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30 janeiro 2010

Exames



PROVA 639 (Português)

16 de Junho, 4ª feira, 14h00

14 de Julho, 4ª feira, 09h00
 
 


Na altura própria, não deixes de consultar as "dicas" de preparação para os exames, que coloquei no  moodle.




As imagens: sítio da Universidade Nova, Fac. de Ciências e Tecnologias - http://www.fct.unl.pt/
 
Este sítio tem imensas referências a cursos, programas de estudo, apoios e outros projectos que te interessam. Passa por lá!
 

25 janeiro 2010

Camões, Os Lusíadas


Mas eu que falo, humilde, baxo e rudo,
De vós não conhecido nem sonhado?
Da boca dos pequenos sei, contudo,
Que o louvor sai às vezes acabado.
Nem me falta na vida honesto estudo,
Com longa experiência misturado,
Nem engenho, que aqui vereis presente,
Cousas que juntas se acham raramente. (C.X, 154)

 





OS LUSÍADAS E MENSAGEM
 
- Palavras de grandes estudiosos e pensadores portugueses sobre as duas obras -

Prof. Jacinto Prado Coelho

"Os poemas de Camões e de Fernando Pessoa sobre Portugal situam-se respectivamente no início e na fase terminal do longo processo de dissolução do império. Daí notáveis diferenças, a par de afinidades sensíveis."

 

"Ambos se mostram impregnados duma concepção mística e missionária da História portuguesa (talvez seja melhor dizer missionante, para evitar equívocos). D. Sebastião, n' Os Lusíadas, é um enviado de Deus incumbido de alargar a Cristandade: «Vós, ó novo temor da Maura lança, / Maravilha fatal da nossa idade, / Dada ao mundo por Deus, que todo o mande, / Para do mundo a Deus dar parte grande» (I, 6). Na Mensagem, Portugal é um instrumento de Deus, a História pátria obedece a um plano oculto, os heróis cumprem um destino que os ultrapassa: «Fosse Acaso, ou Vontade, ou Temporal / A mão que ergueu o facho que luziu, / Foi Deus a alma e o corpo de Portugal / Da mão que o conduziu».


" Em Camões, põe-se no mesmo plano a memória e a esperança. Em Pessoa, não, porque o objecto da esperança se transferiu para o sonho, a utopia e daí uma concepção diferente do heroísmo ". (D' Os Lusíadas à Mensagem, p. 106)

Ensaísta Eduardo Lourenço: "Fernando Pessoa foi o primeiro que percebeu que Os Lusíadas já não nos podiam ler como até então nos tinham lido e que chegara o tempo de sermos nós a lê-lo a ele".
 
  • Evita ler materiais dispersos na internet ou em alguns manuais, que são leituras (às vezes fracas) de leituras de leituras: requentadas e com pouco a propor-nos de novo.
  • Perde o teu tempo a ler as próprias obras (os excertos indicados, prioritariamente).
Existe também disponível online a edição crítica da MENSAGEM (excertos de), obra memorável pela qualidade dos especialistas que junta. É um trabalho monumental, mas podes consultar só o que te interessa, nomeadamente os poemas que não estejam incluídos no Manual, muitas vezes com explicações e esclarecimento do significado simbólico de certas palavras/expressões:


Os textos do Prof. Jacinto do Prado Coelho aqui ncluídos foram retirados de:
O texto inicial de JPCoelho e o de Eduardo Lourenço foram publicados online pela Univ. Fernando Pessoa







10 janeiro 2010

Autopsicografia (Intelectualização do sentir)




Creio que têm já muitas notas, textos de apoio e notas para guiar as vossas análises escritas. Todavia, como sei que gostam muito de procurar outras ajudas, deixo um exemplo (apenas isso, um exemplo) de exploração temática e linguística do poema referido.
Quando fizerem os vossos não devem terminar assim, abruptamente, optando por umúltimo parágrafo de síntese interpretativa, de fecho.

