénius e sua mãe Golda Laskier, nas câmaras de gás, em Agosto de 1943.
É um livro bastante tocante, que faz de Rutka um grande testemunho do horror do Holocausto. Mas viver e sentir, passa além do imaginar. Como Rutka sinceramente o disse: “Aqueles que não viram nunca hão-de acreditar.”
Joana Matias12º E, nº 12

09 março 2008

Arte e Literatura




EXPOSIÇÃO NA LIVRO DO DIA



Interpretação Plástica de Grandes Obras/Autores

da Literatura Portuguesa


Na Livraria Livro do Dia estão em exposição um conjunto de esculturas, telas e desenhos dos colegas da turma 12º H (Artes)


Incluem esculturas e pinturas realizadas na disciplina de Desenho, associadas ao Frei Luís de Sousa, presentes na Exposição ocorrida na Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras, em 2007, bem como desenhos e pequenas telas realizadas (em 2007 e 2008) em Português, aquando do estudo de A Cidade e as Serras e Fernando Pessoa e seus heterónimos.


Vale a pena a visita!


Podem dar um bom pretexto para treinar o texto crítico/de opinião.


09 fevereiro 2008

Os Segredos da Natura



Contar-te longamente as perigosas
Coisas do mar
,
que os homens não entendem:
Súbitas trovoadas temerosas,
Relâmpados que o ar em fogo acendem,
Negros chuveiros, noites tenebrosas,
Bramidos de trovões que o mundo fendem,
Não menos é trabalho, que grande erro,
Ainda que tivesse a voz de ferro. (C.V,16)

Camões, em Os Lusíadas, como Fernando Pessoa, em Mensagem, apresentam uma visão sacrificial da heroicidade: para ser grande, para vencer as limitações do "fraco humano" é necessário lutar, esforçar-se, enfrentar os medos, ousar, apesar de sermos "bicho da terra tão pequeno".

C. V
18 - Vi, claramente visto (...)
as nuvens do mar com largo cano
Sorver as altas águas do Oceano.

19 - Eu o vi certamente (e não presumo
Que a vista me enganava) levantar-se
No ar um vaporzinho e subtil fumo,

E, do vento trazido, rodear-se (ver vídeo)



C.VI
Três marinheiros, duros e forçosos,
A menear o leme não bastaram;
(...)

74
Os ventos eram tais, (...)
Nos altíssimos mares, que cresceram,
A pequena grandura dum batel
Mostra a possante nau, que move espanto,
Vendo que se sustém nas ondas tanto.



Reflexões do Poeta

Camões - uma voz crítica



Mas eu que falo, humilde, baxo e rudo,
De vós não conhecido nem sonhado?
Da boca dos pequenos sei, contudo,
Que o louvor sai às vezes acabado.
Nem me falta na vida honesto estudo,
Com longa experiência misturado,
Nem engenho, que aqui vereis presente,
Cousas que juntas se acham raramente. (C.X, 154)

Camões, desenho de Júlio Pomar (acedido no sítio do Instituto Camões)


Para exemplificar o resultado do trabalho realizado em aula, destaco dois textos. Há mais em "comentários". É uma boa ajuda para quem precisa de saber mais e/ou compreender melhor este Plano.



As estrofes 96,97,98 e 99 do canto VIII estão incluídas no plano do poeta. Estas estrofes têm uma forte intenção crítica e fazem referência ao poder do dinheiro na vida das pessoas. O poeta diz que o dinheiro transforma os indivíduos ("Quanto no rico, assi como no pobre, /Pode o vil interesse e sede immiga/Do dinheiro, que a tudo nos obriga."estrofe 96 verso 6-8), que desde a antiguidade já se traía pelo dinheiro (" A Polidoro mata o Rei Treício, /Só por ficar senhor do grão tesouro; /Entra, pelo fortissimo edifício," estrofe 97 v. 1-3), faz esquecer o amor à pátria e aos amigos (" Faz tradores e falsos os amigos;(...) /E entrega capitães aos inimigos;" estrofe 98 v. 2 e 4), muda a justiça ("...este faz e desfaz leis;" estrofe 99 v. 2).
Este tema encontra-se actual, pois nos dias de hoje tudo se faz pelo dinheiro: na justiça o dinheiro paga as cauções, serve para fazer subornos, colocando os interesses pessoais acima de tudo e todos. O dinheiro apesar de ser necessário à sobrevivência também cria corrupção e muda as pessoas maioritariamente pela negativa.
Diogo Jorge
Diogo Bessa

