


Agora não têm desculpa!
Um sítio para ler, escrever, pensar sobre livros, escritores, temas de actualidade, dirigido sobretudo aos alunos de Português do ensino secundário.
explicou à Antena 1, o alcance dos trabalhos realizados pelos cientistas vencedores na investigação sobre o ribossoma)
A escrita de Ricardo Araújo Pereira (ver entrevista) é, por vezes, desvalorizada pela maioria de nós. O leitor tende a considerá-la como uma divertida crónica da sociedade e dos seus costumes, mas chega a desprezar o que o humorista transmite nas “entrelinhas”. De carácter crítico, como é já habitual nos seus textos, Ricardo Araújo Pereira domina na perfeição a ironia nesta crónica, a qual nos leva a ver a realidade incrédula em que vivemos.
Mas, que mais poderíamos fazer para nos protegermos da gripe A? Se não fossem tomadas quaisquer medidas, criticaríamos. Assim fazemos o mesmo. Não será porque há, de facto, pouco a fazer?






Nunca é tarde para aprender a lavar as mãos
A tão negligenciada literatura de casa de banho acaba de obter o significativo patrocínio do Estado. O recente panfleto que a Direcção-Geral de Saúde espalhou por todas as casas de banho públicas do País é, antes de tudo, inquietante - como toda a boa literatura deve ser. Intitulado "Como lavar as mãos?", o texto começa por ser magistral no modo como manipula a arrogância do leitor para, em primeiro lugar, provocar o riso. Um riso que depressa se torna amargo: em poucos segundos, o mesmo leitor que intimamente escarneceu da intenção de quem se propunha ensinar-lhe insignificâncias é tomado pelo assombro de verificar que nunca, em toda a vida, teve as mãos verdadeiramente lavadas. O panfleto apresenta um plano de lavagem das mãos em 12 (doze) passos, incluindo manobras de esterilização com as quais o cidadão médio jamais terá sonhado. Não haja dúvidas: estamos perante um compêndio da higiene manual e digital, uma bíblia da desinfecção do carpo e metacarpo. Este detalhado e rigoroso guia não deixa nem uma falangeta por purificar. Mas - e isto é que é terrível -, ao mesmo tempo que o faz, esfrega-nos na cara a nossa imundície passada e presente.
Ao primeiro passo da boa lavagem de mãos é atribuído, misteriosamente, o número zero: "Molhe as mãos com água." Trata-se, é claro, de um momento propedêutico em relação à lavagem propriamente dita, mas não deixa de ser surpreendente que a Direcção-Geral de Saúde não lhe reconheça dignidade suficiente para lhe atribuir um número natural. O passo número um vem então a ser o seguinte: "Aplique sabão para cobrir todas as superfícies das mãos." É aqui que começa a vergonha. Quem sempre ensaboou não deixará de sentir a humilhação de nunca ter aplicado sabão. A instrução encontra na linguística um cruel elemento diferenciador do grau de asseio: quem sabe lavar-se aplica sabão; os porcos ensaboam-se. Porcos esses que, como é óbvio, olham pela primeira vez para as mãos como extremidades dotadas de uma pluralidade de superfícies.
Enxaguar as mãos é o passo oito. Secar as mãos com toalhete descartável, o passo nove. Mas o passo dez volta a revelar que o processo é complexo: "Utilize o toalhete para fechar a torneira, se esta for de comando manual." A torneira deve, por isso, continuar a correr durante todo o passo nove, provavelmente para prevenir eventuais emergências de enxaguamento, sendo fechada apenas no passo dez. O décimo primeiro passo é o mais interessante: "Agora as suas mãos estão limpas e seguras." A contemplação da limpeza e segurança das mãos constitui, portanto, um passo autónomo neste processo de lavagem manual. No fim da lavagem, falta apenas, com as mãos impecavelmente limpas (e seguras), sair da casa de banho abrindo a porta em que toda a gente mexeu. E, creio, voltar atrás para repetir o processo.


Agora que estão quase a ir de férias, relembro alguns momentos deste ano lectivo, publicando fotografias vossas que entretanto haviam ficado esquecidas.
Discurso Directo - Maratona da Leitura - 18 de Maio
12º TPG
A propósito do tema discutido no encontro, deixo sugestão para reflectir/treinar; ou, já que acharam graça ao conceito, para alargar a vossa "enciclopédia"


Ao todo havia seis bancadas, as quais estavam divididas de acordo com os suportes e os tipos de alfabeto. Na primeira bancada que vimos estavam dois portáteis com crianças a escrever no Microsoft Word e logo ao lado outra com duas máquinas de escrever das antigas para as crianças poderem ver qual era a diferença entre elas; noutra bancada estava o Prof. Dr. Carlos Guardado a ensinar as crianças a escrever árabe, e também havia uma outra bancada com uma professora a explicar aos alunos como se escrevia com canetas de aparo; logo de seguida tínhamos a bancada onde uma aluna do 10º PTS e uma técnica do Museu estavam a ensinar a escrever com penas que se mergulhava em tinta, e por fim, na última bancada que visitámos, estava uma senhora a preparar umas pequenas peças de barro - a imitar as antigas placas de argila que se usavam há milhares de anos - para que os mais pequenos pudessem escrever nelas hieroglífos egipcios e as levassem para recordação. Estava tudo muito bem organizado por alguns alunos e professores da escola Henriques Nogueira, coordenados pela nossa professora de Português e pela directora dos serviços educativos do Museu Leonel Trindade.







Ver slideshowDesconstrução e reconstrução das regras de pontuação. Não há, na obra, "ausência de pontuação"; há reconfiguração: