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30 setembro 2010

Eu tenho um sonho…

Inês Pereira  disse...


Vivo perante um sonho, um sonho que me acompanha desde criança.

Sonho que me faz viver, conviver, partilhar, estudar, conversar, tudo o que leva a uma vida em sociedade, tudo o que leva a grandes e boas amizades.

Tenho o sonho de um dia poder ser falada por um bom motivo, por ajudar, por revolucionar, por lutar por um mundo melhor.
Quero lutar por este país, por estas sociedades, por esta pátria, por este Portugal!
Se todos ajudarem, se todos contribuírem, vai haver mudanças.
Digam sim ao voluntariado. Sejam médicos, enfermeiros, dentistas, engenheiros. Sigam profissões procuradas e necessárias às condições básicas de vida dos nossos cidadãos.

Eu tenho o sonho de que todas as dificuldades, todos os contratempos serão ultrapassados.

Eu tenho um sonho e este sonho vai-se tornar realidade, por mim, por todas estas gerações.

28 Setembro, 2010 00:19

25 setembro 2010

Multimédia

A Arte é uma das formas mais vigorosas de intervir no real.

Deixo-vos o trabalho do artista Rui Gato e da Banda dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras, com uma dedicatória especial aos músicos:

Ana Marta, do 11ºB (oboe) e Pedro, do 11º A (saxofone alto)

ATENÇÃO: No sítio oficial têm o fabuloso trabalho multimédia preparado para ecrã, o qual inclui imagens da Banda a tocar (sim...vemos o Pedro e a Ana Marta e o prof. Fernando Martins!):

                                       http://how.pt/simple_how_news.html

Pensar o real

A propósito do discurso de Martin Luther King, e da necessidade de atenção ao real, foi feita a seguinte proposta, apresentada em aula:

Identificar um problema, uma situação a alterar...
Pensar uma resolução, uma forma de intervir para melhorar
Apresentar o resultado num vídeo de 1 minuto a 1,5 min.
Aqui fica o primeiro trabalho:

23 setembro 2010

Leituras do discurso de Luther King

                                                                                                                    Discurso Político

Discurso aos participantes na Marcha sobre Washington pelo Emprego e pela Liberdade. Marcha realizada a 28 de Agosto de 1963.
Assunto em causa: Descriminação, Falta de liberdade e oportunidade, injustiça, desigualdade, segregação.
Etiquetas: descriminação; segregação; direitos civis
Martin Luther King, menciona nesta manifestação da liberdade alguns dos seus sonhos:
- viver num país em que os negros não fossem julgados pela cor da sua pele, mas sim pelo conteúdo do seu carácter;
- sentar à mesa da fraternidade os filhos dos antigos escravos e os filhos dos antigos donos de escravos;
- transformar o Estado do Mississipi, um Estado asfixiado pelo calor da injustiça, asfixiado pelo calor da opressão num oásis de liberdade e justiça;
- conseguir que, um dia, no longínquo Alabama, com os seus tenebrosos racistas, com o seu governador cheio de ódio,  os meninos pretos e as meninas pretas pudessem dar irmãmente as mãos aos meninos brancos e às meninas brancas;

Alguns argumentos que levaram a esta grandiosa manifestação da liberdade:
- “ (…) O negro ainda não é livre”;
- “a vida do Negro continua a ser desgraçadamente tolhida pelas algemas da segregação e pelas grilhetas da discriminação”;
- “ (…) o Negro vive numa ilha deserta de pobreza no meio dum vasto oceano de prosperidade material”;
- “Cem anos volvidos [sobre o fim da escravatura], o Negro continua confinado aos cantos da sociedade americana e sente-se exilado na sua própria terra”;
- A América ter passado ao povo negro um cheque sem cobertura, um cheque em cujas costas estava escrito «insuficiência de fundos».
Estratégias argumentativas para cativar o público:
- Logo no início do seu discurso, Martin Luther King usou a seguinte frase: “Sinto-me feliz por estar hoje aqui convosco naquela que irá ficar na história da nossa nação [Estados Unidos da América] como a maior manifestação pela liberdade” com a finalidade de criar uma relação favorável com o auditório, manifestando o seu interesse em estar ali, junto daquele público.
Ao longo do seu discurso Luther King utilizou recursos expressivos como a anáfora, a comparação, a metáfora e também algumas analogias.Martin Luther King utilizou diversas estratégias de argumentação, nomeadamente os recursos expressivos como podemos verificar nestes dois exemplos retirados do texto:
- “Essa proclamação (…) como um grande farol (…)” – Comparação
- “Por isso viemos aqui hoje denunciar uma situação vergonhosa. Em certo sentido, viemos à capital da nossa nação descontar um cheque.” – Metáfora
Inês Pereira,11º B23 Setembro, 2010 00:11