Ivo
Rodrigo
12ºB
30 Janeiro, 2008 20:45


No final do Canto X, nas estrofes 145 a 148, Camões mostra o seu descontentamento a D. Sebastião (a quem a obra é dedicada) devido à pátria não reconhecer os seus feitos imortalizados através da arte, estando envolvida no materialismo - «no gosto da cobiça»:


O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Düa austera, apagada e vil tristeza.
Perante a consciência de que a pátria do presente já não possui um ideal de heroicidade e de virtude, o poeta apela a que este seja retomado pela acção do rei D. Sebastião e pelo exemplo dos antepassados, cantados pelo poeta ao longo de Os Lusíadas, pois o povo português merece, como se pode verificar nas estrofes 146 e 147 quando afirma que o rei é "Senhor só de vassalos excelentes".


O propósito é encorajar o rei a continuar a acção épica porque, a exemplo do passado, terá matéria humana que fará dele um vencedor e não um vencido: "Cometerão convosco, e não duvido/ Que vencedor vos façam, não vencido."


A reflexão do poeta tem actualidade na medida em que a sociedade do presente continua materialista, desvalorizando a espiritualidade, os ideais e as artes em geral. O ser português procura o caminho mais fácil, mais cómodo, vivendo da memória de um passado glorioso, sem nada fazer na prática para melhorar. Continuamos à espera de um D. Sebastião para libertar a pátria da crise em que naufraga.


Cristiana
David

Rute
12ºH
06 Fevereiro, 2008 21:52

Como vêem, há aqui matéria para discussão. Quem deita mais lenha na fogueira? Ou, pelo contrário, quem contesta esta visão negativa de Portugal?

04 fevereiro 2008

Vasco da Gama responde ao Velho do Restelo

E se... A história não tem "ses". Mas a ficção admite que possamos prolongar reflexões e levantar hipóteses.
Assim, ficou o desafio: E se Vasco da Gama resolvesse responder ao Velho do Restelo: Que razões daria para a partida?
O 12º H respondeu.
É certo que nos custa deixar as nossas familias, que tanto amamos, desamparadas; mas esta viagem há-de dar-nos muito prestígio e fará com que o orgulho sentido pelas nossas familias supere a dor da nossa ausência.

Ó respeitável velho, é de vosso conhecimento que o Norte de África não tem nada de novo e o espírito de descoberta é que nos "puxa" nesta aventura. O Norte de África está aqui tão perto, podemos conquistá-lo em qualquer altura, não requer de tanto esforço.

Tenho conhecimento dos dispendiosos custos desta expansão mas sei também que estão justificados, todos sabemos que a Índia é um território muito rico em especiarias, tecidos e tudo o que não temos cá. Eu e toda a minha tripulação iremos em busca deste objectivo e vamos consegui-lo. E depois de verem o prestígio que Portugal terá sentirão orgulho em mim, em todos os meus homens e em Portugal.

Somos um país pequeno, mas temos a capacidade para alcançar este objectivo. O caminho maritimo para a Índia é para nós uma garantia de riqueza e de conhecimento.

Daniela Duarte e Sara Correia 12ºH
31 Janeiro, 2008 21:23

Ó Velho que estais bramindo, não vedes que a nossa pátria se fez de conquista e sacrifício... O sangue que nos corre nas veias é sangue de conquistador!

