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05 maio 2009

Crítica de Teatro

AS VONTADES E OS SONHOS

Crítica ao Espectáculo Memorial do Convento

Realizada a 14 de Abril, no Teatro-cine de Torres Vedras, a representação de Memorial do Convento, de José Saramago, levou ao teatro inúmeros alunos do 11º e 12º anos da Secundária Henriques Nogueira e da ESCO. A carismática obra escrita pelo nobel da literatura, José Saramago, é um romance, ainda que possua uma clara presença da oralidade.

A sua adaptação para teatro carece de correcta interpretação, análise e resumo de uma obra tão complexa e longa. Além disso, a representação do século XVIII, se pretender ser naturalista, é dispendiosa a nível de gurda-roupa e aderços.

Numa adaptação teatral, a subjectividade do encenador é evidenciada; esta peça não foi excepção: enquanto determindas passagens são apresentadas, tais como os autos-de-fé, o voo da passarola, outras são omitidas ou simplesmente referidas, como o transporte da pedra de Pêro Pinheiro, a tourada, a estadia de Baltasar em Mafra, entre outras. Tal facto é aceitável, tendo em vista a extensão do texto original. No entanto, existem alguns episódios aos quais o autor dá um relevo que seria suficiente para serem mantidos, como é o caso do transporte da pedra.
A nível do guarda-roupa, a opção pelo facto-macaco é económica e aceitável, tendo em conta que simboliza o trabalho.

Quanto ao cenário, destaca-se apenas um elemento - o andaime, símbolo da obra, da construção, meio auxiliar que permite aos operários chegar mais alto, ir mais longe, tal como acontece com a passarola. Este elemento está muito bem pensado. A projecção de imagens, por outro lado, podia ter sido mais explorada.

A representação esteve, em geral, a bom nível, com actores e actrizes a interiorizar bem o seu papel. Apenas gostei menos da opção pela ridicularização de D. João V, a qual me parece excessiva, embora reconheça que cria uma quebra na solenidade e adiciona-lhe um elemento dinâmico e cómico. Igualmente a cena final - muito marcante, a meu ver, é representada com um execesso de leveza e falta de expressão; acho que ganhava com mais espessura e peso.

Em suma, ainda que seja, compreensivelmente, um resumo da obra, a representação permite rever a leitura do romance e dar rostos aos nomes de cada personagem. A obra original é excepcional e com esta peça a Casa dos Afectos revela uma honesta vontade de a divulgar aos alunos e ao público em geral. Afinal, as vontades são as impulsionadoras dos sonhos.

Dário Nascimento, 12º A, nº 10
Nota: Texto crítico seleccionado, na turma 12º A; será enviado para a CASA DOS AFECTOS, como acordado.

20 abril 2009

Espectáculo Teatral baseado em Memorial do Convento

Após teres assistido, no dia 14, no Teatro-Cine, à representação de Memorial do Convento, adaptado da obra homónima de José Saramago, e teres reflectido com a professora e a turma sobre o espectáculo, está na altura de escreveres o texto crítico, de acordo com o solicitado no último ponto do guião da actividade. Como acordado, os textos destinam-se a ser enviados ao encenador e aos actores da Casa dos Afectos.


Imagem do espectáculo Memorial do Convento, pela Companhia Casa dos Afectos.
Com adaptação, dramaturgia e encenação da responsabilidade de João Nuno Esteves, a peça conta com a participação dos actores André Albuquerque, Boygui, Catarina Gouveia, João Nuno Esteves, Nuno Fradique, Sérgio Narval e Tânia Leonardo. A concepção musical é de José Maria Almeida, os figurinos e adereços de Ana Bandeira, a luz e o som estão a cargo de José Manuel Almeida e Carlos Jorge Bernardes.

“Ao fazermos a abordagem inicial a este texto, para a respectiva adaptação teatral e, atendendo a que ele se destina a ser maioritariamente apresentado a públicos escolares, tivemos a preocupação de manter o mais intactas possível as linhas mestras que fazem desta genial obra uns dos grandes livros as literatura do século XX, sem contudo deixarmos de apresentar, como é perfeitamente lógico, a nossa própria visão, ou leitura se preferirem, da dita obra”( João Nuno Esteves)
A Casa dos Afectos - Associação de Intervenção Cultural - é um projecto de intervenção cultural vocacionado para a produção artística de espetáculos para divulgação, desenvolvimento e valorização da cultura portuguesa, nomeadamente nos domínios do teatro, poesia, literatura e música.
Este romance tem despertado o interesse de várias companhias de teatro. Regista-se um conjunto de fotografias de um espectáculo promovido pelo Teatro Nacional D. Maria II, de que poderás saber mais através de um dossier completo sobre a obra, as personagens, o autor, o palácio (consultar aqui).









Ver slideshow

Nota: Só deves escrever a crítica depois de teres completado o guião. Regista o teu texto em "comentário", para todos poderem ver e dar opinião.

18 abril 2009

Usos Expressivos da Língua em Memorial

Caricatura de José Saramago, pelo cartoonista Vasco
A pedido de vários alunos, aqui fica um apanhado de

Usos Expressivos da Língua em Memorial


Desconstrução e reconstrução das regras de pontuação. Não há, na obra, "ausência de pontuação"; há reconfiguração:


  1. Primazia das vírgulas a assinalar as pausas e mudança de discurso:"Não se lembra de mim, chamavam-me Voadora, Ah, bem me lembro, (...)
  2. Pontos finais são mantidos na mudança de parágrafo e quando é necessário para desfazer ambiguidades - "Boa viagem, Se o encontrar. / Encontrou-o. Seis vezes passara por Lisboa, esta era a sétima."
  3. Exclamações e interrogações não são expressas pela pontuação; são traduzidas:
    - pelo contexto;
    - pela mudança de sujeito emissor (observável pelos pronomes, verbos...)
    - pelo vocabulário. Assim, repara no seguinte exemplo:
    "então achou o homem que procurava, O meu homem, Sim, esse, Não achei, Ai pobrezinha" (último capítulo)
  4. Confluência de registos de língua: Cuidado - "Tirando as expressões enfáticas esta mesma ordem já fora dada antes" . Familiar - "correram o reino de ponta a ponta e não os apanharam". Popular - "Queres tu dizer na tua que a merda é dinheiro, Não, majestade, é o dinheiro que é merda"; "...barriga colada às costas"
  5. Inversão de expressões bíblicas/Jogos de palavras "os santos no oratório... não há melhor"
  6. Quadras populares: "Aqui me traz minha pena com bastante sobressalto, porque quer voar mais alto, a mais queda se condena" (p. 104).Provérbios, ditos e aforismos (alterados, imitados, usados com ironia) - "Deus é grande./Quase tão grande como Deus é a basílica de S. Pedro"
  7. Ecos de outros textos / Intertextualidade
    - Bíblia - Antigo e Novo Testamento
    - Contos tradicionais: "Era uma vez uma rainha que vivia com o seu real marido em palácio..." (p. 260). - Luís de Camões, Os Lusíadas: "O homem, bicho da terra" (p. 65). - Padre António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes: "Estão parados diante do último pano da história de Tobias, aquele onde o amargo fel do peixe restitui a vista ao cego, A amargura é o olhar dos videntes, senhor Domenico Scarlatti,..." (p. 173). - Fernando Pessoa, Mensagem: "Em seu trono entre o brilho das estrelas, com seu manto de noite. solidão, tem aos seus pés o mar novo e as mortas eras, o único imperador que tem, deveras, o globo mundo em sua mão, este tal foi o infante D. Henrique, consoante o louvará o poeta por ora ainda não nascido..." (p. 233).