EXEMPLO:
"A julgar pelo título, estamos perante uma descrição da própria alma, apresentada em três estrofes, constituindo cada uma delas uma parte do poema:
1. Na primeira estrofe temos já, em síntese, o pensamento implícito no conjunto do poema. Sendo “um fingidor”, o poeta não finge a dor que não sentiu. Finge aquela de que teve experiência directa. (...) Todavia, a dor que o poeta realmente sente não é aquela que deve surgir na sua poesia. Pessoa não considerava a poesia a passagem imediata da experiência à arte, opunha-se a toda a espontaneidade. Por isso, exigia a criação de uma dor fingida sobre a dor experimental.
O poeta, desde que se propõe escrever sobre uma dor sentida, deve procurar representar, materializando-a, essa dor, não nas linhas espontâneas em que ela se lhe desenhou na sensibilidade, mas no contorno imaginado que lhe dá(...)
Sobre o modelo da sua dor inicial, ou melhor, originária, o poeta finge a dor em imagens e fá-lo tão perfeitamente que o fingimento se lhe apresenta mais real do que a dor fingida. Assim, a dor fingida transforma-se em nova dor (imaginária), cuja potencialidade de comunicação absorve todas as virtualidades da dor inicial. Tratando-se duma transformação do plano vivido em plano imaginado, ela prepara a fruição impessoal das dores que a poesia pode proporcionar ao leitor.

 

2. Na segunda estrofe, os leitores de um poema não terão acesso a qualquer das dores – a dor real ou a dor imaginária: a dor real ficou com o poeta; a dor imaginária não é já sentida pelo leitor como dor, porque o não é (a dor é do mundo dos sentidos e a poesia – dor imaginária ou representada – é da esfera do espírito). Assim se compreende o último verso desta estrofe (“Mas só a que eles não têm”): os leitores só têm acesso à representação de uma dor intelectualizada, que não lhes pertence.

3. Na terceira estrofe, se a poesia é uma representação mental, o coração (“esse comboio de corda”), centro dos sentimentos, não passa de um entretenimento da razão, girando, mecanicamente, “nas calhas” (símbolos de fixidez e impossibilidade de mudança de rumo) do mundo das convenções em que decorre a vida quotidiana. Sempre a dialética do ser e do parecer, da consciência (razão) e da inconsciência (coração = comboio de corda), a teoria do fingimento.
A tripartição que apresentamos é denunciada pela conjunção “e” que inicia as 2ª e 3ª estrofes. No entanto, consoante o assunto, a composição poderia ser dividida em duas partes: a primeira constituída pelas duas primeiras estrofes onde o sujeito poético explica a sua teoria da intelectualização do sentir e a segunda constituída pela última estrofe onde ele conclui, através de uma metáfora, a veracidade dessa teoria.
O carácter verdadeiramente doutrinário deste poema faz com que predominem as formas verbais no presente (sendo o pretérito perfeito “teve”, no terceiro verso da segunda estrofe, a única excepção), tempo que conota uma ideia de permanência e que aqui aparece utilizado para sugerir a afirmação de algo que assume foros de verdade axiomática (“O poeta é um fingidor”) em que o facto de se utilizar a 3ª pessoa do singular do presente do Indicativo do verbo ser vem reforçar o atrás afirmado e impor, desde logo, a tese do poema.
A outra categoria morfológica com peso neste poema é o substantivo (poeta, fingidor, calhas, roda, razão, comboio, corda, coração), duas vezes substituído por pronomes demonstrativos (“os” no primeiro verso da 2ª quadra e “a” no último verso da mesma estrofe).
Há três advérbios de significado semelhante que é necessário referir, pela importância que assumem na caracterização das três “dores” abordadas no poema:
“finge (…) completamente” (o poeta)
“… deveras sente” (o poeta)
“…sentem bem” (os leitores)
De notar ainda o seguinte:
Na primeira quadra, há três palavras da família do verbo fingir (a tese) – fingidor, finge e fingir – e repete-se a palavra dor nos 3º e 4º versos.
Na segunda quadra, surgem-nos as formas verbais lêem, escreve, sentem, teve (= sentiu) e não têm (= não sentem), que conglobam os três tipos de dor de que atrás falamos: a dor verdadeira que o poeta teve; a dor que ele escreve e aquelas que os leitores lêem e não têm.
Na terceira estrofe, realçamos as formas verbais “gira” e “entreter”, porque sugerem a feição lúdica da poesia, cabendo à razão um papel determinante na produção poética. Enquanto ao coração cabe girar em calhas e entreter, fornecer emoções, à razão fica reservado o papel mais importante de toda a elaboração que foi apresentada nas duas primeiras quadras.
Ao nível sintáctico, verificadas as características de autêntico texto teórico que o poema reveste, o tipo de frase teria de ser o declarativo. (...)
A nível fónico, este é um poema semelhante a muitos outros de Pessoa ortónimo, de versos curtos (sete sílabas), se bem que haja, por vezes recurso ao transporte. Os versos agrupam-se em quadras e apresentam algumas irregularidades rimáticas e métricas, que não são de estranhar em F. Pessoa.
No aspecto semântico, verifica-se a utilização de uma linguagem seleccionada e simples, o que não quer dizer que a sua compreensão seja fácil. Tal fica a dever-se a vários factores:
Aproveitamento de todas as capacidades expressivas das palavras e a repetição intencional de algumas (dor, cognatas de fingir e ter, com o significado de sentir, verbo que também é usado duas vezes).
Utilização de símbolos: “comboio de corda” (brinquedo que vem sugerir o aspecto lúdico da poesia > o comboio (coração) fornece à razão o ponto de partida para a criação (fingimento); “calhas” (implicam a dependência do sentir em relação ao pensar (razão).
O uso de metáforas, com saliência para a que é constituída pelo primeiro verso do poema e para o conjunto que constitui a imagem final: o coração apresentado como um comboio de corda que gira nas calhas de roda a entreter a razão.
A perífrase do 1º verso da 2ª quadra (“Os que lêem o que escreve”, em vez de “os leitores”).
O recurso ao hipérbato, na última quadra, pela colocação das palavras fora do lugar que pelas regras normais da sintaxe, deveriam ocupar."