22 setembro 2010

O reverendo Martin Luther King, em 1963, referiu alguns dos seus sonhos na Marcha Sobre Washington pelo Emprego e pela Liberdade.Os sonhos que ele tanto queria que se concretizassem eram:
- Um nação que vivesse segundo a Constituição americana, onde cada pessoa fosse ela negra ou branca tinha o "Direito à vida, Direito à Liberdade e à busca da felicidade".
-Que todos os brancos, donos de escravos e negros vivessem com igualdade e harmonia não importando o seu estatuto social, querendo também mais justiça nos julgamentos onde os negros fossem julgados pelo seu caractér e não pela sua cor.
-Queria igualmente que os seu filhos e outras crianças negras pudessem crescer ao lado de crianças brancas, sem serem julgadas e segregadas.
-Queria que em alguns estados referidos como mais conservadores que eram o Alabama, Mississipi e Geórgia, fossem libertados da "tirania" dos seus governadores, para que no futuro devessem ser estados de igualdade e liberdade.
-Afinal queria uma nação unida socialmente, e culturalmente em que todas as pessoas vivessem com iguais direitos civícos, com a mesmo liberdade e que não fosssem segregadas como durante muito tempo foram.
Durante a sua Marcha, Martin L. King também criticou o Governo Americano e os estados mais conservadores, que para ele eram desrespeitadores da Constituição americana e dos direitos de cada pessoa e sonhava que a nação fosse livre e que respeitasse a liberdade de cada um. Martin Luther King lutou e sonhou para isso mudar.
Rui Mendonça nº20 11º A

14 setembro 2010

Podes ver o discurso na íntegra.




A pedido de vários alunos vai com legendas em [mau] português, o único que encontrei disponível. Se conseguirem,vejam sem legendas: as dúvidas serão esclarecidas com a leitura do texto, disponível no Manual.

Bom Trabalho.


Aguardo os vossos filmes (usar telemóvel ou máquina fotográfica) - um minuto a 1,5 ', não mais.

É obrigatório dar um título, que traduza o tema e/ou o vosso ponto de vista.

Olhar atento e cuidado na edição das imagens.


Imaginar o futuro

Quando imaginamos o futuro
é porque queremos pereceber melhor o presente

11 setembro 2010

Cidades imaginárias




O futuro é construído pelas nossas decisões diárias, inconstantes e mutáveis, e cada evento influencia todos os outros   Alvin Tofller
Diogo Valério,  Maio 2010
Beatriz Carreira, Maio 2010


Há séculos que os desertos e as grandes florestas e os densos bosques pintalgados de sol tinham desaparecido da face de um pequeno mundo superpovoado, porque a terra era pouca para edificar e para cultivar. Por isso se cultivavam também os oceanos. Nas antigas florestas da Amazónia havia deslumbrantes cidades de vidro, aeroportos imensos, belas auto-estradas. O mesmo nas de África e da Ásia, o mesmo nas do resto do mundo. E os animais, os poucos que tinham sobrevivido ao arrancar das raízes, encontravam-se em três ou quatro pequenos jardins de aclimatação.

Aquelas estranhas florestas eram, no entanto, as que ele imaginava. Velhas, luxuriantes florestas de há séculos, com uma vida que vinha do princípio das coisas. Florestas com túrgidas flores que nasciam, cresciam e morriam em poucas horas, que, por assim dizer, renasciam e onde o perigo espreitava por detrás de cada folha.

Mª Judite de Carvalho, “A Floresta em sua casa” in Os Idolatras, 1969
 
 
 
11º A e B
 
Este é o vosso novo espaço!
Podem sempre voltar ao asas-da-fantasia, se a nostalgia atacar.