09 abril 2009

A 14 de Abril, vamos ao Teatro !


Memorial do Convento, de José Saramago

(adaptação teatral da Casa dos Afectos)

Sinopse: Ao fazermos a abordagem inicial a este texto para a respectiva adaptação teatral e, atendendo a que ele se destina a ser maioritariamente apresentado a públicos escolares, tivemos a preocupação de manter o mais intactas possível as linhas mestras que fazem desta genial obra uns dos grandes livros da literatura do século XX, sem, contudo, deixarmos de apresentar, como é perfeitamente lógico, a nossa própria visão, ou leitura, se preferirem, da dita obra.
Palco nu, um andaime em fundo, metáfora de elevação de todas as obras humanas, da vida, da emancipação, de conventos, da perfídia, do amor, da utopia. Todas elas, afinal, em plena construção, permanente. Um coro, uma mole de actores envergando a cor do seu labutante sangue, consciência e ponto intemporal da acção. Acção, essa, onde o tempo se mede apenas pela existência rítmica das palavras e dos corpos suspensos em metáforas, ou andaimes, conforme o olhar. Um rei: um fantoche; o poder aparentemente guiado pelos fios invisíveis de Deus.
A ironia está lá, no livro, na vida, na história. Não fomos nós. Já recebemos este rei e esta rainha vindos assim: pasmados; suspensos; ridículos clowns de si próprios; pérfidos, ignorantes, prepotentes, com muito pouco de humanidade. Já recebemos, dizia, estes monarcas, vindos assim do fundo dos tempos e das memórias.
E o amor: essa torrente de desejo, vítima de todas as mais mortíferas ironias; esse rio de carne em brasa propulsora do maior de todos os sonhos; esse voo de olhares que se explanam entre a cama e o céu, acariciando todas as vontades; a vontade de que o fogo não mata, mas purifica. E todos os poderes metamorfoseados em fé. E ainda a utopia: vontade ancestral dos homens na imitação dos pássaros; na imitação do primeiro som; do primeiro silêncio; da primeira sinfonia da voz. E mais os actores rompendo o corpo com as palavras. Entre o histórico e o romanesco, a narração diverte-se em verbos de palco.

Autor: José Saramago
Adaptação, Dramaturgia e Encenação: João Nuno Esteves
Concepção musical: José Manuel Almeida
Produção: Casa dos Afectos – Associação de Intervenção Cultural
Duração do Espectáculo (minutos): 110
Género Artístico: Tragicomédia
Classificação etária: maiores de 12 anos
Actores (por ordem alfabética): André Albuquerque, Catarina Gouveia, João Nuno Esteves, Liliana Costa, Nuno Fradique, Paulo Palma e Sérgio Narval
Ficha Técnica:
Som: José Manuel Almeida
Luz: Carlos Jorge Bernardes
Figurinos e adereços: Ana Bandeira

Ver sítio da CASA DOS AFECTOS, com os espectáculos disponíveis.
Atenção: o preço é de 5 euros.
A Ficha/guião de apreciação crítica do espectáculo e comparação com o livro será entregue no dia, a todos os alunos.
Quem desejar falar com os actores, deve dizer-mo antecipadamente, para organizarmos o encontro. Se não quiserem fazê-lo, pelo menos enviarão depois os textos críticos para a Companhia.

15 fevereiro 2009

2009 - Ano Internacional da Astronomia

Esta imagem da espiral da galáxia Messier 101 foi obtida pelo Hubble Space Telescope.
Esta supernova pertence a N63, uma região de formação de novas estrelas pertencente às Nuvens de Magalhães, ou Large Magellanic Cloud (LMC), galáxia irregular situada a 160,000 anos-luz da nossa Via Láctea. É visível no hemisfério Sul.

Tem este nome porque, apesar de ter sido registada desde a antiguidade, foi o português Fernão de Magalhães, na sua viagem de circum-navegação, em 1519, que as observou e trouxe ao conhecimento do ocidente.


Tal como Cristovão Colombo, Vasco da Gama ou Fernão de Magalhães, no passado, fizeram com que "Que o mar unisse, já não separasse." (F. Pessoa, Mensagem), também neste nosso século o homem não cessa de procurar novas fronteiras, de desvendar os antigos mistérios, de ir até "ao fim do mundo".

"E a orla branca foi de ilha em continente, Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo."

(ver vídeo)



Máquina do Mundo

O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto, é a matéria.

Daí, que este arrepio,este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo.

António Gedeão
Quer a tua abordagem seja mais poética, quer seja sobretudo científica, não deixes de aproveitar este ano para conhecer mais sobre o universo, o nosso lugar no mundo, a nossa Galáxia, a Via Láctea, uma família de 150 mil milhões de estrelas ou até sobre as estrelas de neutrões.
  • Créditos das magens: NASA, ESA, CXC, SSC, and STScI

31 janeiro 2009

Reflexões do Poeta (síntese)


Conforme combinado, deixo também aqui a síntese da matéria dada relativamente ao Plano das Reflexões do Poeta. Não fica tão bem como no ppt...mas espero que seja útil. Quem conseguir, vê no "moodle".
Exaltação e crítica em Os Lusíadas

•A epopeia tem, por natureza, um carácter eufórico e de exaltação das façanhas do herói (individual e colectivo, no caso d’Os Lusíadas).

•No entanto, Camões – com lucidez e espírito crítico – revela o seu desencanto frente a uma pátria “mergulhada numa austera, apagada e vil tristeza”, intervindo criticamente e/ou didacticamente, sobretudo no final dos cantos.