Melhor que tudo isto: os vossos textos. Aguardo.


08 janeiro 2010

Para ver e ouvir ...


Uma flor acaso tem beleza?

Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma

Por adnavsneto*

E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.

Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!


Alberto Caeiro




Para ouvir as palavras de Fernando Pessoa e dos heterónimos:
POEMA SELECCIONADOS (a 10 Jan.)


http://www.youtube.com/watch?v=VbG0hu5V4AA&feature=related

(Poema em Linha Recta, por Paulo Autran)

http://www.youtube.com/watch?v=_2cDWc3qYlA&feature=related

(Poema em Linha Recta, por Packman)

http://www.youtube.com/watch?v=IpDuOXM4xwQ
 (Esta velha angústia)


http://www.youtube.com/watch?v=SaRSBFc-VCA
(Grandes são os desertos; foi prémio de vídeo da Secretaria Estado da Culturaq do Brasil)


http://www.youtube.com/watch?v=tkZrfooeOIc
Tabacaria (excerto)

http://www.youtube.com/watch?v=MT4TzcqImJI&feature=related
(Se te queres…)


http://www.youtube.com/watch?v=IQJPdOlRUd0&feature=related
(vv. Guardador de Rebanhos, por Mário Viegas, in Palavras Ditas, 6’)


MENSAGEM


foto da autora do blogue
O Infante, por Elba Ramalho (musicado)


Imagem de frutos: http://media.photobucket.com/image/Imagens%20frutos/adnavsneto/Frutas/Frutas0006.jpg

16 dezembro 2009

Mestre Alberto Caeiro, Dr. Ricardo Reis e Engº Álvaro de Campos na Henriques





Gostei da aula de hoje, sobretudo da Mesa-redonda e das intervenções do público.

Quero essas fotos o mais depressa possível.

Dos trabalhos, nem se fala. Já cá deviam estar...

Um obrigada a todos, pela participação.
À Raquel, um agradecimento pelo café - foi uma ideia divinal.
Obrigada aos fotógrafos, também (é só para aparecerem alunos!!!)

Até 6ªfeira.

04 dezembro 2009

Ler para crer!

Ana Filipa Gomes destacou :
Mais uma citação de Fernando Pessoa (...) : "Viver é ser outro".
E descobri outra que pode ser interessante para analisar:

"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto."

Deixo-vos mais um dos trabalhos enviados.

Fernando Pessoa em toda a sua vida trabalhou com um objectivo: olhar para si, para posteriormente olhar para todo o Mundo, de forma a compreendê-lo : “ Por isso, conheço-me inteiramente, e, através de conhecer-me inteiramente, conheço inteiramente a humanidade toda”.


Nos poemas que estudámos, o poeta aborda muitas vezes os temas da liberdade, do sonho, da consciência/inconsciência e do pensamento. O sujeito poético revela-nos também a dor de pensar, o desejo que tem de deixar de intelectualizar as emoções, pois quer permanecer ao nível do sensível, mas a constante intelectualização não lhe permite.

O poeta, assim, sente-se numa constante angústia pois não consegue deixar de raciocinar, sempre que começa a sentir, automaticamente intelectualiza essa emoção, incapacitando-o de ser feliz. Nos seus poemas, o poeta revela o desejo de se libertar de si próprio: “Ter a tua alegre inconsciência, e a consciência disso!”.

Podemos então concluir que o poeta sente com a imaginação e não com o coração, e que não existe fingimento ao criar o poema, mas sim a racionalização dos sentimentos: "Sinto com a imaginação/Não uso o coração" ou "Sentir? Sinta quem lê!"