 
Começamos com dois trabalhos  dos colegas Beatriz e Diogo, que desenharam a sua visão do futuro, a partir do conto de Mª Judite de Carvalho, incluído no livro Os Idólatras.







Bom Ano!

10 julho 2010

Uma última ajuda

Quadro de Pedro Chorão. Foto: N.S.

Meus caros alunos que se vão apresentar a exame, na 4ª feira

Para facilitar um pouco a vossa vida, criei alguns "posts" sobre a matéria e recuperei outros que estavam lá para trás. Assim fica tudo junto.

Bom trabalho! O fundamental é: ler o enunciado com muita atenção, não alongar demasiado as respostas - para evitar descontos nos erros - e, na III, fazer tópicos, registos de ideias e vocabulário, ter um fio condutor e só depois avançar para a escrita.
Respirar fundo! Não andar aos saltos nas respostas. Fazer cada grupo de uma vez. Comecem pelo que sabem melhor.

Atenção Filipa - concordâncias, preposições, ligações descontam 2 pontos! Calma e tempo para rever.
Atenção Fábio (do PTG) - aposta na interpretação e no desenvolvimento. Lê o texto da III antes de entregar. Vê se ficas convencido. Tem de ter coerência.

A todos - Boa sorte!

SEGUNDA À TARDE POSSO AJUDAR, SE PRECISAREM.

O poeta da Natureza

O Poeta da Natureza, Alberto Caeiro, é um guardador de rebanhos. E os rebanhos são os seus pensamentos.
Este filósofo anti-filosofia afirma que o seu olhar “é nítido como um girassol” e que anda a passear e a olhar o mundo, sempre com o pasmo que uma criança tem ao ver o mundo quando nasce “se, ao nascer,/ Reparasse que nascera deveras…”. Acredita na eterna novidade do mundo, no que os sentidos lhe transmitem e que o importante é o “agora”. Pensa com os sentidos enquanto deambula pela vida: “Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la”.“Pensar é estar doente dos olhos”, por isso não devemos reflectir sobre as coisas, devemos olhar para elas e vê-las, e de todas as vezes que olharmos para trás e as virmos, devemos vê-las como algo novo que são, não ver a Natureza por dentro “Porque a Natureza não tem dentro/ Senão não era Natureza.”.
A lição mais importante que Caeiro tem para nos ensinar é vivermos em comunhão com a Natureza, aceitá-la tal como ela é sem reflectirmos sobre o assunto e absorvê-la com os nossos sentidos, livres de preconceitos e de imagens predefinidas. Este poeta da Natureza não é só o mestre de Pessoa e dos outros heterónimos, é também o meu mestre e deveria ser o de todos nós.“Pensar incomoda como andar à chuva” e eu hoje não me quero molhar.
A. Catarina, 12º H

Imagem: poloroid tirada pelos alunos no atelier sobre Cesário Verde, em 2007. Acho que é uma boa companhia: Cesário, mestre de Caeiro, mestre de Pessoa.
A Mensagem apresenta uma leitura simbólica e mítica da História de Portugal.

 O que em Os Lusíadas é acção/história, na Mensagem é ideal/mito.

 Parte de um núcleo histórico concreto e de personagens com existência histórica (como Os Lusíadas), mas o que interessa ao poeta, o que une todos esses “heróis” (ganhadores ou perdedores), é:
  1. o seu lado ideal e mítico
  2. o cumprimento de uma missão maior a que foram chamados
  3. a “febre d’Além”
  4. a grandeza de alma insatisfeita
  5. o sonho que eleva a humanidade acima da “besta sadia”.

Tem por base a ideia mítica do destino (ou desígnio) dos povos para determinadas missões:


“Deus ou os deuses talharam o destino dos povos.”
(J. Prado Coelho)

A Mensagem representa o “elogio do Português, desvendador e dominador de mundos”, enquanto ideal, procura de Absoluto.

O Império Português do Século XVI é visto como um “obscuro e carnal arremedo” desse outro Império Espiritual por achar:
“Cumpriu-se o Mar, e o império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!”

