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14 fevereiro 2017

Português, 12º

Tarefa para 5ª feira, dia 16 de fevereiro 
- para os 3 alunos que não vão a Mafra-


Planificação do Grupo III do Exercício
Etapas
1. Pré-plano
- releitura da proposta de escrita
-vocabulário temático
- novidades tecnológicas com impacto no presente e no futuro próximo
-pessoas/instituições relevantes para o tema 
(como exemplos ou como autoridades na matéria)
2. Plano
Tema
Tese
1º argumento (por tópicos)
1º exemplo
2º argumento (por tópicos)
2º exemplo
Fecho/Conclusão

Articuladores frásicos

Podem ser úteis para o trabalho de Consolidação do grupo III

À esquerda está indicada a função.
TIPO DE CONEXÃO
FUNÇÃO DA CONEXÃO
CONECTORES (OU ARTICULADORES)
(conjunções e locuções conjuncionais, coordenativas e subordinativas; advérbios; expressões de ligação)
Adição
e, também, igualmente, do mesmo modo, e ainda, e até, além disso, além do mais, não só ...como também, não só ... como ainda, bem como, assim como, por um lado ... por outro, nem...nem, de novo, incluindo...
Oposição / contraste
mas, porém, todavia, contudo, no entanto, doutro modo, ao contrário, pelo contrário, contrariamente, não obstante, por outro lado...
Alternativa
fosse...fosse, ou, ou então, ou ...ou, ora...ora, quer...quer, seja...seja, alternativamente, em alternativa, senão ...
Comparação
como, conforme, também, tanto...quanto, tal como, assim como, tão como, pela mesma razão, do mesmo modo, de forma idêntica, igualmente, ...
Consequência
por tudo isto, de modo que, de tal forma que, de sorte que, daí que, tanto...que, é por isso que...
Causa
pois, pois que, visto que, já que, porque, dado que, uma vez que, por causa de, posto que, em virtude de, devido a, graças a ...
Finalidade / intenção
com o intuito de, para (que), a fim de, com o fim de, com o objetivo de, de forma a ...
Concessão
apesar de, ainda que, embora, mesmo que, por mais que, se bem que, ainda assim, mesmo assim...
Conclusão / síntese / resumo
pois, portanto, por conseguinte, assim, logo, enfim, concluindo, em conclusão, em síntese, consequentemente, em consequência, por outras palavras, ou seja, em resumo, em suma, ou melhor...
Certeza
com certeza, decerto, naturalmente, é evidente que, certamente, sem dúvida que,...
Confirmação
com efeito, efetivamente, na verdade, de facto, sem dúvida, de certo, deste modo, na verdade, ora, aliás, sendo assim, veja-se, assim...
Explicitação / particularização
quer isto dizer, isto (não) significa que, por outras palavras, isto é, por exemplo, ou seja, é o caso de, nomeadamente, em particular, a saber, entre outros, especificamente, ou melhor, assim, ressalte-se, saliente-se, importa salientar, é importante frisar ...
Opinião
na minha opinião, a meu ver, em meu entender, no meu ponto de vista, parece-me que, creio que, penso que, para mim, ...
Dúvida
talvez, provavelmente, é provável que, possivelmente, é possível, porventura...
Hipótese / Condição
se, caso, a menos que, salvo se, exceto se, a não ser que, desde que, supondo que, admitindo que ...
Sequência temporal
em primeiro lugar, num primeiro momento, em segundo lugar, antes de, em seguida, seguidamente, então, durante, ao mesmo tempo, quando, simultaneamente, depois de, após, até que, enquanto, entretanto, logo que, no fim de, por fim, finalmente,
Sequência espacial
à direita, à esquerda, ao centro, adiante, diante, em cima, em baixo, no meio, acima, abaixo, atrás, ao lado, naquele lugar, detrás, por trás (de), próximo de sob, sobre...

Exames 2017

Queres saber tudo, mas mesmo tudo sobre EXAMES 2017 

(datas, condições, inscrições, melhorias, etc....
e ainda acessos ao superior, médias, cursos e mais)


01 fevereiro 2017

Ricardo Reis - Tão cedo passa tudo...













VERSOS DE R. REIS PARA NÃO ESQUECER!