13 Novembro, 2009 19:10

02 dezembro 2009

Astros e Cia.




The New Age of Discovery in Astronomy, por Robert Kennicutt


Fundação Calouste Gulbenkian

- VISITA DE ESTUDO INTERDISCIPLINAR - A.P. FÍSICA, MATEMÁTICA, PORTUGUÊS


9 Dezembro 2009 . 18h00 (Saída: 16h15)


Na conferência quem precisar terá tradução simultânea. Mas agora, vá lá sem preguiça:

"We are in the midst of a golden age of discovery in astronomy, one which has been fueled by a new generation of telescopes on the ground and in space, the opening of new windows in the electromagnetic spectrum, and the computer revolution."

 
 Sobre o Orador:
 
"Robert Kennicutt is the Plumian Professor of Astronomy and Experimental  Philosophy at the University of Cambridge, and the Director of its Institute of Astronomy.  He has led large international team projects on the Hubble Space Telescope, Spitzer Space Telescope, Galaxy Evolution Explorer, and the Herschel Space Observatory, and served for 8 years as Editor-in-Chief of The Astrophysical Journal. Recently he was awarded the Gruber Cosmology Prize for his co-leadership of the Hubble Space Telescope Key Project that measured the size and age of the Universe. "
 

   
Fonte: FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN, SERVIÇO DE CIÊNCIA NAS FRONTEIRAS DO UNIVERSO

27 novembro 2009

Fernando Pessoa - o guardador de papéis




O interesse pela obra de Fernando Pessoa não tem limites. Vê a notícia do último "fascinado", Jerónimo Pizarro, o colombiano autor do livro Fernando Pessoa - o guardador de papéis (é um dos que levei para a aula, de onde li o excerto sobre a novela policial) . Diz que uma das maiores dificuldades é...a caligrafia! 


A propósito, deixo a referência a uma informação que talvez ainda desconheçam: O espólio documental do escritor Fernando Pessoa, que inclui cartas, fotografias, livros, apontamentos, foi classificado como "tesouro nacional" pelo "relevante interesse cultural"


Espólio documental de Fernando Pessoa classificado como "tesouro nacional"


 


O decreto (...) aprovado em Conselho de Ministros estipula que todo o espólio de Fernando Pessoa passa a ter interesse nacional.
Essa classificação teve em conta o "relevante interesse cultural, designadamente, histórico, linguístico, documental e social" e reflecte "valores de memória, autenticidade, originalidade, raridade, singularidade e exemplaridade", refere o Conselho de Ministros em comunicado.
Em declarações à agência Lusa, a sub-directora da Biblioteca Nacional, Maria Inês Cordeiro, explicou hoje que este é "o mais elevado grau de classificação dentro do património nacional". (...)

Esta classificação abrange todo o espólio documental conhecido e o que se vier a descobrir e impossibilita a sua saída de Portugal.

O espólio documental de Fernando Pessoa está depositado sobretudo na Biblioteca Nacional, mas há documentos do escritor na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, na Casa José Régio, em Vila do Conde, nas bibliotecas municipais do Porto e Ponta Delgada e na posse dos herdeiros."

In i informação
 Publicado em 30 de Julho de 2009



19 novembro 2009

Eu e Pessoa

Na poesia ortónima de Fernando Pessoa existe, a meu ver, uma estrofe do texto Autopsicografia que traduz a ideia principal desta escrita: "O poeta é um fingidor./ Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sentes."


Tal como disse Fernando Pessoa, "um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos" mas, neste caso, o poeta não tem necessariamente de sentir o que escreve e é por isso que o poeta se tornou um dos maiores génios da literatura, com a sua capacidade de interpretar e compreender as coisas e as pessoas, ou melhor, a sua capacidade de "abrir a janela para dentro". "O hábito único de sonhar possibilitou uma extraordinária nitidez de visão interior".

Quando se fala na poesia ortónima de Fernando Pessoa também se pode associar a uma unidade de opostos, ou seja, binómios. Consciência-inconsciêcia e sentir-pensar são dois binómios em que Fernando Pessoa se baseia. Por exemplo no poema "Ela canta, pobre ceifeira" está presente o binómio consciência-inconsciência, por exemplo: "Ter a tua alegre inconsciência/ E a consciência disso!". No poema "Isto", por outro lado, o binómio sentir-pensar pode-se notar na 1ª estrofe: "Eu simplesmente sinto/ Com a imaginação./ Não uso o coração".