A situação de Portugal do seu tempo:

“uma época da pátria em que havia minguado a estatura nacional dos homens (...) um presente infeliz”
Um tempo de “inquietação e angústia”
“Ó Portugal, hoje és nevoeiro...” (Nevoeiro)
“Este fulgor baço da terra/Que é Portugal a entristecer - /Brilho sem luz e sem arder” (Nevoeiro)


A força do espírito
“O esforço é grande, o homem é pequeno”
“A alma é divina e a obra é imperfeita.”

( O Padrão)

“contra as artes e as forças do espírito não há resistência possível”
“Todo o império que não é baseado no Império Espiritual é uma Morte de pé, um Cadáver mandando.”


Mensagem e o Modernismo
http://www.prof2000.pt/users/hjco/mensagem/

Análise de poemas (não perder muito tempo; só para confirmar algum aspecto)
http://www.umfernandopessoa.com/analise-poemas-mensagem.htm

Leituras de FP

Na poesia do Fernando Pessoa, pode-se referir o poema “Autopsicografia”, como uma descrição do poeta, em que este exprime um fingimento artístico e uma dor sentida e escrita. “ O poeta é um fingidor / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente.”. Há uma enorme adesão de Fernando Pessoa ao uso de binómios: neste poema o poeta faz uma relação entre duas unidades opostas a da sinceridade - fingimento. Como conclusão, na “Autopsicografia” surge uma metáfora entre o coração e o comboio de corda que entretém o coração.

Outra característica na poesia ortónimo de Fernando Pessoa é a evocação de um espaço do passado; em muitos dos seus poemas a principal temática é a sua infância, descrita como um paraíso perdido, como um tempo que jamais voltará. Quando Fernando Pessoa faz uma reflexão sobre a sua infância evoca sentimentos de felicidade e um desejo infinito de lá voltar, comparando com a sua vida actual recorda a infância “como um tempo de ouro” “E eu era feliz? Não sei: / Fui-o outrora agora”.

“Viajar! Perder países! / Ser outro constantemente / Por a alma não ter raízes / de viver de ver somente.” Neste extracto do poema é notável o desejo de mudança que Fernando Pessoa alimenta durante toda a sua poesia, um desejo de liberdade, de leveza, de não ter um sítio para chegar, de não se fixar num lugar. Conclui-se, então, que na poesia do ortónimo, o sujeito poético é uma pessoa consciente, com um desejo de mudança, de imaginação, de criação, como o próprio diz: “eu não sou sonhador, mas sou um sonhador exclusivamente”. Utilizando toda a sua consciência e racionalidade, Fernando Pessoa procura conhecer toda a humanidade através de si próprio.

Trabalho enviado por João Félix

Criança, gato, ceifeira...

Em Fernando Pessoa ortónimo existe uma personalidade poética activa, que conserva o nome do seu criador. O ortónimo (no poemas que estudámos) centra-se em três criaturas simples: a ceifeira, o gato e a criança. O poeta ao pensar nestas criaturas alegra-se e entristece-se simultaneamente. No poema dedicado à ceifeira, esta canta pensando que é feliz, o poeta quer ser como ela, inconsciente, não ter de pensar nas coisas e, contudo, ter a consciência de toda a inconsciência, como se pode ler nos versos “Ter a tua alegre inconsciência / E a consciência disso!”.

Já no poema “Gato que brincas na rua”, Fernando Pessoa deixa evidente a temática da fragmentação do “Eu”, referida nos versos “Eu vejo-me e estou sem mim / Conheço-me e não sou eu”. O sujeito poético compara-se com o gato até mesmo no que diz respeito a este tema e pode-se confirmar que, ao contrário do “Eu”, o gato não[vive a angústia da dispersão do eu, da fragmentação existencial]  através dos seguintes versos: “És feliz porque és assim / Todo o nada que és é teu”.

O tema da criança está presente em diversos poemas da obra do ortónimo, “O Menino de sua Mãe”, “Quando as crianças brincam” e “Pobre velha música”, põe exemplo. Em todos estes poemas, o sujeito vai “sentir” uma nostalgia em relação à infância, ficando com pena de não a ter vivido com a intensidade que desejava, conforme se pode constatar nos versos: “Quando era criança”, “Quando as crianças brincam”, “E toda aquela infância / Que não tive me vem” e “Nessa minha infância / Que me lembra de ti”. Este tema para Fernando Pessoa e seus heterónimos merece um ponto de destaque. Sendo a criança uma criatura livre, despreocupada, a infância também o vai ser, sendo esta chamada a idade d’ouro.


