
Um sítio para ler, escrever, pensar sobre livros, escritores, temas de actualidade, dirigido sobretudo aos alunos de Português do ensino secundário.

12 Dezembro, 2010 17:11

Elogio ao amor
Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já n
inguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da da, nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. (…) Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Miguel Esteves Cardoso, in Expresso

Miguel Vicente Esteves Cardoso (Lisboa, 1955) é um crítico, escritor, tradutor e jornalista português. É filho de pai português e mãe inglesa, e o facto de ser bilingue deu-lhe uma visão distanciada de Portugal e dos Portugueses, tema de muitas das suas crónicas. Licenciou-se e doutorou-se em Inglaterra. Escreveu peças de teatro, dois romances - A Vida Inteira e O Cemitério de Raparigas, letras de canções (para Sétima Legião, Balla), mas é sobretudo conhecido pelas crónicas que tem publicado ao longo dos anos em vários jornais, reunidas nos volumes Escrita Pop e A Causa das Coisas. Também se dedicou ao ensaio, à crítica literária e cinematográfica e à tradução.

Acho surpreendente o facto de a situação descrita pelo Padre António Vieira, e outrora por Santo António, ainda estar viva nos dias de hoje. Com tanta acção missionária existente desde aquela altura até aos nossos dias, a corrupção já deveria estar extinta, mas não é o caso. Apesar de já não existir escravização evidente, prevalecem outros problemas com mais ou menos a mesma magnitude, como por exemplo: a existência de montes de crianças a viverem em extrema pobreza, cuindando o estado de tais situações.
É estranho sermos um dos países, pelo menos da União Europeia, com uma maior taxa de crença cristã, mas mesmo assim temos 300 mil crianças a viver em extrema pobreza.
Passaram-se 400 anos e a nossa corrupção ainda não passou. Será que há solução? Porque é que ainda existem missionários e igrejas se passados 4 séculos continua tudo na mesma ou, mesmo, ainda pior?
Geralmente não se conservam coisas já estragadas / ''podres'' e se calhar é por isso que a nossa corrupção não nos
é arrancada. Será que fomos, somos e seremos sempre ''podres'' ?
Eda Garcês 11 A
07 Dezembro, 2010 18:30
Imagens em: amigosdasveredas.blogspot.com

POMPEIA: Aos XXVI dias do mês de Augustus, Ano Primeiro do Império de Titus.
Torna-se evidente agora que o que vimos, e estamos vendo, é a maior catástrofe na História de nosso mundo, e que os deuses fizeram cair sobre a região de Campânia, em particular sobre a cidade de Pompeia, uma tragédia como ninguém experimentou antes. Há três dias, o ventre da terra explodiu nas vizinhanças, e reduziu este belo lugar a pó e cinzas, e ninguém conhecerá a razão.

Ano 1346

A "Peste Negra"
Muito do imaginário europeu sobre o final da Idade Média, século XIV, está ligado a um acontecimento absolutamente trágico - um dos mais trágicos de sempre, tendo em conta as consequências: a morte dizimou entre 30 e 40% da população europeia - várias dezenas de milhões de mortos.
1939-1945

Segunda Guerra Mundial foi o conflito que mais vítimas causou em toda a história da humanidade:50 milhões de mortos!
Desenho incluído no livro feito por Max, o pugilista judeu, na cave, utilizando as folhas de Mein Kampf; página a página essas folhas transformam-se em «esboços que, para ele, resumiam os acontecimentos que tinham tocado a sua vida anterior por uma outra.»
p. 240



“Zusak não só cria uma história original e enfeitiçante, como escreve com poesia… Uma narrativa extraordinária.”
School Library Journal
“Uma narrativa absorvente e marcante.”
Washington Post
“Uma história poderosa.”
Booklist
“Brilhante… É um daqueles livros que podem mudar a nossa vida…”
New York Times
“Perturbador e poético ao mesmo tempo…Parece bem colocado para se tornar um clássico.”
USA Today
“Inquietante, desafiante, triunfante e trágico… Um livro de grande fôlego, escrito de forma soberba… É impossível parar de o ler.”
Guardian
“Um livro extraordinário, marcante, de grande beleza.”
Sunday Telegraph
“Aos trinta anos, Zusak escreveu um dos livros australianos mais invulgares e cativantes de sempre.”
The Age (Austrália)


28 Outubro, 2010 23:28
Créditos da imagem: http://edfood.org/archives/120

Análise do discurso de Barack Obama aos alunos americanos na abertura do Ano Lectivo 2009/2010