CAMÕES FAZ REFLEXÕES CRÍTICAS / ADVERTÊNCIAS

•Canto I – Insegurança e fragilidade da vida: “(…)Onde terá segura a curta vida/Que não se arme e indigne o Céu sereno/Contra um bicho da terra tão pequeno?” (C.1, 106)

Canto IV
– Ambição e ousadia dos navegantes e suas previsíveis consequências nefastas, a exemplo de Adão, Prometeu, Ícaro; a evidência deste arrojo como próprio da “humana geração”, essa “estranha condição”. (IV, 104)

•– Canto V - Falta de interesse pelas Artes e as Letras: “(…) não se ver prezado o verso e a rima/ Porque quem não sabe arte, não na estima.” (V, 87) ; o mesmo motivo será repetido nos Cs. VII e X.
–Adverte para que os heróis devem às Musas a sua fama, ou seja: o verso/a rima são necessários à imortalização dos heróis: “ Às Musas agradeça o nosso Gama/O muito amor da pátria, que as obriga/A dar aos seus, na lira, nome e fama”


•– Canto VI - Censura da inacção, do luxo; crítica aos que dormem à sombra dos antepassados, aos que se acomodam;
–Advertência de que a honra só se alcança com virtude e acção. Necessidade de “árduo sofrimento”, de “trabalhos graves e temores”, do buscar com “seu forçoso braço” a “fama” e as “honra imortais e graus maiores”; (VI, 95-97)

•Canto VII
– Ingratidão da pátria perante o seu mérito; Camões – “Numa mão sempre a espada e noutra a pena” – lastima a falta de “prémio” (reconhecimento) por parte “daqueles que (…) cantando andava”;

- Canto VIII – Poder corruptor do dinheiro; este “faz traidores e falsos os amigos”, “A mais nobres faz fazer vilezas”, “Os juízos cegando e as consciências”, “faz e desfaz leis”; o dinheiro “corrompe” e “ilude”; (VIII, 96-99)

. – Canto IX - Censura das “honras vãs” - cobiça, avareza e tirania infame – que “verdadeiro valor não dão à gente” por oposição às “riquezas merecidas” [leis justas; feitos de armas]; (IX, 92-94)
–Advertência de que o ócio transforma o livre em escravo: “Se quiserdes no mundo ser tamanhos, / Despertai já do sono do ócio ignavo [indolente], / Que o ânimo, de livre, faz escravo.”

. Canto X – Cansaço de cantar “a gente surda e endurecida”: “Não mais, Musa, não mais” . Crítica à cobiça, avareza e tristeza moral da pátria: “metida no gosto da cobiça (…) apagada e vil tristeza”

OS LUSÍADAS e MENSAGEM
Tanto a epopeia camoniana como o livro de poemas épico-líricos de Fernando Pessoa:
Ø Surgem em momentos da História portuguesa que ambos os poetas consideram de apagamento, de falta de arrojo criador, de crise, de “apagada e vil tristeza”(Canto X, 145)

ØApresentam uma visão sacrificial da heroicidade:
ØO herói faz-se à custa de “hórridos perigos”, de “trabalhos graves e temores”, com “esforçoso braço” (Canto VI, 95, 97);
Øafinal, quem vale a pena ser lembrado são “aqueles que por obras valerosas /Se vão da lei da morte libertando” (C. I, 2)
Ø“Quem quer passar além do Bojador/Tem de passar além da dor” (Mensagem)

Ø- Conjugam características da épica e da lírica:
ØÉpica: matéria histórica/glorificação dos heróis
ØLírica: expressão da subjectividade do “eu”, nas Reflexões do Poeta (nos finais dos Cantos de Os Lusíadas) e leitura interpretativa e pessoal, mais ligada ao mito do que à História (em Mensagem).


Canto X
Não mais, Musa, não mais, que a Lira tenho

Destemperada e a voz enrouquecida,

E não do canto, mas de ver que venho

Cantar a gente surda e endurecida.

O favor com que mais se acende o engenho

Não no dá a pátria, não, que está metida

No gosto da cobiça e na rudeza

Düa austera, apagada e vil tristeza.
(Est.145)

Nevoeiro (excerto)

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –

Mensagem

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Não se esqueçam: Nada substitui a leitura dos excertos seleccionados, o estudo e a realização dos exercícios indicados.

Mandem - até domingo à noite - as dúvidas que tiverem (depois de estudar e de fazer os questionários!!!). Façam-no em comentário, aqui para este espaço.

Segunda-feira podem procurar-me para dúvidas de última hora (entre as 14h00 e as 15h30; estarei na Sala de Trabalho, junto à dos Directores de Turma). Pedem ao funcionário para me chamar.



27 janeiro 2009

Os Lusíadas - arquitectura da obra II

e

O objectivo de Camões seria o de enaltecer o povo português e não apenas um ou alguns dos seus representantes mais ilustres. Não limita, pois, a matéria épica à viagem de Vasco da Gama. Introduz na narrativa todas aquelas figuras e acontecimentos que, no seu conjunto, afirmavam o valor dos portugueses ao longo dos tempos.

Recorre, então, a duas narrativas secundárias, inseridas na narrativa da viagem, cujo narrador é o poeta.
1) Narrativa de Vasco da Gama ao rei de Melinde — Ao chegar a este porto indiano, o rei recebe-o e procura saber quem é ele e donde vem. Para lhe responder, Vasco da Gama localiza o reino de Portugal na Europa e conta-lhe a História de Portugal percorrendo vários reinados até ao de D. Manuel. Ao chegar a este ponto, conta a sua própria viagem desde a saída de Lisboa até chegarem ao Oceano Índico, visto que a narrativa principal fora iniciada in media res, quando a armada já se encontrava em frente às costas de Moçambique. Agora (Canto V), Vasco da Gama narra as dificuldades da Viagem de Lisboa a Melinde.

2) Narrativa de Paulo da Gama ao Catual — Mais tarde surge outra narrativa secundária. Em Calecut, uma personalidade hindu (Catual) visita o navio de Paulo da Gama, que se encontra enfeitado com bandeiras alusivas a figuras históricas portuguesas. O visitante pergunta-lhe o significado daquelas bandeiras, o que dá a Paulo da Gama o pretexto para narrar vários episódios da História de Portugal.

Recorre ainda a Profecias — Os acontecimentos posteriores à viagem de Vasco da Gama não podiam ser introduzidos na narrativa como factos históricos (os humanos não "adivinham" o futuro...). Para ultrapassar esse lapso temporal, Camões recorreu a profecias colocadas na boca de Júpiter, Adamastor e Thétis, principalmente.

Sítios:
Para enquadrar a obra, podes relembrar informações sobre os Descobrimentos.
Para saber mais (noção de epopeia, estrutura, planos...); consultar sobretudo as definições; para análise de texto, há melhor (é discutível, por exemplo, que Camões tenha seguido todas as regras da epopeia clássica, o que se percebe visto a obra ser escrita muitos séculos depois, noutro contexto).

Os Lusíadas - A arquitectura da obra I

Camões*
No exame de 2008 Os Lusíadas foram objecto do grupo I da prova, contariando a ideia (errada) de que só poderá vir a propósito de Mensagem. Podes consultar a PROVA.

Eis aqui o excerto em causa:

Estâncias 89 a 93 de Os Lusíadas, transcritas do Canto IX.

Que as Ninfas do Oceano, tão fermosas,
Tétis e a Ilha angélica pintada1,
Outra cousa não é que as deleitosas
Honras que a vida fazem sublimada2.
Aquelas preminências3 gloriosas,
Os triunfos, a fronte coroada
De palma e louro, a glória e maravilha,
Estes são os deleites desta Ilha.