Ricardo Pinto 12º C

Fernado Pessoa - Um quarto com muitas portas!

"Sê plural como o universo!" Pessoa inventou muitas pessoas
Fernando Pessoa procura através da fragmentação do “eu” a totalidade. A tensão entre o material e o sonho, o real e o ideal, entre querer e fazer surge como tentativa para encontrar a unidade entre a experiência sensível e a inteligência.

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Depois de teres lido os poemas ortónimos sobre a temática da infância, ouve agora o poema Aniversário, do heterónimo Álvaro de Campos (incluído no Manual), para perceber de que modo a criança "de outrora de hoje" atravessa vários poemas:
Ouvir Aniversário (Universade Aberta)

Outros sítios com os textos, elementos biográficos e/ou iconografia de Fernando Pessoa:
A obra de Fernando Pessoa (na Biblioteca Nacional)
Instituto Camões (língua, cultura e literatura portuguesas)
Virtuália (blogue em português do Brasil; tem informação fiável e boas imagens)As Tormentas (informação sobre a vida e a obra de escritores portugueses)
Vidas lusófonas (idem; inclui citações do próprio escritor...)
Prof2000 (notas, apontamentos, análises temáticas sobre o poeta e os heterónimos; serve para apoiar o estudo, mas deve ser consumido moderamente, pois tem muitas "ideias feitas" sobre o assunto).

09 julho 2010

Fernando Pessoa




Não sei o quê desgosta
Não sei o quê desgosta
A minha alma doente.
Uma dor suposta
Dói-me realmente.


Como um barco absorto
Em se naufragar
À vista do porto
E num calmo mar,

Por meu ser me afundo,
Pra longe da vista
Durmo o incerto mundo.
        
Fernando Pessoa

Deixo algumas ligações

 Biografia
Modernismo/Fernando Pessoa - com alguns comentários e textos sobre o poeta
Biografia e poemas do ortónimo e heterónimo
Informações e poemas
Casa Museu Fernando Pessoa


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Fernando Pessoa em toda a sua vida trabalhou com um objectivo: olhar para si, para olhar para todo o Mundo, de forma a compreendê-lo : “ Por isso, conheço-me inteiramente, e, através de conhecer-me inteiramente, conheço inteiramente a humanidade toda”.


De tudo o que Fernando Pessoa escreveu, uma longa e extensa obra, nos poemas que estudámos o poeta aborda muitas vezes os temas da liberdade, do coração, do sonho, da consciência/inconsciência e do pensamento. Em muitos dos seus poemas revela um desejo de liberdade, de ser livre, de não estar preso.

Traços característicos do desejo do poeta de se libertar são a solidão, a inquiteação, a angústia que demonstra nos seus poemas. O poeta revela-nos também a dor de pensar, o desejo que este tem para deixar de intelectualizar as emoções, pois quer permanecer ao nível do sensível para poder desfrutar dos momentos bons da imaginação, mas a constante intelectualização não lhe permite.

O poeta assim sente-se numa constante angústia pois não consegue deixar de raciocinar, sempre que começa a sentir, este automaticamente intelectualiza essa emoção tirando-lhe o prazer de se interiorizar nessa emoção, incapacibiliando-o de ser feliz.

Nos seus poemas o poeta revela o desejo de se libertar de si próprio: “Ter a tua alegre inconsciência, e a consciência disso!”.

Podemos então concluir que o poeta sente com a imaginação e não com o coração, e que não existe fingimento ao criar o poema, mas sim na racionalização dos sentimentos sentidos pelo sujeito poético.



Felizmente há Luar!