Só esta liberdade nos concedem 
      Os deuses: submetermo-nos 
Ao seu domínio por vontade nossa.
 

      Mais vale assim fazermos
Porque só na ilusão da liberdade 
      A liberdade existe. 


Nem outro jeito os deuses, sobre quem
      O eterno fado pesa,
Usam para seu calmo e possuído 
      Convencimento antigo
De que é divina e livre a sua vida.
      Nós, imitando os deuses,
Tão pouco livres como eles no Olimpo,
      Como quem pela areia
Ergue castelos para encher os olhos,
      Ergamos nossa vida
E os deuses saberão agradecer-nos
      O sermos tão como eles.


R.Reis
30 - 7 - 1914
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.

Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.

Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos Deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

1 - 7 - 1916

29 janeiro 2017

Português -12º - preparar o Exame - Prova 639

Depois de terem completado as revisões,  vamos começar a preparar o exame...e o exercício. Usem esta ou outras provas.

Para amanhã à tarde (sessão de preparação para Exame), deixo um ex., de 2014 - 2ª fase.


Álvaro de Campos - "o tédio da rotina"

Apesar de Álvaro de Campos fazer apelo “às coisas todas modernas” e de querer “sentir tudo de todas as maneiras”, na sua poesia também é realçado um contraste entre o sujeito poético e os “outros”.

       Os “outros” cumprem, de acordo com o poema “Lisbon revisited”, o que a sociedade espera que façam- “Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável”, mas o poeta nega tudo isso- “Não: não quero nada”, sente-se cansado de uma rotina a que não se habitua e que acaba por “nos meter num caixão”.

      Então, o sujeito poético refugia-se nas memórias dos tempos de infância que eram vividos inconscientemente e despreocupados das consequências que a passagem do tempo comporta: as mortes, o tempo, a preocupação de rejeitar ou corresponder ao que a sociedade espera.

Reflexão de Linda Inês
(ex-Nº20 12ºA)

23 janeiro 2017

Álvaro de Campos - "o filho indisciplinado das sensações"

“E, de repente, (...)surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo: Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de Álvaro de Campos – a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem.” Fernando Pessoa (na carta a Adolfo Casais Monteiro)



Álvaro de Campos, segundo FP, teve uma educação de Liceu; depois foi para Glasgow, Escócia, estudar engenharia naval, após o que veio viver em Lisboa.


O final do século XIX e o início do século XX trouxeram uma explosão nunca vista de invenções, descobertas, novas dinâmicas sociais, cidades agitadas, um mundo civilizacional e industrializado que consome as vidas, numa estranha mas fascinante voragem.

Amadeu de Sousa Cardoso (1887-1918), o nosso principal pintor modernista.
Viveu em Paris e foi um dos pioneiros deste movimento

As artes plásticas e a literatura sentem o imperativo de dar conta, compreender, valorizar ou questionar essa voragem. Na Europa e nos Estados Unidos surgem vários movimentos artísticos associados ao que veio a chamar-se MODERNISMO:

- Valorizar o novo, o emergente, o dinamismo, a ação, contra a tradição, o saudosismo e a melancolia

- Exaltar o mundo moderno e as suas conquistas: máquinas, obras de engenharia, movimento, voragem, velocidade

- Retratar o espaço urbano, por excelência – cidades, ruas, avenidas, portos, cafés, teatros...


- Num mundo pleno de sensações novas e intensas e de planos que se cruzam/ intercetam, a arte tem de traduzir essa febre, essa voragem
Vejamos como o Sr. engenheiro Álvaro de Campos  traduziu esse mundo impetuoso, brutal, belo,  no mais conhecido poema que espelha esta nova mundanidade - a "Ode Triunfal".

A "Ode Marítima" - que não podem deixar de ler - traz-nos aparentemente a mesma temática, mas é já doutra constelação...



Ode Triunfal

À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.


Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
(...)
Ó fazendas nas montras! Ó manequins! Ó últimos figurinos!
Ó artigos inúteis que toda a gente quer comprar!
Olá grandes armazéns com várias secções!
Olá anúncios eléctricos que vêm e estão e desaparecem!
Olá tudo com que hoje se constrói, com que hoje se é diferente de ontem!
Eh, cimento armado, beton de cimento, novos processos!
Progressos dos armamentos gloriosamente mortíferos!
Couraças, canhões, metralhadoras, submarinos, aeroplanos!