Não nos julgueis como estando sedentos de Fama e Glória, se a única Fama que procuramos é aquela que nos é devida e como Glória desejamos somente o pão na mesa de nossas casas!
Tendes razão, há já muito que nos debatemos com os Infiéis e estando eles tão perto por que não defrontarmo-nos uma vez mais?

Velho, sábias palavras nos dizeis, mas encontrais o futuro de nossa pátria na morte pelo inimigo ou na morte por um aliado? Lá longe encontraremos a bonança de nossa tempestade e por ela navegaremos até ao fim...

Credes que não tememos a justiça divina?
Credes que não sabemos dos perigos que nos esperam?
Por muito tempo olhámos as nossas famílias e vimos a nossa razão de ficar.
Por muito tempo olhámos o mar e vimos a nossa razão de partir!
Fama, Glória, Riqueza vemo-las no rosto de nossas mães e mulheres e por elas partimos, por elas lutamos, por elas morreremos se preciso for!
Por ora, nossa missão é morrer partindo, para noutro dia ficar vivendo!
Catarina e Lisa 12ºH
04 Fevereiro, 2008 10:41

14 dezembro 2007

Às Escuras, O Amor

Crítica do espectáculo
ÀS ESCURAS, O AMOR

O que é o Amor? Porque é que se sofre quando se ama? Porque é que gosto de me apaixonar? Será que “o outro” me quer? Bem me quer, mal me quer... Porque é que quando me apaixono perco a fome? Como é que eu lhe digo que me apaixonei? Se me apaixonar vai ser para sempre? Só me posso apaixonar por uma pessoa de cada vez? Gosto tanto daquele meu amigo. E isto, é amor? Tantas perguntas. E as respostas? Todas dirão o mesmo: é um salto no abismo, uma passagem para o desconhecido. ÀS ESCURAS, O AMOR: um espectáculo para quem não tem medo do escuro.

Ficha técnica:Textos : VáriosEncenação: Rui PauloPesquisa: Cristina Paiva e Fernando Ladeira Interpretação: Cristina PaivaDJing: DJ grandESonoplastia: Fernando LadeiraConcepção Plástica: Maria LuizFotografia: Carla d’Almeida Lopes e Vitor MM Costa Produção: Andante Associação Artística
[Informação contida no folheto do espectáculo]

"Às escuras, o amor” (título de um poema de David Mourão Ferreira), com poemas sobre o Amor de vários autores, maioritariamente portugueses, foi o espectáculo que fomos ver, no dia 6 de Dezembro. Como temos estado a trabalhar a Crítica, o 12ºE resolveu aceitar o desafio da actriz Cristina Paiva e enviou para a Companhia de Teatro as suas apreciações, sugestões e críticas. Aqui ficam.

É com gosto que vos informo que a Companhia de Teatro Andante lhes respondeu e vai publicar os textos (ou excertos).

I

Somos alunas da Escola Secundária Henriques Nogueira e assistimos ao vosso espectáculo no Auditório Municipal . Vimos por este meio felicitar o vosso trabalho e agradecer a vossa vinda à nossa cidade, Torres Vedras.

Como espectadoras aprovamos a vossa iniciativa e temos um grande reconhecimento por todos aqueles que fazem do teatro a sua vida. Em primeiro lugar, temos a apontar o facto de ter sido um monólogo, o que torna a peça mais cansativa mas nem por isso menos interessante; seria mais dinâmico com a existência de uma outra personagem em palco, cuja interacção criaria um jogo de sedução, levando a um confronto entre poemas. Talvez pelo tema abordado ter sido o amor, notou-se um maior interesse e entusiasmo por parte do público feminino, e por sua vez, uma inquietação e constrangimento da parte masculina.

Em segundo lugar, elogiamos a excelente memória e interpretação da actriz Cristina Paiva, que no nosso entender esteve muito bem, querendo também dar os parabéns ao restante elenco. Pelo espectáculo ter sido maioritariamente poesia estudada pelos alunos do secundário desperta um interesse pelo gosto da leitura e o gosto pelo teatro. Incentivamos à criação de novos espectáculos com uma temática diferente e desse modo chegar a todas as faixas etárias.