Com Felizmente Há Luar! – e à maneira de Bertot Brecht – Luís de Sttau Monteiro pretende “ensinar”, obrigar a reflectir sobre as realidades do seu tempo (1961), analisando as situações através da apresentação de personagens, fora do tempo do espectador, cujos comportamentos valem pela sua exemplaridade.
Pondo em relevo os conflitos entre grupos sociais em 1817, pretende levar o espectador a ver de fora – já que se trata de outra realidade – a analisar e tirar conclusões sobre, por exemplo: 

  • O autoritarismo dos governantes, que não hesitam em perseguir e matar para se manterem no poder e garantirem a “ordem” dos poderosos

  • A prepotência e servilismo das classes dirigentes (representadas por D. Miguel)

  • A interferência da Igreja nos negócios do estado e a sua aliança com o poder autoritário; o domínio pelo terror, em nome de Deus

  • A mesquinhez, oportunismo e imoralidade dos delatores – Vicente, pela traição e a denúncia ganha um posto na polícia; vende-se pelo preço de um emprego

  • A coragem e a honradez dos que lutam pelas suas convicções, independentemente das consequências que possam sofrer; os que não se vendem – General;

  • O peso na consciência dos que podem agir para mudar e não o fazem – Sousa Falcão

  • A coragem e determinação de lutar contra a adversidade – Matilde

  • Os prejuízos causados pelo medo, a falta de determinação, o silêncio face à injustiça – os populares que facilmente se deixam enganar e/ou desistem de lutar

No caso da peça Felizmente Há Luar, as didascálias funcionam como um texto paralelo que enquadra, “traduz”, clarifica / limita a interpretação do texto teatral.

Muitas vezes nem se refere a indicações cénicas: consiste antes em comentários, antecipações, observações, referências psicológicas sobre as acções das personagens...

Ex: “O Principal Sousa, que só no segundo acto se revela inteiramente, apenas pretende salvar a sua consciência (…)”;
“A ingenuidade do Principal Sousa não é verdadeira. Este prelado defende-se, sempre, tentando mostrar-se alheio à política e as decisões em que intervém.”
- “Dois Polícias – iguais a todos os polícias”

- “Três conscienciosos governadores do reino”

Felizmente Há Luar



 Maria do Céu Guerra no papel de Matilde; João d'Ávila, como Sousa Falcão


O teatro defendido por Luís de Sttau Monteiro, à maneira do que então se praticava em muitos palcos da Europa tem como tem como preocupação fundamental levar os espectadores a uma maior consciência sobre o seu presente, a partir da reflexão sobre os acontecimentos passados, alertá-lo e levá-lo a tomar posição na sociedade em que se insere.
Surge assim a técnica do distanciamento, a qual assenta no afastamento entre o actor e a personagem e entre o espectador e a história narrada, para que, evitando a dispersão emocional, possam fazer juízos de valor sobre o que está a ser representado.

Luís Sttau Monteiro pretende, pois, através da distanciação, envolver o espectador no julgamento da sociedade, contribuir para a tomada de consciência crítica. Deste modo o espectador deve possuir um olhar crítico para melhor se aperceber de todas as formas de injustiça e opressões. O teatro assume aqui uma missão social e política, que se compreende melhor se conhecermos as coordenadas do espaço e do tempo L. Sttau Monteiro: .Portugal, 1961



 Crónica de imprensa de José Saramago,

integralmente cortada pela Censura




Questionário sobre FHL, para treino http://aulaportugues.no.sapo.pt/testefelizmente.htm



Responde agora:
1) Em que acontecimentos históricos se baseia a obra dramática Felizmente Há Luar?
2) Sobre que temas/problemas chama a atenção esta obra?
3) Por que motivo foi proibida até 1974?
4) Quais os valores defendidos na peça?
5) Que males são comuns aos regimes políticos e às sociedades de 1817 e de 1961?


Companhia A Barraca

Ler, treinar e saber mais:

  • Treinar/Estudar a peça de maneira informada e criativa (WEBQUEST)

Aqui encontras alguns TEMAS relacionados com os anos 60 (vídeos)
1961 Assalto ao Santa Maria; início da guerra em Angola http://www.rtp.pt/wportal/informacao/50anos_50noticias/50anos50noticias_anos60.php
1969 - Ida à Lua





                                                 

Ver estrelas

"Ler nas Estrelas", na Noite dos Museus

Se as coisas são inatingíveis... ora!

Não é motivo para não querê-las...

Que tristes os caminhos, se não fora

A presença distante das estrelas!

Mário Quintana


Na foto está o Francisco, mas podiam ser muitos de vós.
Nada deve impedir-vos de olhar bem alto, de ver estrelas onde ainda parece só haver neblinas.

 
Parabéns a (quase) todos! Ainda só vi as pautas. Agora irei fazer o balanço. Depois digo.
 