Amo-vos a todos, a tudo, como uma fera.
Amo-vos carnivoramente.
Pervertidamente e enroscando a minha vista
Em vós, ó coisas grandes, banais, úteis, inúteis,
Ó coisas todas modernas,
Ó minhas contemporâneas, forma actual e próxima
Do sistema imediato do Universo!
Nova Revelação metálica e dinâmica de Deus!
(...)


Eia! eia! eia!
Eia electricidade, nervos doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do Inconsciente!
Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!
Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!
Eia! eia! eia! eia-hô-ô-ô!
Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.
Engatam-me em todos os comboios.
Içam-me em todos os cais.
Giro dentro das hélices de todos os navios.
Eia! eia-hô! eia!
Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!
Eia! e os rails e as casas de máquinas e a Europa!
Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia!
Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!


Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!
Hé-la! He-hô! H-o-o-o-o!
Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!


Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!
«Londres, 1914 — Junho.»
  Álvaro de Campos                                                                             
«Dum livro chamado Arco do Triunfo, a publicar.»   

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002,  disponível em Casa Fernando Pessoa, http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/index.php?id=2245, consultado em 31 de janeeiro de 2012.

Outros poemas de Álvaro de Campos: http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/index.php?id=2245

Ode Triunfal


 Fábricas, no início do século XX


ODE TRIUNFAL


À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical —
Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força —
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,
Átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,
Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,
Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,
Fazendo-me um acesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.

Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo! 


 Alfa Romeo, modelo 12 HP, 1910



Vulcan 15.9 landaulette de 1914













13 janeiro 2017

Fernando Pessoa ortónimo


  • Lê atentamente. Regista no caderno as frases-chave de cada um dos textos.
 A
 (…) Para Fernando Pessoa, recordar não é reviver, é apenas verificar com dor que fomos outra coisa cuja realidade essencial não nos é permitido recuperar. Vimos da sombra e vamos para a sombra. Só o presente é nosso, mas que é o presente senão a linha ideal que separa o passado do futuro?

Assim toda a vida é fragmentária, a personalidade una é uma ilusão, não podemos apreender em nós uma constante que nos identifique. O sentimento heraclitiano da transitoriedade das coisas conduz à negação do eu. Viver no tempo é depararmo-nos com o vazio de nós próprios: «Quem me dirá quem sou?» (…)

[Jacinto do Prado Coelho, Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa, Editorial Verbo, 1979, Ser e Conhecer-se, pág. 89]


(…) Ele tinha o seu laboratório de linguagem. Estava consciente disso, e espantava-se e maravilhava-se como se tudo se passasse fora dele. «No lado de fora de dentro», como ele próprio diria. Porque era realmente dentro dele que se produzia a obra, que se aceleravam os mecanismos que acompanham a produção de palavras, de metáforas, de versos, de poemas, de odes inteiras. 

Observava-se, examinava atentamente o trabalho rigoroso do poeta, as transformações sofridas por essa matéria-prima (as sensações) de que emergia a linguagem. Matéria-prima ou transformada, porque se tratava também dos efeitos das palavras sobre a receptividade dos sentidos; não importa: por uma dessas reviravoltas em cascata em que ele era mestre, e graças às quais o segundo se torna primeiro, o direito, avesso, ou o dentro, fora, o seu próprio laboratório poético transformou-se em matéria de linguagem; produtor de sensações aptas a converter-se em poema. (…)

[José Gil, Fernando Pessoa ou a Metafísica das Sensações, Relógio d’Água, 1996, O Laboratório Poético, pág. 9]


C
(…) Não: a vida de Pessoa é na verdade a vida ideal do poeta; Pessoa é, como homem, a imagem da imobilidade. Ninguém quis ser menos aparente; toda a sua vida se envolve, não direi, porque detesto romantizar, de mistério, mas sim de discreto pudor, de amor ao silêncio e à contemplação. (…)

[Adolfo Casais Monteiro, A Poesia de Fernando Pessoa, INCM, 1985, O Insincero Verídico, pág. 89]



As três citações acima transcritas estão publicados na página da CASA FERNANDO PESSOA