Que as imortalidades que fingia
A antiguidade, que os Ilustres ama,
Lá no estelante Olimpo4, a quem subia
Sobre as asas ínclitas da Fama,
Por obras valerosas que fazia,
Pelo trabalho imenso que se chama
Caminho da virtude, alto e fragoso,
Mas, no fim, doce, alegre e deleitoso,


Não eram senão prémios que reparte,
Por feitos imortais e soberanos,
O mundo cos varões que esforço e arte
Divinos os fizeram, sendo humanos.
Que Júpiter, Mercúrio, Febo e Marte,
Eneas e Quirino e os dous Tebanos5,
Ceres, Palas e Juno com Diana,
Todos foram de fraca carne humana.


Mas a Fama, trombeta de obras tais,
Lhe deu6 no Mundo nomes tão estranhos
De Deuses, Semideuses, Imortais,
Indígetes7, Heróicos e de Magnos.
Por isso, ó vós que as famas estimais,
Se quiserdes no mundo ser tamanhos,
Despertai já do sono do ócio ignavo8,
Que o ânimo, de livre, faz escravo.


E ponde na cobiça um freio duro,
E na ambição também, que indignamente
Tomais mil vezes, e no torpe e escuro
Vício da tirania infame e urgente;
Porque essas honras vãs, esse ouro puro,
Verdadeiro valor não dão à gente:
Milhor é merecê-los sem os ter,
Que possuí-los sem os merecer.



Luís de Camões, Os Lusíadas, ed. prep. por A. J. da Costa Pimpão,
5.ª ed., Lisboa, MNE/IC, 2003

Vocabulário:
1 Ilha angélica pintada: representação, pintura de uma ilha linda, que lembra um lugar habitado por anjos.
2 sublimada: ilustre, célebre.
3 preminências (por preeminências): distinções, superioridades, honrarias, louros, prémios.
4 no estelante Olimpo: na brilhante morada dos deuses.
5 os dous Tebanos: Hércules e Baco.
6 Lhe deu: lhes deu.
7 Indígetes: divindades primitivas e nacionais dos Romanos.
8 do ócio ignavo: do ócio indolente, preguiçoso.



No Centro Virtual do INSTITUTO CAMÕES pode ler-se esta breve mas curiosa síntese sobre OS LUSÍADAS:

"Poema épico (1572) de Luís de Camões, de inspiração clássica (segundo a Eneida, de Virgílio) mas de manifesto saber contemporâneo, colhido na observação, é constituído por dez cantos compostos de décimas em decassílabos heróicos, e vive de uma contradição esteticamente harmonizada entre a acção das divindades pagãs (que ajudam ou prejudicam o progresso dos Portugueses na viagem marítima para a Índia, tema do livro) e a tutela do sentimento cristão e da expansão da fé, que anima um ardor de conquista e de possessão do mundo.

Vasco da Gama é o herói, Vénus a sua deusa protectora e Baco o adversário temido - mas a «lusa gente» chega à Índia, dá «novos mundos ao mundo», e o Poeta narra este empreendimento insigne alternando a fogosidade do entusiasmo e da crença com o desengano do reconhecimento da mesquinhez humana, «mísera sorte, estranha condição».

Escrito com mestria narrativa exemplar, o poema representa o exercício em perfeição da língua portuguesa, moderna, dúctil e rica em complexidade expressiva e em matizes líricos de excepção."

*Imagem em regueifadoirao.blogs.sapo.pt

**Imagem em pedraformosa.blogspot.com

25 janeiro 2009

Os Lusíadas no telemóvel, iPod ...


'Os Lusíadas' poderão ser lidos no telemóvel
Biblioteca Digital. Instituto Camões arranca com 'site'
Mais de 220 milhões de falantes terão acesso a documentos portugueses


(...) Com a inauguração da Biblioteca Digital Camões, Os Lusíadas ficam disponíveis para leitura em eReader, iPod Notes, Plucker, Mobipocket, telemóvel.

Acessíveis aos visitantes do site do Instituto Camões (www.instituto-camoes.pt) permanecerão agora à volta de 1200 documentos da cultura portuguesa dos últimos cinco séculos. (...)
Este projecto de disponibilização em linha de obras da língua e cultura portuguesas, por meio da Biblioteca Digital Camões, está, segundo soube o DN, aberto à participação de instituições públicas ou privadas.
O Centro Virtual - Biblioteca Digital Camões tem vários parceiros institucionais. Para já, a Imprensa Nacional vai ceder obras esgotadas do seu catálogo, do domínio público para descarga gratuita; e outras em função de negociação de direitos de autor (Prelo, Colecção Essencial, etc.). A Porto Editora dá acesso, por outro lado, à colecção de clássicos portugueses e, a partir de dia 22, de forma ilimitada e gratuita, ao dicionário de português e à Infopédia para utilizadores de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.Serão cedidos pela Direcção-Geral da Biblioteca e do Livro (DGLB) direitos de publicação do acervo da Comissão para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses, bem como, pela Miso, partituras de música portuguesa sécs. XIX, XX e XXI.O Instituto de Investigação Científica e Tropical porá à disposição Gavetas da Torre do Tombo, enquanto a Editora Quimera disponibilizará ainda a Colecção Vicente (edição crítica da obra completa de Gil Vicente).
Na Biblioteca Digital, poder-se-á também consultar textos de grandes autores

ANA MARQUES GASTÃO , Diário de Notícias, 8 de Janeiro de 2009



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03 janeiro 2009

Contrato de Leitura - Crónicas




Boca do Inferno – Ricardo Araújo Pereira

O absurdo não é inconstitucional

É possível que a maioria dos portugueses não compreenda a guerra a que temos vindo a assistir, mas nenhum ficará indiferente à sua violência. Trata-se de um desses conflitos sangrentos perante os quais até um ateu dá por si a levantar os braços para o céu e a perguntar: «Meu Deus, meu Deus, meu Deus, porquê tanto ódio? Porque será que o Sócrates e o Cavaco não conseguem entender-se?»

A contenda, que começou ainda no ano passado, agudizou-se no início de 2009, na altura do discurso de ano novo do Presidente. Quando todos pensávamos que Cavaco Silva iria aproveitar a ocasião para falar mais um pouco sobre o estatuto político-administrativo dos Açores (um tema acerca do qual é sempre interessante conhecer mais pormenores), ou ainda que alargasse o âmbito das suas intervenções a outros assuntos de carácter burocrático-regional, como o articulado do regulamento para novas propostas de hino da Madeira, ou o regime jurídico do saneamento básico no Douro Litoral, eis que o Presidente resolve debruçar-se sobre problemas que realmente preocupam os portugueses. Sem aviso, Cavaco Silva aborda questões centrais da vida do País – ainda por cima, ao que parece, dizendo a verdade. Não foi para isto que os portugueses o mandataram.