Na disciplina de Português -11º ano foi-nos proposto desenvolver um trabalho relacionado com o que fez o grande Martin Luther King. O nosso trabalho consistia em encontrar algo que pudesse ser melhorado na Escola Secundária Henriques Nogueira ou mesmo em Torres Vedras, relatar esse aspecto e tentar encontrar soluções para esse mesmo problema.
Nós conseguimos detectar que na nossa escola existe uma falta de investimento na tecnologia, é o nosso tema de trabalho. Podemos começar por falar da rede de internet da escola, esta não é muito segura e vai a baixo facilmente. Outro aspecto é o facto dos computadores da nossa biblioteca serem algo lentos, também devido à rede de internet da escola. Na nossa escola também estão alguns quadros interactivos que mal são utilizados pelos professores, são mais rápidos, fáceis de manusear, e não há problemas com a visão pois pode-se aumentar o tamanho das letras e são quadros que não causam alergias como os quadros de giz. Também vimos que se trabalha pouco com os projectores que foram colocados no tecto das salas. Nestes dois últimos exemplos pode-se dar o caso de ter sido dinheiro mal gasto.
Queríamos ainda apresentar algumas soluções para os problemas referidos em cima. No caso da rede de internet deveria ser melhorada, tornando-a mais segura e sem quebras. Os computadores da biblioteca deviam ser substituídos ou provavelmente formatados de forma a serem mais rápidos e acessíveis; neste ponto é importante referir a sensibilização aos alunos para estes não colocarem as pen’s com vírus nos computadores da biblioteca pois tornam-nos mais lentos. Os quadros interactivos e os retroprojectores deviam ser utilizados mais regularmente pois são benéficos para todos. Para isso talvez fosse necessária uma aprendizagem dos professores para estes poderem utilizar correctamente os quadros interactivos e retroprojectores.
Trabalho realizado por:
· Bernardo Brasil nº4
· Rui Mendonça nº20
· 11º A
2010/2011


Há cem anos vivemos a maior viragem da História política portuguesa, com a implantação da república; foi prometido ao povo que tudo o que se fizesse na nação seria para o nosso bem; mas não é o que nós vemos hoje e por isso vimos aqui.
Queremos o prometido, queremos quem assuma o leme do nosso barco e não queira apenas encher os seus bolsos como aconteceu em tempos anteriores, queremos o prometido; o prometido há cem anos ao povo; que com a mudança o fosso entre ricos e pobres não seja cada vez maior, mas sim que este diminua.
Queremos o prometido, queremos a bonança, pois estamos fartos desta tempestade: os nossos representantes recebam onze vezes mais do que a maior parte de nós, mas os nossos representantes, estes homens gloriosos, lá têm as suas razões.
Queremos o prometido; a licenciatura duvidosa do nosso comandante do leme já levantou muitas suspeitas acerca da sua fiabilidade; se analisarmos com atenção o seu processo deparamo-nos com documentos por assinar e carimbar, datas confusas, contradições nas notas e professores repetidos. Queremos o prometido; queremos que cada pessoa seja igual a nós, com os mesmos direitos e deveres, não por ter um pai aqui! Um amigo ali! Ou por ter dinheiro que façam licenciaturas duvidosas. O comandante do nosso leme tem-se visto embrulhado em inúmeros escândalos de foro pessoal e político, pondo assim em questão a sua credibilidade e capacidade de chefia, como um homem no seu lugar tem de ter. Talvez este honrado homem e seus prestigiados subordinados não tenham tido assim tantas razões para terem sido aumentados, mas quem somos nós, membros da classe mais ínfima da sociedade, o povo.
Com isto apelamos a que nas próximas eleições não deixem passar isto em BRANCO! Queremos o prometido! »
Trabalho elaborado por:
Daniel Miranda
Gonçalo Arsénio
Sebastião Pinheiro
11ºA
11 Outubro, 2010