Conclui-se que Fernando Pessoa revela a consciência de que "o poeta é um fingidor" e tudo o que escreve não é resultante dos seus sentimentos ou estado de espírito, mas sim de uma capacidade intelectual de "sentir com a imaginção"...


João Francisco Bastos nº 12

12 novembro 2009

O futuro da conquista do universo




"Especialistas de vários países debatem a 13 e 14 de Novembro, no Porto, que condições existem para uma futura expansão da raça humana para outros planetas para além da Terra e as consequências que isso pode ter para a humanidade.(...)"

"O facto de termos em diálogo cruzado pensadores de áreas diversas, como a teologia e a astrofísica, da antropologia e da psicologia, é um sinal da abertura urgente a novas vias de exploração do nosso próprio futuro que nãos e compadece com vias isoladas e disciplinas fragmentadas para o entendimento do todo"

10 novembro 2009

Ainda sobre WWW (Wild Wild West!)



 My Internet following … By Steve Outing on Feb 7, 2008 in Humor

Hipótese ‘A’
A internet é um meio de comunicação que liga todo o mundo, pela qual temos ao dispor toda a informação actualmente existente, sobre qualquer assunto que se possa imaginar. Por isso podemos fazer um trocadilho com world wide web, rede de alcance mundial, e wild wild west, que se entende como o oeste selvagem sem lei. Isto é, se aplicarmos o lema do oeste selvagem à internet, significa que a internet disponibiliza todo o tipo de informação, boa e má, sem “ninguém” para a supervisionar. Devido à enorme quantidade de ficheiros, sites, blogues, entre outros, não é possível regular este meio. Devido a isto a internet vai ter um lado positivo e um lado negativo. O lado positivo é o facto de quem quer escrever na internet não tem um regulador dos seus pensamentos, da sua expressão, por outro lado, o que possa constar na internet podem ser maus conteúdos, e isto é o lado negativo.

Como estudante, é difícil seleccionar informação, distinguir o “bom” do “mau”, o correcto do incorrecto. Por exemplo, sobre Fernando Pessoa encontram-se muitos dados, que podem ou não coincidir com o real, e muitas opiniões, que por serem subjectivas variam bastante.

Na internet uma das coisas mais “violadas” é a liberdade do outro, sendo esta não respeitada. Por exemplo, o Youtube invade a privacidade de muitas pessoas ao publicarem lá um filme; através da internet também se pode divulgar informações erradas sobre um pessoa de quem gostemos menos e podemos ainda difamar e dar testemunhos falsos sobre outra pessoa.

Como quase tudo no mundo, a internet também tem um lado ilegal, através da internet pode-se facilmente contornar ou transgredir a lei, compra e venda de produtos ilegal, não se respeitar os direitos de autor, fazendo os tão conhecidos downloads.

Eu concordo com o Prof. Jeffrey Cole, isto porque, como expliquei anteriormente, está a ser, usando as suas palavras, o “wild wild west”, “sem xerife, sem lei e sem ordem”, onde tudo pode acontecer e onde tudo pode estar. Mas é também essa falta de regulação que tem permitido uma enorme liberdade, mesmo em sociedades pouco amigas do livre pensamento.

Ricardo Pinto, 12ºC

07 novembro 2009

Fernando Pessoa - quem «são»?


«Cumpre-me agora dizer que espécie de homem sou. Não importa o meu nome, nem quaisquer outros pormenores externos que me digam respeito. É acerca do meu carácter que se impõe dizer algo.Toda a constituição do meu espírito é de hesitação e dúvida. Para mim, nada é nem pode ser positivo; todas as coisas oscilam em torno de mim, e eu com elas, incerto para mim próprio. Tudo para mim é incoerência e mutação. Tudo é mistério, e tudo é prenhe de significado.» F.Pessoa

«Os meus escritos, todos eles ficaram por acabar; sempre se interpunham novos pensamentos, extraordinárias, inexpulsáveis associações de ideias cujo termo era o infinito. Não posso evitar o ódio que os meus pensamentos têm a acabar seja o que for; uma coisa simples suscita dez mil pensamentos, e destes dez mil pensamentos brotam dez mil inter-associacões, e não tenho força de vontade para os eliminar ou deter, nem para os reunir num só pensamento central em que se percam os pormenores sem importância mas a eles associados.»

F.Pessoa

«Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, Não há nada mais simples. Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus.» F.P.



Fernando Pessoa pode não ter existido... A sua poesia, sim! A CASA FERNANDO PESSOA está em festa. Ouve a notícia aqui.
Os dois quadros de Pessoa aqui reproduzidos são da autoria de Costa Pinheiro.