A crueza da mensagem de ano novo tem uma explicação. Sócrates ofendeu o Presidente quando não alterou uma vírgula na lei do divórcio e agravou a desfeita no caso do estatuto dos Açores. Por isso, Cavaco vinga-se agora dizendo a verdade sobre o estado do País ao povo português. É verdade que a provocação do Governo foi perversa, mas a resposta do Presidente é de uma maldade desproporcionada. A Sócrates resta a consolação de ter feito a vida negra a Cavaco: o Presidente terá muita dificuldade para encontrar assuntos nos quais possa estar em desacordo com o primeiro-ministro, uma vez que o próprio primeiro-ministro está muitas vezes em desacordo com o primeiro-ministro. Quando avisou que este ano será difícil, Cavaco desmentiu Sócrates, que previu que em 2009 as famílias portuguesas teriam maior poder de compra, mas concordou com Sócrates, que disse que este ano seria o cabo das Tormentas da crise.

O problema é que Cavaco Silva também se defende muito bem. Se Sócrates diz uma coisa e o seu inverso, o Presidente diz uma coisa e pratica o seu inverso. Também baralha o adversário. Cavaco dirigiu-se ao País para dizer que a lei que tinha acabado de aprovar continha vários aspectos absurdos, mas não indicou nenhum deles ao Tribunal Constitucional, para que este expurgasse a lei da incongruência. É possível que Cavaco tenha desconfiado que, em Portugal, o absurdo não é inconstitucional. E é possível que tenha razão.

VISÃO, 8 de Janeiro de 2009.

Podes ler outras crónicas de Ricardo Araújo Pereira publicadas na VISÃO em
http://aeiou.visao.pt/OPINIAO/RICARDOARAUJOPEREIRA/Pages/Omeninoguerreiroestapassarporaqui.aspx

Das críticas já realizadas pelos colegas que trabalharam diferentes crónicas, aqui fica a frase escolhida pelo Micael e pelo João (12ºA):
"Portugal é mais fácil de compreender por intermédio da comédia do que do jornalismo."


Lembrem-se do que reflectimos acerca do riso como arma crítica, nomeadamente nas suas formas ironia e caricatura.


(Cartoon em: http://henricartoon.blogspot.com/2008_01_01_archive.html)

Contrato de Leitura - Desconhecido nesta Morada

Queima de livros, na Alemanha nazi


Desconhecido nesta moradade Kathrine K.Taylor
"Escrito sob a forma de cartas entre um judeu americano, proprietário de uma galeria de arte em San Francisco e o seu antigo sócio, que regressara à Alemanha, o livro foi uma das primeiras obras a denunciar a perversidade do nazismo." (Descrição da editora)


Quando foi publicado pela primeira vez na revista 'Story', em 1938, Desconhecido nesta Morada, de Kathrine Kressmann Taylor, tornou-se imediatamente um fenómeno social e um acontecimento literário. Editado em livro um ano mais tarde e proibido na Alemanha nazi, foi unanimemente elogiado, tanto nos Estados Unidos como em vários países da Europa.Escrito sob a forma de cartas entre um judeu americano, proprietário de uma galeria de arte em San Francisco e o seu antigo sócio, que regressara à Alemanha, o livro foi uma das primeiras obras a denunciar a perversidade do nazismo. [http://mundosdepapel.blogs.sapo.pt/16325.html]


O livro retrata o regime opressor de Hitler, com o nazismo impigido aos alemães, recorrendo a cartas fictícias entre a Alemanha e os Estados Unidos. (...) O principal contributo do livro é perceber como seria viver naquela época, em que a maioria não se apercebia do império terrível que se estava a instalar.
Dário, 12ºA
Deste livro foi feita uma adaptação ao teatro. Lê uma crítica, que te ajuda a repensar a intriga:
Desconhecido Nesta Morada, a peça de teatro que o Grupo Fatias de Cá apresentou, em ante-estreia, na abertura da cerimónia de entrega dos prémios “Personalidade do Ano”, no Centro Cultural do Cartaxo, prendeu os espectadores do princípio ao fim, mais pela intriga e pelo volte-face que ocorre perto do final, do que pelo trabalho dos actores. (...)

Baseada num conto de Kathrine Kressmann Taylor, adaptado para teatro pelo encenador do Grupo de Tomar, Carlos Carvalheiro, a intriga de Desconhecido Nesta Morada decorre entre Novembro de 1932 e Março de 1934. Sob a forma de cartas entre um judeu americano, proprietário de uma galeria de arte em San Francisco e o seu sócio, que regressara à Alemanha, Desconhecido Nesta Morada denuncia a perversidade do nazismo.
No palco, Paulo Moura, no papel de Max Eisenstein, judeu americano, proprietário de uma galeria de arte em San Francisco e Fernando Rodrigues, que encarna Martin Schulse, sócio alemão de Max que regressou à Alemanha em 1932, vão lendo para os espectadores as cartas que vão trocando entre si. (...)
Martin Schulse começa por manifestar desconfiança em relação a Hitler. Depois deixa-se encantar e inebriar pela convivência com altos dirigentes do novo poder. Para não pôr em causa o seu estatuto social começa por impor ao amigo judeu que lhe trata dos negócios na América, Max Eisenstein, que não lhe escreva e que se limite a mandar-lhe os cheques. Mais tarde confessa que não ajudou a irmã de Max, actriz com quem tinha tido um caso extra-conjugal, permitindo que a mesma fosse assassinada pelos camisas castanhas, só para não se comprometer ao ajudar uma judia. Max urde uma vingança e Martin acaba como vítima do regime a que se colara para obter benefícios pessoais. É esta a trama de Desconhecido Nesta Morada.



Preparem as discussões!
Lembrem-se, também, de dia 8 de Janeiro - Concursos Nacional de Leitura.

12A na Gulbenkian

Foto quase perfeita...apenas o olho desatento da autora fez desaparecer a professora Cristina Pinção, de Matemática


No dia 16 de Dezembro o 12A foi ver Weltliteratur/Madrid, Paris, S. Petersburgo, o Mundo! , para ver, ler e ouvir imagens e poemas de Fernando Pessoa e outros autores portugueses e estrangeiros com os quais a sua obra dialoga. A exposição "tem presentes as obras de que se fala nos textos - pintura, escultura, fotografia, mas também tem manuscritos, vídeos" .


(ver vídeo da exposição, no dia da abertura oficial)


Depois, pelas dezoito horas, foi tempo de asssistir a uma Palestra do ciclo Darwin, Por que há tantas espécies na Terra?, pelo prof. Dr. Nuno Ferrand.