12ºE (fico à espera que se identifiquem, meninas: é o grupo da Catarina, Ana Carolina...?)
11 Dezembro, 2007 13:20.



II
Segundo a perspectiva do nosso grupo o espectáculo foi deveras interessante. Como todos os espectáculos teve aspectos negativos e positivos. Negativos, pois na opinião de alguns membros do grupo foi um pouco monótono em algumas situações. Não houve diversidade de cenários e situações, mas isto deve-se ao facto de ser um monólogo, e um peça deste género é difícil de captar o interesse contínuo do público, pois temos de estar centrados numa só pessoa. Por outro lado, também encontramos vários aspectos positivos, como a dinâmica em palco, a diversidade de poemas, a expressividade da actriz a interpretar os textos e o excelente trabalho de conseguir colocar em paralelo som e poesia. O actor que fazia de Dj também teve um papel importante, pois as suas expressões e maneira de estar foram importantes para o espectáculo. Assim como as músicas que foram escolhidas para fazer parte do espectáculo, deram outro sentimento à peça e mais versatilidade.
Carlos Ferreira, Cidália Miguel ,Joana Simões, Pedro Santos.

"Blog" - Porosidade estérea - dedicado à poesia: http://www.andante.com.pt./quemsomos.html
Companhia de Teatro Andante: http://www.andante.com.pt./quemsomos.html



11 dezembro 2007










Numa sociedade em que os livros eram proibidos, a opinião das pessoas era controlada pelo governo e onde a função dos bombeiros era queimar bibliotecas, Ray Bradbury apresenta-nos a história de um “soldado da paz” – Guy Montag – que lê um livro e, a partir desse momento, põe em causa a sua profissão e todo o seu modo de vida.
Fahrenheit 451 é uma obra de ficção científica abordada de um modo particularmente especial, cuja interpretação remete para as entrelinhas, e nos obriga a pensar na importância da cultura escrita na formulação de opiniões livres e diversificadas sobre todo o tipo de assuntos, de forma a enfrentar a vida de um modo activo.
É uma ode à acção, à não passividade – no fundo, à individualidade e à opinião.É uma obra que se manteve imortal devido à mensagem que transmite. A censura e a repressão são males que afligem, ainda hoje, muitas sociedades actuais.É um livro aconselhado a leitores que gostam de desafios.

Uma das últimas cenas do filme de François Truffaut, baseado no livro

12º B: Diana, João M; João T, Ivo, Vanda; Joana D., Luís

26 Novembro, 2007 12:03

NOTA: O título Fahrenheit 451 é uma referência à temperatura que os livros são queimados. Convertido para Celsius, esta temperatura equivale a 233 graus.

1984



1984
Um manifesto ao controlo e à manipulação



Esta obra fala de uma sociedade que vive controlada e manipulada constantemente e que se submete ao poder do “Grande Irmão”.

A escrita do livro é densa e profunda e embora seja altamente descritiva quem não conseguir penetrar neste mundo apocalíptico possivelmente não achará este livro interessante.


O que realmente desperta atenção ao leitor é o facto da sociedade retratada poder facilmente encaixar-se nos parâmetros realistas do nosso mundo. Isto porque o leitor apercebe-se, desde o início do livro, que a estrutura social da Oceânia (país da personagem principal do livro) poderia muito bem ser vivida por nós neste momento ou noutro momento da história da humanidade. Isso é o que torna toda a leitura assustadora.

Embora o comunismo seja o alvo principal a abater de George Orwell, a crueldade e toda a crueza descritas poderão ter também outras leituras, como análises de políticas extremas de direita. Apercebemo-nos assim, com um pouco de reflexão, de que os extremos acabam sempre por se juntar.