25 outubro 2009

Que futuro?



Uma nova natureza?
Para finalizar o tema do debate, deixo-vos com uma excepcional entrevista com o guru mundial dos estudos sobre a internet e o consumo de produtos audio-visuais, Jeffrey Cole, investigador americano da universidade de South California, o qual esteve recentemente em Lisboa, para dar uma conferência sobre o tema.
(ver vídeo)



Quero os vossos comentários, reflexões, opiniões!

Literatura e tecnologia – Porquê separar algo compatível?


Sobre o texto abaixo, teci vários comentários que a todos importa ler, para quando fizerem textos. Não se esqueçam de os consultar.

É de conhecimento geral o constante contraste feito entre a cultura escrita e a audiovisual, o que, a meu ver, é desnecessário. Estamos em pleno séc. XXI, e estes dois meios não têm que ser, de modo algum, considerados inconciliáveis. De maneira a justificá-lo, irei argumentar ao longo do texto, tanto a favor da literatura como dos meios audiovisuais, demonstrando a sua compatibilidade.

Existente há milhares de anos, a escrita é uma ferramenta fundamental na comunicação entre seres humanos, não podendo jamais ser substituída por qualquer outro meio de comunicação. A literatura estimula a nossa curiosidade, desafia os nossos conhecimentos, proporcionando-nos um enriquecimento cultural extraordinário. Por experiência própria, posso dizer que ao ler um livro tomo contacto com diversas palavras que até então me eram desconhecidas., fazendo questão de procurar descodificar o seu significado. Já em frente a uma televisão, sinto que a variedade linguística não é a maior, muito pelo contrário, tem tendência a utilizar uma linguagem vulgar.

Por outro lado, evoluindo de dia para dia, a tecnologia tem a vantagem de ser rápida e prática, facilitando o acesso à informação pretendida. Já a procura num livro torna-se mais demorada e complexa. Muito mais rapidamente encontramos o significado de uma palavra na Internet do que a procurar num dicionário palpável. Há quem diga que uma utilização excessiva dos meios tecnológicos desvia a nossa atenção da literatura.

Porém, através dos meios audiovisuais podemos facilmente tomar conhecimento e obter informações sobre um qualquer livro, despertando-nos assim o interesse em lê-lo e propagando a literacia. Disse o escritor argentino Alberto Menguel: “Somos o que lemos, mas também o que não lemos”, expressando a extrema importância da literatura para a nossa formação como pessoas. Mas também é importante relevar a oportunidade de ampliar conhecimentos que imagens, vídeos, e outros meios audiovisuais nos fornecem.

É tempo de alargarmos os nossos horizontes, de sermos receptivos em relação ao desenvolvimento e simultaneamente de preservarmos um hábito que já vem de há tantas gerações… A cultura tecnológica intensifica, amplia e sofistica as possibilidades expressivas da literatura, mas para isso é necessário nunca esquecer, e dar o devido valor, ao prazer que é ler um livro. Se assim não for, de que lado iremos ficar? Apoiar a literatura, manter viva a tradição, ignorando a evolução e o desenvolvimento da sociedade? Ou tomar partido pela inovação, esquecendo as origens da reflexão e do pensamento?

Catarina, 12º A
23 Outubro, 2009 21:30

24 outubro 2009

A literatura ainda pode ser polémica?


Carrega na imagem para ver vídeo
com declarações de José Saramago sobre Caim, o seu novo livro

 

A propósito do lançamento de Caim - duas opiniões muito distintas.