5 de Outubro de 1910
Eis o texto dos vossos colegas, glosando o mote do discurso de Martin Luther King
Caros compatriotas,
É com enorme prazer que nós, alunos do ensino secundário, estamos aqui convosco para reflectir sobre o futuro do nosso país.
Mas, cem anos volvidos, a verdade é que Portugal enfrenta uma das maiores crises económicas desde então: cerca de 11% da população portuguesa (mais de 600 mil cidadãos) está desempregada e Portugal perde, externamente, cerca de dois milhões de euros por hora.
13 Outubro, 2010 22:05
Crédito de imagens:
"Crise", de Rodrigo, in Expresso, online em http://eideguimaraes.wordpress.com/2010/05/18/cartoon-38/
5 de Outubro de 1910 - http://angnovus.wordpress.com/2010/10/02/nos-tambem-nao/
Discurso argumentativo
Temas:
- Mudança do local da Rodoviária de Torres Vedras
Público-alvo:
- Residentes do Concelho de Torres Vedras
- Utilizadores do sistema rodoviário
- Assembleia Municipal
Etiquetas:
- Torres Vedras
- mobilidade
- transportes públicos.
Intervenção Pública na Assembleia Municipal
Estamos felizes por estarmos hoje aqui presentes para reflectir sobre uma medida anunciada pelo executivo camarário de Torres Vedras, que visa a mudança da localização da rodoviária.
A ser concretizada, esta medida irá afectar grandemente os utentes. Esta mudança implicará que a rodoviária passe do centro da cidade para uma zona mais periférica.
Visto que as escolas e os serviços públicos (hospitais, centros de saúde, segurança social) se encontram no centro da cidade isto irá exigir uma maior disponibilidade por parte das pessoas, pois a distância até esses locais irá aumentar; por outro lado, os utentes mais pobres e com maiores dificuldades motoras, irão ter um maior dispêndio, pois terão de recorrer a outros meios (transportes urbanos) para se deslocarem aos serviços pretendidos.
Uma vez que os horários dos autocarros estão conciliados com os horários escolares isto implicará,também, uma mudança que prejudicará a maioria dos alunos, pois os autocarros chegam ao terminal muito próximo da hora de começo das aulas e ainda têm de percorrer toda essa distância.
Será que esta é a melhor solução?
Agora, cidadãos torrienses como nós, está na hora de exigirmos uma maior sensibilidade por parte dos que governam este nosso município para que, face às dificuldades da sociedade, tomem uma decisão favorável à maioria das pessoas.
Grupo:
Inês Pereira, José Freitas, Maryline Matos, Rafael Pinheiro e Rodolfo Pereira.
08 Outubro, 2010 09:30
Eu tenho sonhos. Tenho caixas de sonhos, gavetas de sonhos, secretárias cheias de sonhos. Até o quarto repleto de sonhos. Sou resultado de um sonho, sou feita de sonhos. Mas hoje. Hoje eu tenho um sonho…
Eu hoje tenho um sonho… as 24h serão sempre melhores a partir de amanha. Verei o dia com todas as cores do arco-íris. Terminarei o luto.
Eu hoje tenho um sonho… aceitarei que o que acho inatingível, só o é se eu não me mover para mudar isso, se eu não quiser realmente.
Eu hoje tenho um sonho… encerrarei capítulos passados. Abrirei portas a novas páginas. Vou começar já amanhã a enchê-las de histórias.
Eu hoje tenho um sonho… amanhã, quando acordar, irei ouvir a esperança do futuro falar de mim, e não me vou lembrar que no passado, falou de ti.
Eu hoje tenho um sonho… um dia quando olhares para a televisão, vais entender que bonecos existem apenas nela ou nas lojas, e que o teu erro foi imaginares-me uma Barbie com quem podias brincar, mas a tua volta só existem humanos.
Eu hoje tenho um sonho… Aceitarei que destruir recordações não implica necessariamente esquece-las, simplesmente, será o inicio da construção de outras.
Eu hoje tenho um sonho… Um dia vais aperceber-te que num dia deitas fogo, mas no outro dia poderás ser o queimado.
Eu hoje tenho um sonho… vou ser história na História. E quando a ouvires, vais sentir que o mundo não gira a tua volta e que o que és não serve de nada à humanidade.
Eu hoje tenho um sonho… amanhã serás uma pequena flor no meu jardim, e que nele, foste apenas a primeira plantação.
Eu hoje tenho um sonho… vais sentir que pegar no que está mais a mão, fecha portas a descobrir o que vem depois, e o melhor está sempre guardado para o fim.
Eu hoje tenho um sonho… Um dia, vou acelerar na estrada da vida, e vais ver-me passar-te ao lado. Vais encarar que anos de vida não significam progressão mental. vais sentir-te parado no espaço e no tempo e lembrar-te que não tens ninguém para te pôr “paninhos quentes”, como eu pus.
Eu hoje tenho um sonho… Nesse dia já não me vou lembrar de ti. Hoje é mesmo o dia.
Mariana Viola 11ºB
Ano Lectivo 2009/2010