O excessivo controlo e manipulação, que embora seja eticamente desprezível, é socialmente
perfeito. E Orwell brinca com isso e com estas oposições:
  • A melhor forma de manter a Paz é com a Guerra.

  • A liberdade prende-os.

  • A ignorância faz a força.

É por isso que este livro é uma obra prestigiada da literatura mundial.


12ºH . André, João e Rute

Livros para gente com sentido crítico


Crítica do livro

BREVE HISTÓRIA DE QUASE TUDO


Bryson, Bill Quetzal Editores 2004


Uma excelente forma de aprender as leis da física e compreender os fenómenos naturais mais marcantes da nossa história."Breve história de quase tudo" desenrola-se numa exaustiva viagem feita pelo narrador para aprofundar alguns assuntos da ciência. Trata da física, geologia, biologia, química, sismologia... todas elas interligadas, tornando subtil a aprendizagem do leitor. Com a máxima organização e bastante dinâmica, este livro relata os mais curiosos detalhes com uma enorme brevidade e eficácia, tais como a teoria da relatividade ter surgido de uma aposta entre dois cientistas.


Apesar de o livro tratar destes assuntos de uma forma mais "soft" e com alguma ironia à mistura, o autor alia o rigor científico a uma linguagem mais acessível ao grande público. Com a leitura desta grande obra de Bill Bryson, o leitor passa a ter outra percepção da ciência e das teorias científicas, tornando a mente mais acolhedora às maravilhas da natureza, podendo assim observar e analisar novas propostas de investimento de uma forma mais consciente.
Gustavo Lucas 12ºB
26 Novembro, 2007 11:43
Califórnia, Leões marinhos na Baía de S. Francisco
N.S., Agosto 2006


10 dezembro 2007



PALAVRAS E SANGUE


Giovani Papini



Escrito no início da carreira literária de Giovanni Papini, entre 1907 e 1910, quando este se assumia como sendo um escritor de vanguarda, Palavras e Sangue é um livro onde este autor quebra todas as convenções e qualquer preconceito que pudessem existir nesta época. Explorando vários temas relacionados com a Vida e o Pensamento, desde o amor à religião, cada um meditado em cada conto, Papini apresenta-nos sobre estes a sua reflexão e conclusões aliando a tragédia à comédia, tocando até o absurdo.

Com narrativas caricatas, mas belas, este livro apresenta-se ao leitor como um desafio aliciante, como um convite à reflexão, ao pensamento. Num estilo mordaz e audaz, de uma ironia e sabedoria desarmantes, Papini dá-nos vinte e quatro contos, que são alegorias a algumas verdades da Vida e do Pensamento. Neles a Razão está sempre presente de uma forma algo estranha. Uma Razão que. por vezes, parece não ter razão, parecendo talvez absurda, mas que é, quiçá, aquele sangue de que se fala no título, de onde brotam as palavras reveladoras e a reflexão sobre elas.


Contemporâneo de Fernando Pessoa, curiosamente, algumas das concepções filosóficas que Papini revela neste livro vão ao encontro do pensamento de Pessoa. Exemplo disto é a reflexão que o escritor italiano faz sobre o mundo real e o mundo sonhado/imaginário; a sua conclusão de que o seu mal terrível, e também o de tantos outros, é o pensamento, a reflexão; algumas das suas concepções sobre a Vida; e ainda, o binómio do querer/fazer explorado pelo autor.


Aqui deixo uma passagem que considero reveladora e arrebatadora:





«Homens, perdemos a vida pela morte, consumimos o real pelo imaginário, damos valor aos dias unicamente porque nos conduzem a dias que não terão outro valor senão o de nos levarem a outros dias semelhantes a eles... Homens, toda a nossa vida é um engano atroz, que nós mesmos tecemos em nosso próprio dano, e só os demónios podem rir friamente desta nossa corrida para o espelho que foge». Esta é uma passagem onde o autor defende que vivemos apenas para o futuro.Por tudo o que já referi, sou de opinião de que este livro deve ser lido, reflectido, pensado. Com ele aprendi que a Vida pode ter para cada um diversos sentidos, mas independentemente do sentido ou filosofia de vida que escolhemos, vivemos para o futuro, «o espelho que foge», vivemos com a esperança de concretizar os nossos sonhos, e finalmente, vivemos para receber...a morte.