A.
"Saramago escreveu outro livro. O seu título é “Caim”, e Caim é um dos protagonistas principais. Outro é Deus, outro ainda é a humanidade nas suas diferentes expressões. Neste livro, tal como nos anteriores, “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, por exemplo, o autor não recua diante de nada nem procura subterfúgios no momento de abordar o que, durante milénios, em todas as culturas e civilizações foi considerado intocável e não nomeável: a divindade e o conjunto de normas e preceitos que os homens estabelecem em torno a essa figura para exigir a si mesmos - ou talvez seria melhor dizer para exigir a outros- uma fé inquebrantável e absoluta, em que tudo se justifica, desde negar-se a si mesmo até à extenuação, ou morrer oferecido em sacrifício, ou matar em nome de Deus.
“Caim” não é um tratado de teologia, nem um ensaio, nem um ajuste de contas: é uma ficção em que Saramago põe à prova a sua capacidade narrativa ao contar, no seu peculiar estilo, uma história de que todos conhecemos a música e alguns fragmentos da letra. Pois bem, com a cabeça alta, que é como há que enfrentar o poder, sem medos nem respeitos excessivos, José Saramago escreveu um libro que não nos vai deixar indiferentes, que provocará nos leitores desconcerto e talvez alguma angústia, porém, amigos, a grande literatura está aí para cravar-se em nós como um punhal na barriga, não para nos adormecer como se estivéssemos num opiário e o mundo fosse pura fantasia. Este livro agarra-nos, digo-o porque o li, sacode-nos, faz-nos pensar: aposto que quando o terminardes, quando fizerdes o gesto de o fechar sobre os joelhos, olhareis o infinito, ou cada qual o seu próprio interior, soltareis um uff que vos sairá da alma, e então uma boa reflexão pessoal começará, a que mais tarde se seguirão conversas, discussões, posicionamentos e, em muitos casos, cartas dizendo que essas ideais andavam a pedir forma, que já era hora de que o escritor se pusesse ao trabalho, e graças lhe damos por fazê-lo com tão admiráveis resultados.
Este último romance de José Saramago, que não é muito extenso, nem poderia sê-lo porque necessitaríamos mais fôlego que o que temos para enfrentar-nos a ele, é literatura em estado puro."

Pilar del Río
B.
"Ainda não li Caim e por isso não falo de um livro que não conheço, mas vi e ouvi as declarações do autor: “O Deus da Bíblia não é de fiar: é vingativo e má pessoa.”
Saramago traçou dois objectivos ao lançar mais uma polémica: espetar mais um prego na crucificação da Igreja Católica e através da agressão suscitar o debate e vender a sua obra.
Saramago conseguiu juntar o útil ao agradável, mas houve uma variável que o consagrado Nobel da Literatura esqueceu. O plano de Saramago não é perfeito e o escritor pode ter caído numa cilada de Deus.
A má pessoa imaginária que Saramago persegue e teima em negar preparou uma vingança ao escritor e usou o velho Nobel para lançar o debate, não sobre Caim mas sobre a Bíblia, e trazer novos leitores para o livro escrito por um Deus que o escritor diz ser vingativo.
(...)
A estranha luta de Saramago com um Deus que não existe não é uma demência intelectual. É a revolta de um homem que desconhece que na sua procura por um divino que nunca descobriu foi encontrado por um Deus que o conhece e o ama profundamente.
Saramago é inteligente. Não perde tempo em conversas banais com o eurodeputado Mário David que apelou à sua renúncia da nacionalidade portuguesa. Não tem medo de afrontar a religião maioritária e de afirmar que já não há fogueiras para queimar os hereges. Mas quando fala de Deus e da Bíblia o verniz estala. Inquieta-se. Revolta-se. Sente-se perturbado. Quer vingança!
Ninguém inteligente luta com a fantasia alheia. Fazer um campanha contra alguém que não existe é uma perda de tempo e Saramago sabe que o tempo que lhe resta é pouco para ser esbanjado em palermices de religiosos.

Saramago tem razão! Mas não tem fé! E a razão sem fé é como a justiça cega.
O que inquieta Saramago é a sua lógica contraditória. Como é que um Deus que só existe na cabeça das pessoas as influencia tanto?
(...)
A estratégia fracassada de Saramago transformou-o no maior publicitário português da Bíblia. Mesmo que Deus não exista ele conseguiu fazer o que muitos pregadores tentaram mas raramente conseguiram, trazer os desiludidos com a religião de volta às Escrituras.
Obrigado Saramago."

João Pedro Martins, em


21 outubro 2009

Literatura versus Tecnologia ou Meios Audiovisuais

Nos dias de hoje, a literatura é compatível com a tecnologia. Este tema tem originado muita controvérsia, é ambíguo e necessita de um cuidado especial para ser tratado. A importância da literatura e da tecnologia para a sociedade e sua compatibilidade farão parte do assunto deste texto.

A literatura serve como ferramenta ou utensílio para combater a iliteracia e é um instrumento de cultura indiscutível. O problema é que, como dizia Carlos de Andrade: "A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede. " Por vezes as pessoas entretêm-se com passatempos fáceis, denominadamente, alguns que os meios audiovisuais oferecem, como concursos e outros programas televisivos muito básicos, ou diálogos (?) sem sentido em redes sociais de 600 amigos, com quem se fala de tudo superficialmente e de coisa nenhuma em profundidade. (1)
Mas a tecnologia também tem os seus convenientes, entre os quais, a aprendizagem de indivíduos invisuais graças às várias edições de livros possíveis com a tecnologia. É um exemplo de compatibilidade, pois os livros ficam disponíveis a um grande número de pessoas.