 Em especial, partilho da alegria de todos por ter havido muito bons resultados a Matemática.
 
 
 
Coragem para os que não conseguiram ficar despachados. É voltar à carga, agora com mais empenho. Contem comigo e com os materiais e instrumentos de apoio (podem escrever no blogue, pôr dúvidas, etc.)
 
 
Todos a seguir o seu caminho, sem receios do que têm de enfrentar. Afinal:

Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam, e do caos nascem as estrelas.

Charles Chaplin


  Berço de estrelas. Imagem NASA

18 junho 2010

José Saramago

José Saramago
1922-2010


O Nobel da Literatura português morreu hoje.

Há muitas formas, nestes dias, de prestar homenagem a José Saramago.

Mas, a meu ver, a melhor homenagem, a mais duradoura,  é ler o que escreveu. Fico feliz por o termos feito. Espero que continuem a fazê-lo, agora já por vossa livre iniciativa.

"Creio que falta filosofia à sociedade actual. Filosofia enquanto espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objectivo concreto, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, necessitamos do trabalho que é pensar e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma"
(excerto que está patente na abertura do seu blogue "Outros Cadernos de Saramago")
 
Vivemos numa sociedade de informação. O que não vivemos é numa sociedade de informados. JS
 
 
 
 
Romance


Terra do Pecado, 1947

Manual de Pintura e Caligrafia, 1977

Levantado do Chão, 1980

Memorial do Convento, 1982

O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984

A Jangada de Pedra, 1986

História do Cerco de Lisboa, 1989

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991

Ensaio sobre a Cegueira, 1995

Todos os Nomes, 1997

A Caverna, 2000

O Homem Duplicado, 2002

Ensaio Sobre a Lucidez, 2004

As Intermitências da Morte, 2005

A Viagem do Elefante, 2008

Caim, 2009



Poesia

Os Poemas Possíveis, 1966

Provavelmente Alegria, 1970

O Ano de 1993, 1975



Crónica, Ensaio, Conferências, Memórias

Deste Mundo e do Outro, 1971

A Bagagem do Viajante, 1973

As Opiniões que o DL teve, 1974

Os Apontamentos, 1976

A Estátua e a Pedra, 1966

Folhas Políticas (1976-1998), 1999

Saramago na Universidade, 1999

Aquí soy Zapatista, 2000

Andrea Mantegna. Un'etica, un'estetica, 2002

El Nombre y la Cosa, 2006

As Pequenas Memórias, 2006



Viagens

Viagem a Portugal, 1981

Teatro

A Noite, 1979

Que Farei com Este Livro?, 1980

A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987

In Nomine Dei, 1993

Don Giovanni, ou o Dissoluto Absolvido, 2005



Diário

Cadernos de Lanzarote - I, 1994

Cadernos de Lanzarote - II, 1995

Cadernos de Lanzarote - III, 1996

Cadernos de Lanzarote - IV, 1997

Cadernos de Lanzarote - V, 1998

Conto

Objecto Quase, 1978

Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido, 1979

O Conto da Ilha Desconhecida, 1997

A Maior Flor do Mundo, 2001

Fontes: Editorial Caminho
Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga (Golgã) a 16 de Novembro de 1922, apesar de ter sido registado dia 18. Além de jornalista e escritor, foi desenhador, funcionário da Saúde e da Providência Social, editor e tradutor.

Publicou o primeiro livro em 1947, "Terra do Pecado", mas a segunda obra só chegou em 1966.
A partir de 1976 dedica-se exclusivamente à literatura e tem o seu maior sucesso comercial com "O Memorial do Convento" (1982).
Em 1983, Saramago foi agraciado com o Prémio Camões, o mais importante prémio da literatura portuguesa.
Mais tarde, "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (1991) seria o romance mais polémico do autor. O secretário de Estado Sousa Lara (Governo PSD de Cavaco Silva) impediu que a obra concorresse a um importante prémio.
O livro "Ensaio sobre a Cegueira" foi adaptado para o cinema em 2008 pelo realizador brasileiro Fernando Meirelles.
Casado com a jornalista espanhola Pilar del Rio em segundas núpcias, tem uma filha e dois netos do primeiro casamento. Vivia na ilha espanhola de Lanzarote, onde tem uma fundação com o seu nome.