Inês Joaquim 12ºH


28 Novembro, 2007 19:02

LIVROS

Começa hoje a divulgação das vossas críticas de livros e sugestões de leitura, no âmbito do Contrato de Leitura deste 1º período. A primeira refere-se a um dos livros mais conhecidas do escritor português
Ferreira de Castro, A SELVA, lido por alguns alunos do 12º E e do 12ºH.


O livro d' "A Selva". Já em crianças crescemos com "O Livro da Selva" de Rudyard Kipling, aquela bem conhecida história do menino criado por lobos que vive na selva e tem como amigos um urso e uma pantera; uma selva onde tudo floresce, tudo é verde e tudo é belo..."Alberto", de Ferreira de Castro, também vive n'"A Selva", mas esta em nada se iguala à de Mogli. Esta selva aprisiona, "desumaniza" e tal como Ferreira de Castro o diz: "Daquela bárbara grandiosidade e da sua estranha beleza, uma só forte impressão ficava: a inicial, que nunca mais se esquecia e nunca mais também se voltava a sentir plenamente. Solo de constantes parturejamentos, obstinado na ânsia de criar, a sua cabeleira, contemplada por fora, sugeria vida liberta num mundo virgem, ainda não tocado pelos conceitos humanos; vista por dentro, oprimia e fazia anelar a morte."

Nunca estive numa selva, mas tal é a profundidade na descrição de Ferreira de Castro da floresta amazónica que qualquer pessoa consegue formar a imagem das suas palavras. É notável o esforço de Ferreira de Castro em conseguir "mostrar" a Selva de forma "quase- imparcial", uma vez que não a adjectiva segundo os seus gostos (bonita, feia, são adjectivos que F. Castro nunca utiliza, pois não a caracterizam verdadeiramente), mas tenta caracterizá-la de acordo com as impressões do protagonista (Alberto). Isto faz com que nós, leitores, não nos sintamos excluídos e possamos, "construir" as nossas próprias impressões.

Um livro cujo contexto espacio-temporal em nada se assemelha ao meu e, possivelmente ao seu, mas ainda assim actual, pois impõe a questão da humanidade e da justiça: até que ponto somos influenciados por aquilo que nos rodeia? Será a "Justiça" apenas uma? É, sem dúvida, um livro meritório de apreço, pela sua história envolvente e, acima de tudo, pela forma como nos desperta e agita, não nos deixando passivos e indiferentes à realidade. Diria até o "must-read" número 502! [alusão ao livro apreciado em aula 501 MUST-READ BOOK]
Lisa Hartje Moura, 12º H

26 novembro 2007

Análise de poema

EsCriTaS


Para exemplificar o trabalho que pedi que fizessem - como treino do pensamento reflexivo e da análise de texto, deixo uma produção referente à "Ode Triunfal". Espero que sirva de estímulo.


"Neste poema está presente um desejo exaltado de sensações, de todas as sensações, de sentir tudo através de todos os sentidos; esta exaltação dá pelo nome de sensacionismo e apareceu com muitos outros -ismos no início do século XX.

Este excesso de sensações resulta assim num movimento frenético, extenuante e ruidoso dado através da adjectivação e da utilização de palavras concretas, como "maquinismos", "lâmpadas eléctricas", "engrenagens", "êmbolos", etc. Este movimento feroz é transmitido também pela antítese, presente, por exemplo, nos versos:"...tudo o que passa e nunca passa!" e "Do tumulto disciplinado das fábricas", e ainda pelo paradoxo, dado, por exemplo, pela expressão "insinceramente sinceros". Um dos recursos mais utilizados neste poema, e talvez o que mais dá a ideia de excesso de sensações, movimento extenuante e mistura de sentidos é a sinestesia. Os versos que mais transmitem este recurso e as ideias anteriormente referidas são os últimos versos deste excerto:"Como eu vos amo de todas as maneiras,/Com os olhos e com os ouvidos e com o olfacto/E com o tacto (o que palpar-vos representa para mim!)/E com a inteligência como uma antena que fazeis vibrar!/Ah, como todos os meus sentidos têm cio de vós!".