Com o avanço da ciência e da tecnologia, será que esta compatibilidade estará ameaçada? Não estará este avanço tecnológico a empobrecer a nossa cultura e educação? Ninguém pode negar que, sem a tecnologia e os meios audiovisuais, a literatura perdia também uma forma de ser divulgada. Por exemplo, a divulgação dos prémios nobel da literatura para o mundo deve-se à televisão. É mais um elemento a favor da compatibilidade entre a literatura e os meios audiovisuais.

José, 12º A
21 Outubro, 2009 23:17

(1) Foram acrescentados dois exemplos, porque no exame terão de ter isso em conta.

Literatura e Tecnologia


Fotos: Alexander e Eda, 10º A. Biblioteca M. Torres Vedras. 20 Out.09


Literatura e tecnologia
- compatíveis e compensatórias -
Em pleno século XXI acredito, e quero continuar a acreditar, que os livros e os meios audiovisuais são indiscutivelmente compatíveis.Os livros acompanham-nos desde sempre, são uma base essencial ao ser humano sem a qual já não viveríamos pois ajudam-nos a pensar e a ter espírito crítico. A tecnologia, por sua vez, assume um papel de suporte importante, ao estimular os interesses pessoais e necessidades de cada um, sendo portanto complementar da literatura.
Nos últimos tempos, o futuro da literatura parece preocupar-nos, pelo menos àqueles que, como eu, não dispensam o livro na mesa de cabeceira, ou na mala para sempre que se tem um tempinho livre. Assim, alguns consideram o mundo actual, repleto de novas tecnologias que avançam do dia para a noite, incompatível com a cultura escrita, por considerarem esta mais complexa.


Outros, mais progressistas, acham que um livro em suporte digital é muito mais apelativo, pois para além do seu acesso ser fácil e rápido, têm em conta o facto de poderem carregar verdadeiras bibliotecas com apenas um computador. Por um lado, o mundo por imagens dá-nos uma visão mais próxima da realidade, por outro, a reflexão que propicia a leitura individual e silenciosa de um livro está a ser substituída por uma cultura mais dispersa e superficial transmitida pelos meios audiovisuais.

A literatura está entre nós há muitos séculos, mas antes de existir em livro impresso como o que nos é dado a conhecer hoje, havia em manuscrito. O livro electrónico de agora imita o formato do livro impresso, do mesmo modo que este antes herdara diversas características do livro manuscrito. Embora admitindo que existam alguns documentos, como revistas científicas às quais teríamos dificuldades de acesso se não fossem as tecnologias como a internet, é do senso comum a necessidade e funcionalidade da escrita para objectivar o conhecimento teórico-prático, incluindo aquele a que acedemos através desses meios tecnológicos de divulgação.


Posto isto, defendo a compatibilidade da literatura e da tecnologia e considero esta última um reforço da primeira, de modo a alargar os horizontes do leitor. O suporte escrito nunca deve acabar e a tecnologia deve continuar a avançar para que hoje e amanhã a leitura continue a fazer parte do nosso dia-a-dia.

Laura Caetano nº1412ºC
19 Outubro, 2009 22:31

17 outubro 2009

Leitura em dia








Clica sobre as imagens, para aceder ao respectivo jornal.
Claro que não tem tanto "charme" quanto sentar a ler o jornal em papel, mas permite estar informado.

Agora não têm desculpa!

14 outubro 2009

Leitura v/s Internet?







Mais alguma informação para ajudar a uma reflexão mais completa sobre o tema do debate.

It's about reading (ver)

Zero some or more and more? (ver conferência da Prof. Wendy Griswold )


Nota: Os cartoons não estão só para "encher". Traduzem ideias sobre as questões do debate. Discutam o seu significado!

12 outubro 2009

Prémios Nobel

Decorreram na passada semana as atribuições dos PRÉMIOS NOBEL para as várias áres do conhecimento.

Saber mais sobre o PRÉMIO NOBEL:


DA LITERATURA (entrevista com Herta Müller, escritora nascida na Roménia e naturalizada alemã, que se destaca em áreas como o romance, a poesia e os ensaios.)


DA QUÍMICA (O geneticista Carolino Monteiro explicou à Antena 1, o alcance dos trabalhos realizados pelos cientistas vencedores na investigação sobre o ribossoma)




DA PAZ (Notícia da atribuição da prémio ao Presidente Obama e recepção controversa dessa escolha)




Imagem em: oglobo.globo.com