Algumas palavras dos alunos
Sobre o edif]icio e o ambiente
A arquitectura fora do normal, colossal e contemporânea, algo magnífico. Todo o ambiente que se vive é cultural. Ruben

A primeira coisa que nos chamou a atenção foi um mural feito por Almada Negreiros. Andreia

(ver artigo Símbolos Geométricos e Algébricos na Arte, sobre o painel de Almada )
(carregue aqui para ver outros grandes trabalhos de Almada Negreiros)

Sobre Welteliteratur


Um dos pontos fortes de era a sua forma labiríntica que nos levava a procurar os autores e as suas obras. Bernardo, José, Rodrigo

Gostei muito, tinha uma enorme criatividade, de forma muitíssimo apelativa e que convidava a uma intimidade com as obras (...) João

(...) Fernando Pessoa e seus heterónimos, Mário Sá Carneiro, Teixeira de Pascoaes, tudo em forma de labirinto, muito bem conseguida. (...) Podemos perceber o elo que existe entre a literatura e a pintura e também com outros tipos de arte. Tiago

(...) como seria possível expor literatura, pois não é exactamente igual a expor um quadro. Gostei especialmente do formato, um labirinto. Penso que a ideia de separar os poetas por um labirinto é muito interessante, pois mesmo estando separados pelas paredes, eles acabam por formar um todo, a literatura. Cláudio


Texto de fecho da Exposição.



Ficam para depois os excertos sobre a Conferência.

28 dezembro 2008

Filme "Master and Commander"


Em "Master and Commander - O lado Longínquo do Mundo", vemos uma grande união entre os tripulantes da embarcação Surprise. Estes têm uma missão, que é a de encontrar o navio Francês Acheron, e derrotá-lo. Para tal, ultrapassam vários osbstáculos dos quais uma grande emboscada, que deixa o navio muito danificado.


Jack Aubrey, Capitão, leva a sua embarcação para as ilhas Galápagos a fim de encontrar Acheron. Nestas ilhas há vários espécies de animais e plantas que o Dr. Marutin sonha em estudar. Este sonho é deixado para trás porque o famoso navio Acheron aparece e Jack tenta fazer-lhe uma emboscada, e consegue. A missão é rapidamente concluida, com a derrota de Acheron. Jack é enganado, pensando que o Capitão deste navio está morto, mas no fundo estás bem vivo e dentro da embarcação Acheron que se dirigue para Valparaiso.


Este filme tem como género a Aventura e o Drama (ver "slideshow"); é um filme de carácter sério, porque mostra muitas das vivências daquela época. Para mim que o vizualizei, acho que é muito interessante, e para quem gosta da História do início do Séc. XIX, é muito incentivante.Tem como actores Russel Crowe (na personagem principal) e como secundárias Paul Bettany, Billy Boyd, entre outros.


Fernando Martins, 12ºPTG
13 Novembro, 2008 17:07

21 dezembro 2008

O Ilusionista (crítica)

"O Ilusionista" (ver) realizado por Neil Burger, é um filme dramático. Edward (personagem desempenhada por Edward Norton)conhece um mágico e nesse mesmo dia conhece Sophie, por quem mais tarde se apaixona. Edward e Sophie começam a encontrar-se às escondidas mas, devido às desigualdades sociais, os pais de Sophie acabam por separá-los. Desgostoso, Edward foge de casa e viaja por vários países.

Quinze anos mais tarde, Edward volta a Viena onde começa a dar espectáculos no teatro. O seu espectáculo tem grande adesão e no segundo dia o Conde Leopold e a sua noiva vão assistir. Durante o espectáculo, Edward chama um voluntário; quem se oferece é Sophie e Edward reconhece-a. Os dois começam a encontrar-se em segredo e, como ainda se amavam, Sophie diz a Edward que vai deixar o Conde Leopold para fugir com ele.


Quando Sophie diz a Leopold que o quer deixar, este vai atrás dela até à cavalariça onde a assassina. Edward encontra o corpo de Sophie num pequeno lago. Depois disto, Edward, compra um teatro e inicia os seus espectáculos; nestes faz aparecer pessoas, que os espectadores pensam ser a alma dos mortos.


No final (ver vídeo), o Conde Leopold suicida-se por estar a ser incriminado pela morte de Sophie e o inspector Walter consegue "juntar as peças do puzzle"e percebe que a morte de Sophie foi uma encenação e que tudo não passou de uma ilusão. Edward e Sophie vão viver juntos para o campo.


O filme reflecte sobre o amor entre duas pessoas de classes sociais diferentes e sobre a magia. Aconselho vivamente as pessoas a verem este filme, pois mistura o drama de um amor proibido com a magia.

12ºPTG, Eliana Santos

18 Novembro, 2008 19:00

"Golpe no Paraíso" (After the Sunset) é um filme de acção que mostra momentos cómicos e de grande humor. Este filme (ver vídeo) inicia-se, onde muitos terminam, com uma parceria de ladrões (Max e Lola - uma relação de amor) que roubam dois dos três diamantes de Napoleão. Simultaneamente decidem reformar-se e ir viver para a tranquilidade de uma ilha paradísiaca das Bahamas (ver vídeo - parte II).

Daí que Stan, o agente do FBI, decida seguir Max, não acreditando na sua reforma, visto que, por coincidência, chega às Bahamas num cruzeiro o terceiro diamante de Napoleão. Por tudo isto, Max decide elaborar um plano para roubar o terceiro diamante (Napoleão III),determinando para si um álibi inquestionável.

No final do filme, Max consegue roubar o diamante sem ser incriminado, mas Stan - que o persegue há sete anos - rouba-lhe o diamante, ficando bem na vida. Ainda assim, Max fica feliz na mesma por ter o amor de Lola.

Na minha opinião este filme está fantástico porque começa com muita acção e ao longo da narrativa acontecem promenores excelentes que determinam a acção seguinte. A meu ver muitas pessoas devem gostar deste filme porque no seu desenrolar se conciliam acção, comédia e romantismo, e por tudo isto o filme torna-se imprevisível. De modo que recomendo a visualização deste filme, por todos os motivos já referidos e pelo facto de um dos actores principais ser o Pierce Brosnan, mais conhecido por ter desempenhado "James Bond".

Liliana, 12ºPTG
15 Novembro, 2008 14:39

Crítica do filme SIMONE


"Simone"realizado por Andrew Niccol é um filme crítico. Viktor Taransky (o actor Al Pacino), uma das personagens principais, é um realizador que no início do filme perde a sua actriz e fica desesperado, sendo despedido por Elaine (ex-mulher) que é a presidente dos estúdios.

Posteriormente conhece Hank, que lhe dá a ideia de criar uma actriz virtual (ver vídeo); Viktor segue o conselho e cria Simone (actriz virtual, inteiramente concebida com um programa de computador). Ele começa a ter sucesso nos filmes com Simone.
As pessoas estão espantadas com a beleza da actriz e Viktor decide fazer uma montagens para que ela apareça em entrevistas e espectáculos para ninguém desconfiar de nada. A sua ex-mulher começa a ficar com ciúmes e ele decide acabar com Simone, destruindo tudo o que tem no computador sobre a actriz, e anúncia a morte de Simone. Mas as pessoas culpam-no e é preso. Elaine encontra provas de como Simone era "falsa" e faz uma montagem para uma entrevista para atestar como Simone está "viva". Viktor é, então, ilibado.