Em suma, na "Ode Triunfal", o poeta (quase que) deseja sair de si, sair do seu corpo e entrar em todos os mecanismos desta civilização febril e sedenta de evolução, de vanguardas, de movimento e mudança, o poeta quer sentir tudo, todas as sensações possíveis e impossíveis com todos os sentidos, quer sentir tudo de todas as maneiras.

Inês M., 12ºH
24 Novembro, 2007 12:05

13 novembro 2007

Álvaro de Campos



- pistas para rever e ampliar o conhecimento das aulas -



"totalmente desconhecido dos antigos"

Traço sozinho, no meu cubículo de engenheiro, o plano,

Firmo o projecto, aqui isolado,

Remoto até de quem eu sou.


Álvaro de Campos, Dactilografia (19/12/1933)




Álvaro de Campos
  • é o “cantor da fúria e das vertigens da civilização mecânica” (Jacinto do Prado Coelho)
  • é “o futurista, o sensacionista, o cantor da civilização mais moderna (...) o tradutor do ímpeto, do movimento, da energia vital, comunicador de experiências de êxtase, libertador das mais secretas correntes aquáticas torrenciais” (António Quadros)
  • o alter ego corajoso de Fernando Pessoa ortónimo
Futurismo
"Movimento artístico e literário que teve origem no início do século XX, antes da Primeira Guerra Mundial, e que se desenvolve na Europa, sobretudo em Itália, com os trabalhos de F. T. Marinetti, que estudara em Paris (...); foi ele quem elaborou o primeiro manifesto futurista, publicado em Le Figaro, em 1909, cujo original em italiano contém as seguintes premissas:
1. Noi vogliamo cantare l’amor del pericolo, l’abitudine all’energia e alla temerità.
2. Il coraggio, l’audacia, la ribellione, saranno elementi essenziali della nostra poesia.
3. La letteratura esaltò fino ad oggi l’immobilità pensosa, l’estasi e il sonno. Noi vogliamo esaltare il movimento aggressivo, l’insonnia febbrile, il passo di corsa, il salto mortale, lo schiaffo ed il pugno.
4. Noi affermiamo che la magnificenza del mondo si è arricchita di una bellezza nuova: la bellezza della velocità. Un automobile da corsa col suo cofano adorno di grossi tubi simili a serpenti dall’alito esplosivo... un automobile ruggente, che sembra correre sulla mitraglia, è più bello della Vittoria di Samotracia.
[...]


Marinetti apelava não só a uma ruptura com o passado e com a tradição mas também exaltava um novo estilo de vida, de acordo com o dinamismo dos tempos modernos.
No plano literário, a escrita e a arte são vistas como meios expressivos na representação da velocidade, da violência, que exprimem o dinamismo da vida moderna, em oposição a formas tradicionais de expressão. [...]O futurismo contesta o sentimentalismo e exalta o homem de acção. [...] pelo elogio ao progresso, à máquina, ao motor, a tudo o que representa o moderno e o imprevisto.


Marinetti evoca a libertação da sintaxe e dos substantivos. É neste sentido que os adjectivos e os advérbios são abolidos, para dar mais valor aos substantivos. A utilização dos verbos no infinito, a abolição da pontuação, das conjunções, a supressão do “eu” na literatura e o uso de símbolos matemáticos são medidadas inovadoras. De igual modo, aparecem novas concepções tipográficas ao surgir a recusa da página tradicional.



O futurismo influenciou a pintura, a música e outras artes como o cinema. O cinema era então visto como uma nova arte de grande alcance expressivo.


(vê um excerto de Tempos Modernos, de Charlie Chaplin, evidentemente em outro registo - satírico, crítico)

O futurismo foi responsável pelo aparecimento de numerosos manifestos e exposições que provocaram escândalos.[...]

O futurismo difunde-se em vários outros países, para além da Itália e da França, incluindo Portugal. [...]Mário de Sá-Carneiro e Álvaro de Campos aderem ao futurismo, assim como José de Almada Negreiros com o Manifesto Anti-Dantas (1916), onde se apresenta como poeta futurista do Orpheu. [...]

Importa destacar as condições em que Fernando Pessoa reconhece o futurismo nas sua própria poesia. Em carta ao Diário de Notícias, esclarece: “O que quero acentuar, acentuar bem, acentuar muito bem, é que é preciso que cesse a trapalhada, que a ignorância dos nossos críticos está fazendo, com a palavra futurismo. Falar de futurismo, quer a propósito do primeiro número do Orpheu, quer a propósito do livro do Sr. Sá-Carneiro, é a coisa mais disparatada que se pode imaginar. (...) A minha Ode Triunfal, no primeiro número do Orpheu, é a única coisa que se aproxima do futurismo. Mas aproxima-se pelo assunto que me inspirou, não pela realização - e em arte a forma de realizar é que caracteriza e distingue as correntes e as escolas.” (Carta datada de 4-6-1915, in Obras em Prosa, vol.V, org. de João Gaspar Simões, Círculo de Leitores, Lisboa, 1987, pp.208-209).

Álvaro de Campos foi directamente influenciado por outra das grandes figuras de inspiração dos poetas futuristas, o norte-americano Walt Whitman. A revista Portugal Futurista sai logo de circulação pelo seu aspecto provocatório. [...] Com o desaparecimento prematuro de Amadeo e Santa-Rita Pintor, em 1918, e com a dispersão de outras personalidades do futurismo, este acabaria por se dissipar.

O texto sobre o Futurismo foi retirado, em 21 de Novembro/07, do sítio da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa a seguir indicado, e reproduzido com cortes.


A pedido de vários alunos, aqui deixo excertos da "Ode Marítima".


ODE MARÍTIMA
a Santa Rita Pintor
[...]
Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de verão,
Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atrás de si a orla vã do seu fumo.
Vem entrando, e a manhã entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de trás dos navios que estão no porto.
Há uma vaga brisa. Mas a minh'alma está com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele está com a Distância, com a Manhã,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.
Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente.
Yeh eh-eh-eh-eh-eh! Yeh-eh-eh-eh-eh-eh! Yeh-eh-eheh-eh-eh-eh-eh!
Grita tudo! tudo a gritar! ventos, vagas, barcos,
Marés, gáveas, piratas, a minha alma, o sangue, e o ar, e o ar!
Eh-eh-eh-eh! Yeh-eh-eh-eh-eh! Yeh-eh-eh-eh-eh-eh! Tudo canta a gritar!
[...]
Parte-se em mim qualquer coisa. O vermelho anoiteceu.
Senti demais para poder continuar a sentir.
Esgotou-se-me a alma, ficou só um eco dentro de mim.
Decresce sensivelmente a velocidade do volante.
Tiram-me um pouco as mãos dos olhos os meus sonhos.
Dentro de mim há um só vácuo, um deserto, um mar noturno.
E logo que sinto que há um mar noturno dentro de mim,
Sabe dos longes dele, nasce do seu silêncio,
Outra vez, outra vez o vasto grito antiquíssimo.
De repente, como um relâmpago de som, que não faz barulho mas ternura,
Subitamente abrangendo todo o horizonte marítimo
Húmido e sombrio marulho humano noturno,
Voz de sereia longínqua chorando, chamando,
Vem do fundo do Longe, do fundo do Mar, da alma dos Abismos,
E à tona dele, como algas, bóiam meus sonhos desfeitos…

Álvaro de Campos