O filme reflecte sobre a realidade virtual e também sobre o que as pessoas fazem para atingirem os seus objectivos, mentindo a todos e a tudo. Aconselho as pessoas a verem este filme, porque é um filme interessante e só conseguem de parar de o ver quando se chegar mesmo ao fim.
Rafaela, 12PTG
13 Novembro, 2008 17:06

13 novembro 2008

Filmes para todos os gostos



Iniciamos hoje a publicação de textos de opinião sobre vários filmes, de diferentes géneros e temáticas.


O trabalho enquadra-se no Contrato de Leitura, neste caso de uma narrativa fílmica. Vimos que as histórias contadas em cinema têm características próprias, porque possuem a força das imagens a juntar à das palavras e vivem muito do trabalho dos actores que encarnam as personagens.

10 novembro 2008

Exposição dos textos sobre A INFÂNCIA



À minha querida mãe

"Eis-me aqui em Portugal

Nas terras onde nasci

Por muito que goste delas

Ainda gosto mais de ti..."

Fernando Pessoa, 1895 (o seu primeiro poema conhecido)


Lembro que durante a FEIRA DO LIVRO DO SÓTÃO - 13 e 14 de Novembro - no Átrio da escola decorrerá uma EXPOSIÇÃO de trabalhos de várias turmas, onde se incluirão os vossos textos sobre o tema da infância, motivados pela poesia de Fernando Pessoa.


«(...) De vez em quando relembro a minha infância: em breves flashes, como se momentos da minha vida ficassem garvados em pequenos slides, que me vêm à memória uns atrás dos outros em focos completamente distintos, de forma desorganizada. (...)

Das histórias de que me recordo, penso que era um puto rebelde e que vivia cada dia como uma aventura»

B. Rodrigues

12ºPTG

Imagem do poema de Fernando Pessoa: http://junisaraiva.blogspot.com/2006/02/minha-querida-me.html , acedido em 10 de Novembro de 2008

29 outubro 2008

Os Lusíadas

Para apoiar, para já, os colegas do 12º TPG, aqui ficam textos, vídeos, ligações úteis e sínteses para aprender mais sobre a História de Portugal e enquadrar Os Lusíadas na época em que foram escritos.
*****
Luís de Camões, Os Lusíadas (consulta a obra integral)

A obra é publicada em 1572. Consulta a 1ª. edição.

Inicialmente Os Lusíadas não foram alvo da censura do Santo Ofício. O Parecer do Censor do Santo Ofício é, aliás, conhecido pelo interesse dos argumentos apresentados. Consulta-o.



A grande viagem épica
"Ainda hoje podemos reviver o quotidiano de bordo da carreira da Índia, através da descritiva relação de Álvaro Velho, mas também de outros importantes roteiros, ou ainda de detalhadas cartas, redigidas pelos missionários aos seus superiores.

É muito interessante recordar, hoje, com que indescritíveis dificuldades era feita essa longa e penosa viagem para a Índia.
Imaginemos as dramáticas cenas da despedida, (...) depois da missa e da procissão até à praia do Restelo. Seguia-se o embarque de cerca de cinco centenas de tripulantes e passageiros em cada nau, ancoradas na foz do Tejo, devidamente apetrechadas e engalanadas com a Cruz de Cristo nas velas desfraldadas. Depois, à medida que a armada se afastava, era o adeus definitivo à terra pátria e o início da viagem para o perigo e o desconhecido.

Em seguida, iniciava-se uma dura e arriscadíssima viagem. Tendo partido de Lisboa pela Primavera, e conforme as condições atmosféricas, só chegavam a Goa lá para o fim do ano. As dificuldades ou provações eram incontáveis: fome, sede, frio, calor, desconforto, promiscuidade, doenças, intempéries, ataques de piratas, naufrágios, etc..

[...] Os navegantes enfrentavam ora o tórrido calor equatorial, ora o gélido frio do sul, chegando a nevar nas embarcações. Noutros momentos, eram surpreendidos por atemorizadores fenómenos naturais ou perigosas coisas do mar, como o fogo de Santelmo ou a tromba marítima; ou ainda por terríveis tempestades e prolongadas calmarias equatoriais: Sofrendo tempestades e ondas cruas,/ Vencendo os torpes frios no regaço/ Do Sul, e regiões de abrigo nuas,/ Engolindo o corrupto mantimento/ Temperado com um árduo sofrimento.


Como descreve Camões, que também viveu essa viagem, um dos grandes problemas era a comida e a bebida, pois durante a viagem os racionados géneros alimentares degradavam-se, ou escasseava a preciosa água potável. Para minorar estas privações, as naus aportavam em alguns lugares para fazer a aguada. Como se não bastasse, apareciam as epidemias e o temível mal das gengivas, o escorbuto, a doença crua e feia.

Além dos actos de culto religioso quotidiano, para obviar à dureza da vida a bordo e à monotonia dos infindáveis dias, tinham lugar algumas distracções, como jogos, representações teatrais (comédias e autos religiosos), e até fingidas corridas de touros.

Foi esta heróica Viagem para a Índia, símbolo maior da nossa aventura marítima, que Camões celebrou n'Os Lusíadas como o ponto culminante de toda a História portuguesa. Com a descoberta do caminho marítimo para a Índia, esta gente ousada unia o Atlântico e o Índico, o Ocidente e o Oriente, a Europa e a Ásia. Ultrapassando medos e perigos vários, o Homem desmistificava o Mar Tenebroso. Os portugueses elevavam-se assim à categoria de heróis lendários, dando um passo de gigante na Expansão ultramarina e abrindo novos mundos ao Mundo."

TEXTO: J. Cândido Martins (Universidade Católica Portuguesa – Braga. Sítio da Universidade do Minho), acedido em 28 de Janeiro de 2008, em: http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/letras/candid02.htm
IMAGEM: Nau S. Gabriel da primeira armada de Vasco da Gama, navegando com o vento na popa. Em http://www.marinha.pt/


Uma vez que nem sempre os acontecimentos da nossa história estão tão frescos na memória quanto gostaríamos, aqui ficam algumas datas e factos para ajudar a situar Camões e os acontecimentos principais de Os Lusíadas. Para saber mais consulta a tabela de reis, rainhas e presidentes de Portugal.

CRONOLOGIA
1495 Out.27 D. Manuel é aclamado e jurado rei em Alcácer do Sal.
1496 Disposição régia ordenando a expulsão dos judeus e mouros que não quisessem baptizar-se.
1497 Julho - A armada de Vasco da Gama sai de Lisboa a caminho da Índia.
1498 Maio - Vasco da Gama chega a Calecut.
Agosto - Vasco da Gama inicia a viagem de regresso a Lisboa.
1499 Agosto - Vasco da Gama chega a Lisboa.
1500 Abr.24 Pedro Alvares Cabral desembarca no Brasil.
1501 Expedição de reconhecimento ao Brasil.
Introdução do milho em Portugal.
É lançada a primeira pedra do Mosteiro dos Jerónimos.
1503-1504 Referências a navios franceses de comércio e de corso no Brasil.
1505-1508 Duarte Pacheco Pereira, Esmeraldo de Situ Orbis.
1506 Movimentações antijudaicas em Lisboa (cerca de 3000 mortos).
Gil Vicente, Auto da Índia.
1514-1516 Mercadores portugueses comerciam na China.
Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno.
1519 Set. A armada de Fernão de Magalhães inicia a primeira viagem de circum-navegação.
1521 Morre D. Manuel I.
Início do reinado de D. João III.
1524 Nomeação de Vasco da Gama como vice-rei da Índia.
Dez.24 Morre Vasco da Gama.
Ano provável do nascimento de Luís de Camões.

In: António Moreira, Alcino Pedrosa – As grandes datas da História de Portugal.
Lisboa: Editorial Notícias, 1993.


Vasco da Gama ouvindo o piloto oriental
1907/1908, óleo sobre tela, 238 x 198 cm
Sala Infante D. Henrique, Museu Militar, Lisboa

D. Manuel confirmaria Vasco da Gama como capitão-mor a 7 de Julho de 1497, nas Cortes de Montemor.
No dia seguinte, partia de Lisboa a frota para a expedição inaugural à Índia, constituída por: nau capitânia S. Gabriel; S. Rafael (comandada por Paulo da Gama); e Bérrio (Nicolau Coelho); com Gonçalo Nunes a comandar um navio de mantimentos.

Atingiria as ilhas de Cabo Verde a 27 de Julho, após o que a frota faria uma longa inflexão em arco, para Sudoeste, afastando-se da costa africana, antes de chegar a Santa Helena (a 8 de Novembro); o Cabo da Boa Esperança seria dobrado a 18 de Novembro de 1497.

Depois da passagem por Moçambique (no início de Março de 1498), Mombaça e Melinde (Abril) – onde foi contratado um piloto muçulmano, conhecedor das rotas de navegação no Índico –, a frota comandada por Vasco da Gama atingiria a Índia (Calecute) a 20 de Maio de 1498. Regressaria a Lisboa, onde foi recebido em triunfo, no final de Agosto, já depois de o seu irmão ter entretanto falecido em escala nos Açores.
Partiria para a Índia pela segunda vez a 10 de Fevereiro de 1502, liderando uma poderosa armada, de 20 navios; viria a instalar duas feitorias em Cochim e Cananor, assim inaugurando o império português no Oriente. Regressaria ao Reino, chegando a Lisboa a 10 de Novembro de 1503.
Como recompensa pelos seus feitos, Vasco da Gama receberia em doação real a vila de Sines, para além de uma tença anual de trezentos mil réis. Em 1519, ser-lhe-ia ainda atribuído o título de Conde da Vidigueira.

Já sob as ordens do Rei D. João III, empreenderia ainda uma terceira expedição à Índia, agora na qualidade de (segundo) Vice-Rei da Índia, partindo a 9 de Abril de 1524.

Idoso e enfermo, viria a falecer em Cochim, na Índia, três meses depois da chegada, a 25 de Dezembro de 1524, onde começaria por ser sepultado. Depois de transladado para Vidigueira, repousa – desde o século XIX – no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

Bibliografia consultada
- “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004). Acedido em 23 de Janeiro de 2008 em
http://www.vidaslusofonas.pt


E tu?

  • Pensas que é importante conhecer estas figuras, estes factos, este texto?

  • Achas que a escola os dá a conhecer capazmente?

  • Consideras este período dos Descobrimentos uma época gloriosa ou o início duma longa decadência?

  • Pensas que algumas das críticas feitas por Camões ainda têm actualidade? Quais?
  • Consegues rever-te no retrato de Português amoroso, destemido, aventureiro? Ou achas que temos mais o lado materialista, invejoso e pouco dado às artes que Camões também denuncia?

    Depois do estudo de Os Lusíadas (finais dos cantos), publica um Comentário sobre um destes pontos.

10 outubro 2008

A minha infância

Vamos publicando, aos poucos, alguns excertos dos textos criados pelos colegas do 12º PTG e 12º A, motivados pelo tema da infância em Fernando Pessoa.
Potsdam, 2007
«No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma»
Álvaro de Campos

A minha infância

«(...) Tive uma infância agradável, mas também com momentos tristes e dolorosos. Era uma criança, não me apercebia de nada, estava ali apenas para brincar, sorrir, tentar viver como outra criança qualquer da minha idade; mas lá no fundo sentia que se passava algo. Ainda eu não tinha dois anos quando o meu pai faleceu e seis quando a minha mãe faleceu também. A minha avó tem sido um grande apoio, um grande refúgio. (...)

Muitas histórias se passaram, muitas recordações ficaram na memória, em albúns de fotografias, boas e más, é certo, mas todas com importância.(...) »
C. Macedo
12ºPTG
Pobre velha música!
Não sei por que agrado,
Enche-se de lágrimas
Meu olhar parado.
Recordo outro ouvir-te,
Não sei se te ouvi
Nessa minha infância
Que me lembra em ti.

Com que ânsia tão raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei:
Fui-o outrora agora.
Fernando Pessoa


«Poucas são as memórias da infância, mas as que mais me marcaram têm um grande peso nos dias de hoje. O meu primeiro dia de aulas não é o momento de que me recordo mais, nem o primeiro contacto com os colegas, mas, sem dúvida, foi bastante importante pois foi aí que conheci os meus amigos, com quem cresci, que me ajudaram a passar algumas fases menos boas da infância e que ainda hoje me acompanham.

Uma dessas grandes recordações foi o nascimento do meu irmão. Lembro-me perfeitamente de o meu pai chegar ao pé de mim e dizer com a maior das felicidades que o meu irmõa já tinha nascido - com cinco anos, era a coisa que eu mais queria.

Sendo neta de um acordionista, filha de músicos amadores e rodeada de família também com este passatempo, aos sete anos iniciei a aprendizagem. A música "está-me no sangue"(...) Dá para descansar, libertar a raiva quando se a sente...e neste anos todos tenho vindo a gostar cada vez mais.(...)Há dias em que acho que foi das melhores coisas que me aconteceram.

Por outro lado, nesse mesmo ano, uma notícia abalou a minha família. Essa afectou-me muito e ainda me afecta: lembro-me perfeitamente daquela segunda-feira em que recebi a notícia de um acidente trágico, em que a vítima era o meu padrinho. Tinha 23 anos e a perda abalou muito a nossa família. (...)Outro dos momentos marcantes da minha infância aconteceu tinha eu 10 anos: foi o aparecimento de um cancro no meu pai. Nessa altura não tive a noção do que realmente se passou, mas hoje, em cada conversa que tenho com o meu pai sobre isso, é mais um bocadinho que cresço e me apercebo de quão curta a vida é.
Não me recordo de mais nenhum episódio marcante; todos eles serviram para eu me preparar para esta juventude, que também já está a passar, e para perceber que a vida não é só um sonho.»
J.B.Severiano

12ºPTG


Berlim, 2007